Hospício #16 – Entrevista com Luis Butti

Segue a série das entrevistas no Hospício com os corinthianos mais icônicos do Twitter.
Semana passada, o entrevistado foi Teleco. Já o entrevistado da vez é Luis Butti, que escreve para o goal.com, grava vídeos para seu vlog e, claro, sempre escreve sobre o Corinthians também em 140 caracteres.
Butti
H: Primeiramente, muito obrigado pela entrevista, Butti. 
 LB: Nóis. Estamos juntos.
H: O que achou das recentes saídas do Corinthians, como Petros, Fábio Santos, Emerson Sheik e Guerrero? Quais nomes seriam ideais (dentro da realidade do clube) para reposição?
 LB: Previsíveis. Essa reformulação já era anunciada desde o começo do ano. Só me assustou o destino do Guerrero e achei que o Petros pegaria um time maior. Mas tá valendo.
Sobre peças pra compor elenco, antes de escolher nomes, é melhor ver quais características a gente precisa.  Não adianta contratar, por exemplo, um volante e pronto. Você precisa de um Volante especializado aonde ?  Volante que arma ? Que desarma ? Que chuta ? Que mantém a bola ? Que sabe sair jogando ? Que pára o jogo com falta ? Que pára jogo sem falta ? Povo tem essa mania que tudo é Volante, tudo é Atacante e não é.
Sobre reforços de peso, confesso que eu arriscaria o Ronaldinho Gaúcho. Gosto de ousadia.
 
