Guerreiras, campeãs: as meninas do São Paulo Storm

Já faz um mês que as meninas do São Paulo Storm venceram o Campeonato Paulista de Flag Football. E o porque isso é de tamanha importância? Bem vamos então pontuar todos os aspectos que tornam essa uma matéria totalmente especial:
  • Quando se fala de Futebol Americano, no que se pensa? Exatamente! NFL, Tom Brady, Pittsburgh Steelers, 100 mil pessoas no estádio, muito dinheiro envolvido. Pois bem, essa é uma matéria que vai falar de Futebol Americano, mas diferentemente do usual, não tratará esses assuntos rotineiros na National Football League;
  • E quem joga o futebol americano? Homens fortes, de tamanha brutalidade, com cara de mau, e que estão prontos para derrubar o que vier pela frente. É então, nem sempre é assim;
  • O Brasil é o país do futebol, Neymar, Ronaldo, Pelé! Mas é o Futebol Americano que vem caindo cada vez mais no gosto dos brasileiros e diversos clubes no Brasil vem tendo uma tamanha evolução, dentre eles, o São Paulo Storm.
Queremos enaltecer as meninas que não lutam só contra as adversárias dentro de campo, mas contra todos os paradigmas e imposições que o Futebol Americano no Brasil requere, para que elas possam caminhar firmes e chegar a vencer títulos. Todas são guerreiras porque o amor pelo esporte motivam elas a continuar, já que elas precisam além de se focar em jogos e treinamento, também trabalharem ou estudarem fora dali para manterem suas vidas. Nós do HTE Sports buscamos relatos das jogadoras do São Paulo Storm para assim formular nossa matéria, contando mais sobre o esporte e a batalha  diária delas.
O Storm teve uma campanha arrasadora durante o campeonato, vencendo todos os jogos da competição. Na grande final a vítima foi o  Spartans Football, onde o resultado do jogo foi 19×0. Nosso primeiro contato com uma das atletas campeãs foi com a Marina Fernandes, uma multitarefa dentro do time. Ela desempenha a função de Safety, Blitzer e Linebacker. Ela nos revelou que o lema do time é a união, sendo o mais pensado entre elas o lema: “Somos uma só!”.
Marina é uma das líderes da equipe, torcedora do Baltimore Ravens, e que tem Richard Sherman como uma de suas inspirações, a belíssima paulistana de 22 anos é um exemplo para todos que amam esporte em sua raiz. Polivalente, ela que jogou soccer dos 7 aos 20 anos. Entrou no futebol americano quando foi uma surpresa a uma amiga indo até a seletiva do Storm, arrasando e ali percebendo que aquele era seu esporte. Sua rotina é das mais puxadas. É estudante de Ciências Contábeis, trabalha na área, vai todo dia a academia visando sempre manter bem o corpo e se dedica bastante aos treinamentos. Marina teve um excelente bate-papo conosco, revelando bastante sobre sua rotina e todo seu amor pelo Futebol Americano.
É usual pessoas tratarem com estranheza o fato de uma mulher estar atuando no futebol americano. Marina ainda destacou que ainda existe sim um certo preconceito, mas que a curiosidade de alguns é razão para o crescimento do esporte. Confira esse trecho de depoimento dela:

Quando digo que jogo uma modalidade dentro do futebol americano logo as pessoas se assustam, mas em seguida ficam curiosas para conhecer o esporte. Preconceito ainda sofremos por ser um “sub esporte”, só que com esse crescimento e a curiosidade das pessoas só temos a crescer.

Marina descreveu sua paixão pelo esporte da seguinte forma:

Eu diria que futebol americano e suas modalidades são extremamente apaixonastes. Quem entra nunca mais quer sair.

Com extrema simpatia, a jogadora até me convidou para começar a jogar futebol americano. Quando eu disse que não teria porte físico para o jogo ela riu e disse :“Tudo é técnica. E muito treino!” . Isso mostra um pouco mais sobre a personalidade de Marina, que é de fato uma apaixonada pelo esporte e um exemplo a ser admirado. Mesmo com todas as adversidades ela segue firme, liderando a equipe, fazendo com que ela chegue aos títulos. O esporte tem sua razão social, e Marina é um dos expoentes da beleza do esporte.

