Meu Jogo Histórico #4 – O sonho da Libertadores

Quem é corintiano certamente ficava desgostoso no ano de 2012 quando se falava em Libertadores. Uma das maiores torcidas do mundo, um clube gigante, que já tinha inclusive sido Campeão do Mundo em 2012, mas parece que conquistar a América não era pro Corinthians. Foram diversas a tentativas e diversos os sofrimentos. Vimos Marcos defender pênaltis de ídolos nossos -Marcelinho Carioca e Vampeta- e nos mandar de volta pra casa. Vimos o River Plate por duas vezes passear sobre nosso time. Passamos por um dos maiores vexames da nossa história ao disputar uma pré-Libertadores e cair para o modesto Deportes Tolima no ano de 2011 e isso quase acarretar na demissão do técnico Tite … mas bem, o destino, ele é maluco, e seria necessário todo esse sofrimento para que Tite se tornasse o maior treinador da história do Sport Clube Corinthians Paulista e nos trouxesse o maior dos nossos títulos. Todo esse sofrimento dos anos anteriores enalteceram ainda mais a conquista em 2012, onde tivemos grandes testes para cardíaco no ano em que muitos diziam que o mundo se acabaria. No dia 23 de maio ele quase se acabou. Corinthians x Vasco proporcionaram um dos maiores jogos de futebol de todos os tempos. Mas após passar por aquele duelo de quartas de final, os sofredores corintianos sabiam que aquele era o ano da redenção, e que ninguém pararia o Todo Poderoso Timão!

O Corinthians vinha de uma campanha irretocável até então na Libertadores de 2012. Apesar do início difícil, buscando um empate nos acréscimos na primeira rodada contra o Deportivo Táchira, o Timão se encontrou e selou sua classificação as oitavas com uma goleada de 6×0 sobre o mesmo Deportivo Táchira. Nas oitavas de final a grande conquista foi a conquista da vaga de Cássio na meta corintiana, e aquilo certamente mudou a história do clube. O arqueiro estreou no jogo contra o Emelec no Equador, e mostrou muita segurança. No Pacaembu o Corinthians fez 3×0 e selou tranquilamente a classificação. Mas aí chegava o grande duelo frente ao Vasco, time que engrossou a vida do Corinthians no Brasileirão de 2011 e quase tirou o título do Coringão.

