Entrevista com Sílvio Luiz

O HTE Sports teve a honra de entrevistar um grande narrador, um verdadeiro ícone do jornalismo esportivo: o ilustre Silvio Luiz. Silvio fez cobertura de grandes jogos, e viu diversas fases do nosso futebol brasileiro. Atualmente, ele trabalha na RedeTV.

Silvio Luiz foi direto e reto em suas respostas. Vamos então conferir a entrevista:

  1. Como narrador, vemos um Silvio Luiz que se diferencia dos outros por narrar de uma forma mais descontraída. Descontração e futebol caracterizam também o Silvio Luiz no dia-a-dia, fora da profissão? Como você descreveria sua pessoa?

Acho que sim, desde que não tenha alguma coisa me preocupando ou doença na família sou alegre e gozador.

  1. Você é considerado uma referência para muitos dos narradores que temos no Brasil atualmente. Como é essa responsabilidade?

Ser referência em alguma coisa é sempre uma responsabilidade, o que exige de você muito cuidado do que fala e opina.

  1. Recentemente você foi convidado pela Konami para narrar o jogo Pro Evolution Soccer, e você também já declarou que é mais difícil narrar games do que jogos ao vivo. Porque essa dificuldade é maior nos games?

Desde 2011 gravamos o PES. A dificuldade é que você tem que narrar as situações sem ter nem uma imagem como guia e às vezes uma situação requer cinco ou seis diferentes resultados.

  1. Atualmente, se vê nos jogadores muitos discursos decorados. Você que já trabalhou também como repórter viu uma grande mudança ao longo desses anos na relação mídia-atleta? Como pode descrever isso?

Antigamente o nível intelectual era muito baixo, hoje os assessores orientam o que eles têm que falar.

  1. No seu tempo de repórter de campo, havia uma maior proximidade entre o repórter e os jogadores, em alguns momentos até vínculos de amizade. Ao longo do tempo isso foi mudando até o momento que vivemos hoje, de discursos prontos, politicamente corretos. O que você considera que foi preponderante para essa mudança?

Talvez a ‘profissionalização’, a chegada dos empresários e assessores.

  1. São diversos os momentos grandiosos da sua carreira. Poderia destacar um momento que foi um grande marco para você?

A conquista do título pelo Corinthians em 77 depois de 22 anos de fila.

  1. Estamos quase completando um ano que nos despedimos do saudoso Luciano do Valle. Na época áurea das transmissões esportivas na Rede Bandeirantes, Luciano comentou que dividia sempre com você o posto de narrador principal do canal, revezando os jogos grandes com você. O que o Luciano representou para você na sua carreira e na sua vida?

Um bom amigo.

  1. Nos anos 80, junto com o jornalista Flavio Prado, vocês formaram uma chapa para concorrer à presidência da Federação Paulista de Futebol. O que, em sua opinião, faltou para que as federações e confederações fossem dirigidas por pessoas realmente ligadas ao esporte e não a politicagem?

Coragem.

  1. Passado cerca de 8 meses da Copa do Mundo no Brasil, que lições você considera que as pessoas que gerem o futebol aprenderam com o evento e com a vexatória derrota nas semi-finais?

Pelo futebol que estamos apresentando, nem uma.

  1. Em recente entrevista você disse que o racismo é a história mais indignante que você acompanhou no esporte durante sua carreira e ultimamente parece que a onda de racismo está explodindo no mundo todo como, por exemplo, nos casos do goleiro Aranha e do Daniel Alves no ano passado e dos torcedores do Chelsea esse ano, para ficar apenas nos casos de futebol. Para você, tem solução o racismo no esporte?

Quando a humanidade tomar ciência de que somos todos filhos do mesmo Deus.

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