Meu Jogo Histórico #6 – Não tem mais volta

O narrador Everaldo Marques da ESPN costuma dizer em várias das transmissões para darmos uma chance para o esporte, conhecermos a regra que fatalmente iríamos nos viciarmos pela NFL. Lá pelo ano de 2007/2008 eu conhecia as regras gerais do esporte, mas ainda não tinha aquela paixão que tinha por outros esportes. Comecei a ver alguns jogos do Colts e me encantei com o QB Peyton Manning e suas jogadas cerebrais. Mas ainda não tinha me viciado. Na temporada 2008/2009 acompanhei um pouco mais, ainda meio que distante, já com uma torcida pelo Indianápolis Colts. E veio o SuperBowl XLIII, entre Pittsburgh Steelers e Arizona Cardinals. O jogo que mudaria minha atenção pelo esporte, tornando-se minha obsessão número 1 no quesito torcedor. Hoje, fico muito mais nervoso em dia de jogos do Colts que do São Paulo.
Voltando para o dia 1 de fevereiro 2009. Na época, estava com pouco mais de dois anos de namoro com a mulher que hoje é minha esposa. Passava os domingos na casa dela e voltava para casa por volta das 10 da noite. Cheguei em casa, fui para o quarto arrumar minhas coisas e liguei a TV com o
James Harrison intercepta e retorna para 99 jardas para TD,
no último lance do primeiro tempo
jogo já iniciado, começando o segundo quarto. Naquela altura, o placar colocava o Steelers na frente, por 3 x 0. Deitei em minha cama a partida foi cada vez mais me chamando a atenção.  Após um TD de Garry Russel, em corrida de 1 jarda, para o Steelers e um TD dos Cardinals, o placar anotava 10 a 7 para a equipe de Pittsburgh e Kurt Warner começa a última campanha do primeiro tempo. Com bons passes, colocou o Cardinals na última jogada a poucas jardas da endzone e do empate. Porém, a primeira jogada espetacular aconteceu. O LB James Harrison interceptou Warner na linha de uma jarda e retornou por 99 jardas até a endzone do outro lado do campo. Na hora soltei uma P#Q#P. O retorno gerou dúvida dos árbitros se Harrison tinha colocado o pé fora de campo em algum momento do retorno, o que anularia o TD e encerraria o primeiro tempo, mas a tecnologia mostrou que a jogada foi legal. Fim de 1º tempo, 17 a 7 para o Steelers, e atenção garantida para o resto do jogo.
Já ouvia sobre o show do intervalo do SuperBowl, mas de fato nunca tinha acompanhado. Nesse ano, Bruce Springsteen se apresentou. Confesso que não era lá muito fã (e ainda não o sou) de sua música, mas o show dele me empolgou um pouco mais. Não sei se foi por ser o primeiro SB que acompanhei com grande atenção, mas ainda considero que foi o melhor que vi nesses anos. Dose perfeita para manter a atenção em tudo o que ocorria e criar mais expectativas ainda para o segundo tempo.
TD de 64 jardas de FitzGerald
No terceiro quarto, apenas uma pontuação, em chute de 21 jardas de Jeff Reed, colocava o Steelers com 20 x 7 no placar e eu, na minha ingenuidade e desconhecimento ainda das emoções desse esporte achava que seria impossível uma virada dos Cardinals. Kurt Warner certamente falaria para mim naquele quarto “Cala a boca muleque, isso aqui é Football”. Com sete minutos e meio para o fim do quarto período, Warner encontrou Larry Fitzgerald na endzone em passe de 1 jarda para reduzir a diferença para 6 pontos. A defesa e os especialistas dos Cardinals apareceram, dando péssima posição de campo para o Steelers já perto do 2 Minute Warning. A falta de Holding (acho que a regra que mais demorei em entender) cometida por Justin Hartwig dentro da endzone gerou um safety, ou seja, dois pontos para o Cardinals e posse de bola que viria em posição favorável para buscar a virada. E ela veio de forma fantástica. Conexão de 64 jardas de Warner para Fitzgerald novamente e TD que me levantou da cama para admirar. Fim de jogo espetacular penso eu. Dessa vez, foi Big Ben Roethlisberger me mandou calar a boca e me mostrou que dois minutos e meio na NFL é uma eternidade de jogo ainda. A campanha de 78 jardas terminou em um passe no fundo da endzone, perfeito, para uma recepção fantástica de Santonio Holmes, a 37 segundos do fim da partida. Jogada que está eternizada nos Top 10 da história do SuperBowl. Nessa hora, não me agüentava mais de admiração pelo jogo, pegava meu notebook e procurava comunidades do Orkut (lembra?) sobre NFL para ver os comentários. Não conhecia na época ainda ninguém que gostava do esporte, não sabia se algum dos meus amigos tinha visto o jogo para comentar que jogo foi esse. Ainda vi Kurt Warner no batendo o capacete no banco de raiva da virada sofrida.
TD de Santonio Holmes,
definindo o placar
Até esse jogo, eu tinha assistido alguns pedaços de jogos da temporada, me interava pouco sobre o que ocorria e meu contato maior com o esporte tinha sido em filmes como Um Domingo Qualquer, Duelo de Titãs e Virando o Jogo. Como todo filme, achava absurdos aqueles finais, com equipes tendo viradas improváveis. Vi que os finais de filme são absurdos mesmo, porque a realidade é muito mais emocionante que os filmes apresentam. Os finais de jogos apertados, como foi esse SuperBowl, são muito melhores que qualquer roteirista já tenha inventado.
SuperBowl XLIII foi do Steelers
A partir desse jogo, não teve mais volta. A NFL entrou na minha vida para ficar. Fiz muitos amigos conversando sobre a liga, aprendi muito sobre muita coisa acompanhando as temporadas do início ao fim. Continuo sendo torcedor do Colts, mas vejo que, pelo menos aqui no Brasil, quem gosta da NFL gosta da liga em si, não apenas do time que torce, e isso nos permite nos empolgar e admirar jogadores geniais de qualquer equipe, se empolgar com grandes jogos mesmo que sua equipe não esteja envolvida. Os domingos e segundas à noite nunca foram tão felizes em épocas de temporada e tristes na off-season. E considero esse, por tudo o que envolveu e representou para mim, o melhor jogo da NFL que já assisti na minha vida.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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