Na sequência, tivemos oportunidade de bater um papo com outra grande referência do São Paulo Storm: a wide receiver Michele Minelli. Com 24 anos, a paulistana iniciou sua carreira no time de Futebol Americano do Palmeiras. Então, se transferiu para o Storm aonde conseguiu mais estabilidade para desempenhar a função que ama. Michele já disputou mundiais e já foi MVP do Campeonato Brasileiro de Flag Football feminino, é um grande nome na categoria.

Nós todas jogamos por paixão ao esporte, aí quando ganhamos algo é sensacional. Mas quando ganhamos um reconhecimento a mais, você começa a ter muito mais responsabilidade dentro do time. Eu por exemplo nunca fui de ir pra academia, não gosto, mas sei que isso melhora demais meu rendimento, então comecei um tempão atrás a ir. Quando as novatas entram, elas nos usam muito como “meta” e temos que dar um bom exemplo (risos). Quanto aos mundiais, é inexplicável representar o país no seu esporte, mesmo ainda não tendo uma seleção realmente competitiva.

Torcedora do 49ers na NFL, Michele analisa a rota que grandes receivers fazem, tentando absorver conteúdo para seu jogo. Ela entrou no FA por ser palmeirense mas confessa que: “Eu era daquelas que confundia rugby com FA”. E hoje é um dos pilares da categoria dentro do país. Ela passou por um momento delicado em sua carreira quando teve que operar o joelho, mas com muita determinação e por amor ao esporte conseguiu uma rápida recuperação para voltar a atuar em alto nível:

Eu queria estar entre as melhores de novo, ajudar meu time a conquistar mais títulos. Sabia que podia, mas que seria difícil. Logo que voltei a andar, frequentava todos os treinos e ia a todos os campeonatos, eu queria estar junto delas de qualquer jeito. Me ajudou a manter o foco no objetivo, que era retomar minha posição de titular absoluta. De todas que operaram o joelho, eu fui a que voltou mais rápido!

Michele também ressaltou a união de todas as meninas,  reafirmando a frase dita por Marina: “usamos a hashtag #S1S – somos uma só” . Esse espírito é contagiante e forma a grande força da equipe. Tudo isso merece muitos aplausos de pé, não só para o Storm, mas para toda a categoria que como eu citei no início da matéria, não precisam apenas vencer dentro de campo, mas sim uma dedicação gigante em toda a vida para poder fazer o que amam.

Essa é uma matéria que vira holofotes para uma classe que quase não é observada, mas que está diariamente na batalha. Noticiar sobre os grandes eventos no porte de um Super Bowl é extremamente gratificante e bonito, porém quando olhamos para o que está fora da mídia é necessário um trabalho mais minucioso para que isso seja bem aceito por leitores. Essa é a minha situação como redator. Agora vamos analisar a situação das meninas que vão para o campo de treinamento e dão duro, mesmo com um reconhecimento que infelizmente não é dos maiores. Mas elas não desistem, seguem sua vida matando muito mais que um leão por dia. Esbeltas, simpáticas e grandes atletas. Parabéns meninas, vocês são de fato guerreiras e é até difícil representar apenas com esse texto tudo que vocês transmitem.

Agradecimentos

Um agradecimento especial para Marina Fernandes – destaque defensiva de 2014 do São Paulo Storm e a Michele Minelli – destaque ofensiva de 2014 do São Paulo Storm

“O espírito de somos uma só dessas meninas é algo que todos devem tomar como lição. Elas merecem um grande reconhecimento. Eu estou honrado por produzir essa matéria. Espero ter representado pelo menos um pouquinho da batalha delas. Vencedoras!” 
Elvis Fernando.

Elvis Fernando

20 anos, estudante de Engenharia na Universidade Federal do ABC. Apaixonado por esportes e isso me mantém firme dentro do HTE Sports.
Fundador da marca HTE.

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