Cine HTE: Desafiando Gigantes

Na Grécia Antiga, o oráculo de Delfos apresentava uma frase simples, porém profunda: Conhece-te a ti mesmo. Esse pensamento influenciou dos filósofos da antiguidade até os dias de hoje. Alguns contemporâneos relacionam boa parte dos problemas modernos, como o estresse, a falta de conhecimento e, conseqüentemente, falta de domínio sobre si. Para falarmos um pouco sobre esse tema, iremos utilizar o filme Desafiando Gigantes (Facing the Giants, 2006). Embora a película trate desse assunto de uma maneira bem religiosa, não irei entrar nesse mérito em respeito as diferentes crenças que todos que lerem o artigo possam ter, embora eu acredite que os ensinamentos contidos nesse filme possam ser aplicados para qualquer pessoa, independente de sua religião.
A trama é centrada em Grantt Taylor, treinador de futebol americano de uma escola secundária dos EUA, que vive de temporadas ruins, sem grandes perspectivas e pressionado por resultados. Além disso, convive com problemas na vida com sua esposa nos desejos de formar uma família com filhos, financeiros para ter um carro e uma casa em melhores estados. Taylor se vê em dificuldades de alcançar os objetivos e ultrapassar os obstáculos que encontra na vida. Em dado momento, conversa com o pastor da escola para tentar entender o que está dando de errado, quando o mesmo conta a história de dois agricultores que rezavam pedindo chuva, mas somente um preparou o campo para recebê-las. É nesse momento que Taylor percebe que tem que se estudar para identificar como resolver os seus problemas.
Michael Jordan, melhor jogador de basquete da história, escreveu em seu livro “Nunca deixe de tentar” que, quando tudo está errado, devemos voltar ao básico, restabelecer os fundamentos. Ou seja, como diz o dito popular, “não adianta dar murro em ponta de faca”, é necessário retomar os princípios. Grantt Taylor faz exatamente isso e retoma o trabalho de seu time implantando uma nova filosofia de treinamento, que tem como principal foco fazer seus jogadores e auxiliares acreditem em si mesmos e façam seu melhor, independente do resultado. A cena mais emblemática é quando ele pede que seu capitão de defesa Brock carregue um jogador nas costas por 30 jardas, mas que faça de olhos fechados, sem saber se chegou a marca ou não. Dessa maneira, incentivando-o a dar o seu melhor e forçando a abraçar o seu limite, Brock não leva o companheiro nas costas por apenas 30 jardas (o que já seria um grande feito), mas cruza o campo todo com 100 jardas. A pergunta que essa cena nos faz é: Qual o nosso limite? O imposto pela sociedade ou algo particular? Como saber se estou dando o meu melhor?
Jordan, no mesmo livro, dizia que “quanto mais treinava, mais sorte ele tinha”. A prática a exaustão proposta pelo treinador Taylor, de buscarem o melhor sempre e deixarem o resultado para depois, fez com que o time jogasse com mais confiança e revertesse uma série de derrotas. Taylor não seguiu essa filosofia somente no campo de jogo. A vida particular que vinha em frangalhos também começou a receber seus frutos. A felicidade foi voltando ao lar e a gravidez tão desejada pelo casal foi conquistada.
Albert Einstein, físico que dispensa maiores apresentações, em seu livro “Como vejo o mundo” colocou: “O ser humano não pode se contentar em esperar e criticar. Deve lutar por esta causa, tanto quanto puder. O destino da humanidade será o que preparamos”. Com o autoconhecimento conquistado por Taylor, ele teve condições de buscar e mudar o seu destino. De técnico fracassado, passou a inspiração dos jovens jogadores e da cidade. De uma vida pessoal inferiorizada, passou a aproveitar as conquistas pessoais.  E, quando as coisas não dão certo, não adianta ficar procurando os fantasmas nos outros. Uma reflexão interior, serena e sincera, com uma boa dose de atitude para mudar o que não está certo, é o que precisamos para voltar aos eixos e trilhar o caminho da felicidade.
Ficha Técnica
Título Original: Facing the Giants
Tempo de duração: 11 min
Ano de lançamento (EUA): 2006
Direção: Alex Kendrick
Roteiro: Alex Kendrick, Stephen Kendrick
OBS: A seção Cine HTE não tem a pretensão de fazer uma crítica em si dos filmes, mas relatar e refletir sobre os ensinamentos que são abordados na história, seja baseado em fatos reais ou mera ficção.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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