A equipe cruzmaltina tinha em seu elenco nomes como Fernando Prass, Dedé, Diego Souza, Juninho Pernambucano, Éder Luís e Alecsandro. Mesmo tendo dificuldades pra passar das oitavas de final, o Vasco vinha com um bom futebol. O jogo de ida já mostrava que o duelo de volta no Pacaembu causaria diversos infartos. São Januário recebia um chuva enorme, o campo de jogo se tornou um verdadeiro pasto, coberto por lama. Por jogar fora de casa, e o Vasco sempre se aproveitar muito da velocidade de Éder Luís, as péssimas condições do gramado deixaram o jogo muito mais truncado, o que foi bom para o Corinthians que saiu do Rio de Janeiro com um empate em 0x0, assim como contra o Emelec. Então seria apenas vencer novamente por 3×0 no Pacaembu, mas se não tem sofrimento, não é Corinthians…
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Emerson Sheik cheio de lama durante o jogo em São Januário. Foto: Lancenet
Chegava assim o grande dia, 23 de maio de 2012. A Fiel Torcida lotava e embelezava o Pacaembu com um mosaico com a escrita “TIMÃO”. Pois é, o Corinthians naquela noite precisou ser mais do que Timão. Foi muita entrega, muita raça, verdadeiros guerreiros travando uma guerra para realizar o sonho de 30 milhões de loucos, que naquele momento era deixar o coringão a apenas 360 minutos do sonhado título da Libertadores. Mas depois daquele duelo contra o Vasco, o time já cheirava a título. Era sorte de campeão? Era raça de campeão? As circunstâncias do duelo mostravam que o Corinthians viria ser campeão.
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Mosaico da torcida corintiana. Foto: Globo Esporte
O jogo durante os 90 minutos se mostrou truncado. Todo mundo sempre preferia a jogada de segurança, os chutões, que era muito melhor do que correr algum risco. A cada minuto que se passava, um gol se tornaria cruel para que o adversário pudesse reagir. E assim o jogo foi se arrastando, muito pegado, muito disputado, muita raça, mas efetivamente eram poucas as oportunidades criadas.
O Corinthians tinha o bando de loucos cantando sem parar “Vaaaaamos, vamos Corinthians, essa noite, teremos que ganhar” e bem, o time tinha que arriscar alguma coisa. O Vasco entretanto, a cada minuto que passava já estava crendo que levar aos pênaltis seria deveras lucrativo para a equipe. Então foi num lance de falta para o Corinthians que algumas vidas foram mudadas. A vida de quem infartou naquele momento. A vida de Cássio que era a pouco jogo titular, mas naquele momento se tornava já um dos maiores da história. A vida de Diego Souza que acabou com a vida vascaína na Libertadores. 17 minutos do segundo tempo, o Corinthians alça a bola na área e ela é rebatida para o meio campo onde sobra com Alessandro. Ele então, tenta jogar ela lá pra dentro, porque o Corinthians precisava arriscar, mas ele acabou chutando a bola contra o corpo de Diego Souza que ficou com a bola no meio do campo sem ninguém para marcá-lo, podendo caminhar rumo a glória de colocar o Vasco nas semifinais. E foi naquele momento que um filme passou na cabeça de todos os corintianos. Mais uma vez estávamos voltando para a casa? Mais uma vez ficaríamos sem a conquista da tão sonhada Libertadores? Porque tanto sofrimento? Foram alguns segundos desde o momento que Diego Souza dominou a bola, até o momento que ele a finalizou. Entretanto eram esses os segundos mais angustiantes da vida de muitos. E nesse momento Cássio se agigantou e conseguiu resvalar a bola para escanteio. O estádio explodia como um gol. Eu comemorava como se fosse o gol do título. Incrível o que Cássio fazia. Um gol ali fecharia o caixão, porque precisaríamos de dois para se classificar.
Antes de todo o ocorrido no lance Diego Souza, a Fiel já tinha ganhando mais uma pessoa para as arquibancadas. No início do segundo tempo o técnico Tite havia sido expulso e foi acompanhar o jogo das arquibancadas. Pois bem, se percebe que eram só ingredientes de uma partida descomunal. Mas claro, ninguém gosta de 0x0, e o gol tinha que sair.
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Tite acompanha jogo nas arquibancadas após expulsão. Foto: UOL
Me recordo bem que meu pai lá pelos 30 do segundo tempo olhou pra mim e disse: “Calma, lá pelos 42 o gol sairá”. Será que meu coração aguentaria até os 42? Não dava pra prever mais nada. O drama já estava plantado. O grito da Fiel não parava, unhas não existiam mais e a tensão dominava. Então veio o escanteio. A bola aérea por muitas vezes foi nossa aliada durante toda a competição. Alex, líder de assistências do clube naquela competição, foi para a cobrança de escanteio e jogou na área… o Vasco tinha feito uma boa partida, mas já estava querendo flertar com a sorte. Num jogo como esse os erros custam caro. Diego Souza errou e desperdiçou a oportunidade de colocar o Vasco na frente. E nesse lance a zaga errou e deixou Paulinho sozinho para cabecear. O grande forte daquele Corinthians era o poder coletivo, mas o termômetro da equipe era o camisa 8, que quando subiu, testou firme e fez o gol da redenção. Porra, adeus Vasco, pode vir Santos, pode vir Boca Juniors, pode vir Chelsea, ninguém para mais o Corinthians. Aquele gol mudava a história de um grande clube centenário. Transformava esse grande clube em um gigante. Um gigante que possui como sua maior força a sua torcida, que em nenhum momento deixou de cantar, e mereceu tamanha alegria.
Particularmente, eu nunca assisti um jogo como assisti esse jogo. Desde o momento que a bola rolou, eu tremia. Tensão? Frio? Eu não sei o que era aquilo. Os segundos que Diego Souza caminhou até Cássio foram os mais angustiantes de minha vida. Um filme passou pela minha cabeça. Gigante Cássio, herói Cássio tratou de salvar. Quando Paulinho tratou de testar pro fundo da rede aquela tremedeira passava, e um calor tomava conta. Alívio? Alegria? Eu também não sei o que era aquilo. Mas os 30 milhões de loucos sabiam que aquele era o maior gol de nossa história e que ninguém mais seguraria.
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Paulinho faz o gol da redenção

Elvis Fernando

20 anos, estudante de Engenharia na Universidade Federal do ABC. Apaixonado por esportes e isso me mantém firme dentro do HTE Sports.
Fundador da marca HTE.

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