Memória Olímpica #1 – O racismo mora ao lado

Começamos hoje no HTE Sports uma nova série para contar as histórias que marcaram os Jogos Olímpicos da era moderna, que começaram no longínquo ano de 1896 em Atenas e terá a próxima edição no Rio de Janeiro no ano que vem. A história do mundo desde o início do século XX esteve presente nas Olimpíadas, bem como a Olimpíadas se fez importante para contar os fatos mais importantes. Dos boicotes políticos as aparições de personagens importantes, passando pelos grandes exemplos de vida e esportividade, traremos aqui os fatos mais notáveis dos jogos.

E a primeira história ocorreu nos Jogos de 1936, em Munique na Alemanha. Naquela época, alguns países da Europa eram dominados por regimes totalitários dos mais asquerosos que a humanidade já presenciou. O país sede dos jogos tinha como seu chefe de Estado nada menos que Adolf Hitler, que contaminou boa parte da Europa com a política nazista. E Hitler tinha a intenção de fazer dos jogos sua plataforma para mostrar a raça superior, os arianos, assim como Mussolini, chefe de Estado italiano havia já o feito na Copa do Mundo dois anos antes.

Os jogos começaram e Hitler foi informado pelo COI que, se estivesse no estádio, teria de cumprimentar todos os vencedores olímpicos. Logo que soube, se retirou do estádio, para não ser obrigado a cumprimentar atletas negros, como Cornelius Johnson e Jesse Owens. Por essa história, Owens ficou conhecido como o “homem que fez Hitler se retirar dos Jogos”, ao vencer as provas dos 100, 200 e 4×100 metros rasos além do salto em comprimento. Não, Adolf Hitler não poderia dar o gosto aos seus inimigos, já que estava em guerra contra todos que não fossem 100% arianos (ou seja, negros e judeus).

Mas o mérito de Owens não parou por aí. Como está no título da matéria, o racismo mora ao lado. Um negro americano não precisava ir até a Alemanha para saber disso. Os EUA do começo do século eram a nação mais hipócrita da face da terra. Em sua biografia, Owens deixou claro que o que o magoou não foram as atitudes de Hitler, mas o fato do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt não ter sequer lhe enviado um telegrama de felicitações pelas conquistas olímpicas. Na mesma biografia, Owens disse que  “É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca”.

O regimes totalitários racistas que os EUA lutaram contra na 2ª Guerra Mundial, iniciada 3 anos após os Jogos de Munique, existiam em seu quintal. Aqui no HTE Sports contamos as histórias de Muhammadi Ali e de Jack Robinson, como exemplo de como essa luta demorou para ser vencida no quintal norte-americano. Jesse Owens venceu Hitler, mas não conseguiu vencer em casa. Os Jogos Olímpicos foram uma importante plataforma para todas as etnias, credos, origens e etc, mostrarem que têm o seu valor e colocarem para o mundo que ninguém é superior ao outro por essas questões.

Jesse Owens foi um dos exemplos dessa história de combate ao racismo que também esteve presente na história das Olimpíadas. Venceu no palco nazista e mostrou a hipocrisia norte-americana do começo do século XX. Está no Hall da Fama do atletismo por suas conquistas dentro e fora das pistas. Está na história da humanidade e dos Jogos.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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