H: Carlitos Tevez foi anunciado oficialmente no Boca essa semana. Acha que ele teria espaço no Corinthians?
 LB: Difícil. Não pela qualidade dele, que é indiscutível.
Mas porque Tite não trabalha com ele pelo problema com o mesmo em 2005. É um chegar e o outro sair. E entre Tevez e Tite, prefiro o Adenor, mesmo errando em algumas coisas ultimamente.
O Tevez, óbvio que tem espaço no Corinthians. Mas pega uma segunda questão.
H: Vários argentinos já jogaram e representaram a camisa corinthiana. Qual o maior argentino da história do Corinthians, para você? Por que acha isso? 
 LB: Teoricamente, o melhor tecnicamente seria Carlitos Tevez por N razões.
Mas eu gostaria de destacar Javier Mascherano. Muitos o pintam como jogador que “passou em branco” no Corinthians, o que não é verdade. Até se machucar gravemente, Mascherano teve jogos históricos aqui e brigava pau a pau pela liderança da Bola de Prata da Placar com o Mineiro. Também foi sacaneado por Amarilla na Libertadores de 2006.
Fora do Corinthians, se destacou muito mais que Tevez, além de se tornar especialista numa segunda posição. Uma pena a maneira que saiu.
Não era argentino, (era uruguaio) mas eu também era muito fã do falecido zagueiro Daniel González. Tinha uma raça monstruosa.
H: Se pudesse reviver ou contratar qualquer jogador para o atual time do Corinthians, quem escolheria? Acha que ele resolveria os problemas do clube?
 LB: Ronaldinho Gaúcho. A torcida do Corinthians precisa de uma injeção de otimismo com urgência. Pra alavancar venda de cadeira, camarote, dar confiança na torcida. Algo que sacuda a poeira a toque de caixa dentro e fora de campo.  Ronaldinho seria ídolo aqui.
H: Qual é o seu 11 ideal historicamente falando? E desses 11, qual deles é o seu maior ídolo?
LB: Meu 11 de todos os tempos ? Rapaz, pegou.
Vou tentar. Certamente vou esquecer alguém.
Pra não dar ruim, vou fazer dois.
Gilmar; Zé Maria; Gamarra, Daniel González e Wladimir; Ralf, Rincón, Sócrates e Neto; Edílson e Ronaldo Fenômeno. Tite de Treinador.
Cássio; Alessandro; Domingos da Guia; Marcelo Dijan e Silvinho; Dino Sani, Marcelinho Carioca e Rivelino; Cláudio, Luizinho e Baltazar. Técnico seria o Oswaldo Brandão.
Certeza que esqueci alguém ou não coube no esquema.
Meu grande ídolo nesse scratch é o Tite. Como atletas, citaria Neto e Doutor Sócrates.
H: Dentro das peças do elenco, qual time montaria? E qual a formação tática seria?
LB: Acho que varia bastante. Depende muito do adversário.
Vivemos uma situação entre a cruz e a espada. Teoricamente, o certo era montar um time com dois volantes que armam. Só que esse estilo de jogo na maioria das vezes só funciona se o adversário também o fizer. Se o adversário jogar com brucutu, a chance dele vencer é muito alta.
Eu concordo bastante com a teoria do Rica Perrone sobre a maturação do Futebol Brasileiro taticamente. Você deve ter visto esse vídeo. Muito complicado montar um time com essa situação.
Mas, vou tentar.
Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Bruno Henrique, Elias, Renato Augusto e Jadson; Love e Luciano.
Se ousar um pouco mais, faria uma formação com 4-3-3, algo muito parecido com o que o Tite queria fazer contra o Figueirense:
Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf; Jadson e Renato Augusto; Malcon, Love e Luciano. 
Nesta formação mais ousada, eu preciso de um cão de guarda. Abdico de volantes que sobem porque tenho um centroavante e 2 wingers.
Outra coisa que considero seriamente é jogar com Jadson OU Renato Augusto. Apenas um deles.
Os dois juntos, jamais. Time fica lento demais.
H: Um maluco gritou na Casa Branca um “Vai Corinthians”. Se pudesse, em qual lugar o Butti faria o mesmo? Por quê?
LB: Não só faria, como já fiz.
Não foi com Obama e nem grito de “Vai, Corinthians”, mas grito de gol.
Eu já gritei Gol na varanda do Bellagio (cassino de Las Vegas).
Recebi o gol via SMS (eu ainda não tinha iPhone, rs) naquele Corinthians x Flamengo histórico, do 2×1 em 2011
Não tive dúvida. Gritei gol ali mesmo no meio da galera na jogatina.
H: Se tivesse oportunidade de ver Carlos Amarilla frente a frente, o que faria ou falaria para ele? Qual foi o sentimento naquele Corinthians x Boca?
LB: Não sei a minha reação. Não sou cara de briga. Fico mais frustrado do que puto, querendo bater.
Eu só fui descobrir o erro do árbitro depois, vendo na web e na televisão. Estava no jogo, na hora não vi nada, tudo muito rápido. Só estávamos preocupados em aplaudir o time pela luta
H: O Naming Rights da Arena resolveria o problema financeiro do clube? Se pudesse escolher uma marca por algum motivo, qual seria?
LB: Não. Muito longe disso. Até porque vai para o fundo, e não pro clube.
Escolher uma marca ? Acho que seria legal alguma marca com diversos produtos de consumo digamos, imediato, como uma Nestlé ou Johnson & Johnson, por exemplo. Facilita ativação.
Não consigo imaginar um Naming Rights funcionando no Brasil, neste momento, de algum produto que você pensa pra comprar. Você, por exemplo, não chega, vê a marca e diz: “puxa vida, preciso fazer um seguro ou comprar uma passagem aérea”. Cara, você não precisa disso. Futebol é imediatismo. É ali, na hora do jogo. Você não vai comprar uma passagem pra Dubai porque viu escrito Emirates na Arena Corinthians. Mas pode comprar uma Brahma ou um Band-Aid.
Naming Rights no Brasil é mais linguagem de outdoor, e menos de revista.
Linguagem do bandido. Tipo “A bolsa ou a vida”.
Vai evoluir ? Vai. Mas eu estou falando de agora, dia 25 de Junho de 2015. A Allianz está tendo um trabalho do cão pra ativar a marca no Palmeiras.
H: Qual o melhor: Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar? Andrés falou, na época que Neymar jogava no Santos, que Neymar seria do Corinthians um dia, se um deles pudesse jogar aqui, qual mais gostaria de ver com o manto?
LB: O Messi não é deste planeta. Vem daquele mesmo mundinho de onde veio o Rei Pelé.
Messi é o maior desta geração. Mas jamais passará Pelé.
Vale uma ressalva: Ronaldo Fenômeno. Tudo isso que o Messi fez, ele fez com um joelho só.
Mas voltemos a Pelé.
Jogar naquela época era muito mais difícil. Mas muito.
Nego jogava com pedra na mão, prego na ponta chuteira. Não havia tática e técnica apurada. Era na raça e acabou. Hoje, a tecnologia dá uma mão muito grande.
Se tivesse que escolher, evidentemente seria Lionel Messi. O Neymar seria ídolo aqui.  A Fiel iria o amadurecer muito mais depressa. Ele não era cobrado por torcida no Santos. Talvez isso pudesse o colocar num patamar ainda maior.
H: Se Luis Butti fosse eleito presidente do Corinthians, qual seria a primeira medida? Mudaria o quê?
LB: Gestão Norte-Americana. Em absolutamente tudo. Tirando em Comissão Técnica, pra escalar, treinar, indicar pra comprar, eu enchia de norte-americano no Corinthians em praticamente todos os segmentos. Não deixava um brasileiro ali dentro. Deixa os Yankees. Os caras são fodas. Os norte-americanos conseguem ser competitivos, ganhar (muito) dinheiro e não matam a paixão da torcida. Tudo ao mesmo tempo. É fascinante e inacreditável. E lá ninguém mete a mão no negócio deles não.
A torcida do Pittsburgh Steelers (time mais vitorioso da NFL), por exemplo, se comporta do mesmo jeito fascinante que se comportava nos anos 60. Não mudou uma vírgula. Segue lotando e dando show. O Denver Broncos não tem um espaço sobrando em seu estádio desde os anos 70. Tudo sold out, sem um lugarzinho sequer. O Green Bay Packers consegue ter uma média de 70.000 pessoas situado numa cidade de 230.000 habitantes.
E continuam evoluindo, modernizando, fazendo arenas, lounges, camarotes, match day, etc.
Porque eles conseguem isso e a gente não ?
Também tentaria fazer um Corinthians com um pouco mais de ambição e gigantismo.
Porque um estádio pra apenas 50.000 ?
Pra mim, o desafio não deve ser “Temos torcida pra encher 50.000 ?”, e  sim “Agora temos um estádio de 75.000. Como vamos encher sempre ? Eu confio em vocês”.
 
Eu prefiro puxar a barra pro lado do excesso. Não do “tá suficiente, é muito pra nós”
O brasileiro tem mania de minimalismo, de auto-suficiência. Isso me dá aflição.
Foi nessa brincadeira de gigantismo e megalomania que os Estados Unidos se tornaram a maior potência esportiva do planeta. E estão começando a brincar pesado no Futebol (soccer, pra eles).
O Corinthians tem que pensar mais como Pittsburgh Steelers ou Los Angeles Lakers e menos como Bayern München e Barcelona.
H: Muito obrigado, Butti, pela entrevista concedida. Mande um salve para a nação que acompanha o Corinthians no HTE Sports e fale um pouco de seu trabalho no goal.com e em seu vlog.
LB: Estamos juntos. Lá no Goal, na Fan Page Oficial e no @luisbutti

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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