As inteligências múltiplas nos esportes

Inteligência. Segundo o dicionário, “capacidade de resolver situações novas com rapidez e êxito (medido na execução de tarefas que envolvam apreensão de relações abstratas) e, bem assim, de aprender, para que essas situações possam ser bem resolvidas” . Mas se engana aquele que pensa que só há um tipo de inteligência, ou que inteligência seja apenas algo singular.

Um psicólogo norte-americano, Howard Gardner, professor em Havard e adjunto na Universidade de Boston, fez um estudo e por meio de testes descobriu que o ser humano possui não só um tipo de inteligência, mas sim vários. Segundo ele, há 7 diferentes tipos de inteligência (na verdade outras duas foram descobertas). Essas inteligências são denominadas de inteligências múltiplas, que podem ser utilizadas em várias áreas, como música, dança, poesia, nas profissões e também podemos relacioná-las aos esportes. As inteligências em questão podem ser inatas (ou seja, o indivíduo já nasce com ela) ou pode ser desenvolvida, mas, segundo a teoria, só se o sujeito já tiver uma pré-disposição para desenvolvê-la

Essas inteligências são:

Iniciaremos pela inteligência linguística. O que seriam dos esportes sem matérias, reportagens e afins para eternizá-los? Hoje em dia a demanda de jornalistas é imensa, mas sempre há aqueles que se destacam. Talvez esses já tenham essa inteligência linguística inata e ainda mais desenvolvida por conta da profissão.

A inteligência lógica/matemática pode ser usada em poucos esportes, naqueles em que é mais necessário algum tipo raciocínio. O xadrez, se o consideramos um esporte, é um bom exemplo disso, e quem o pratica tem ou precisa desenvolver essa inteligência.

A inteligência visual/espacial talvez seja a mais requerida pelos esportistas. Essa inteligência serve não só para jogadores de futebol, futebol americano, jogadores de basquete e etc, mas também para arquitetos, por exemplo. Daremos como exemplo um quaterback, é necessário que ele tenha em mente um plano em 3D do campo e da jogada que ele executará. Por isso, essa inteligência seria tão utilizada por ele. Jogadores de futebol também utilizariam-se dessa inteligência para fazer jogadas, dribles, passes, assim como um jogador de basquete também precisa para fazer um arremesso e técnicos para saber como posicionar seu time em campo ou em quadra.

Na inteligência corporal/sinestésica cabe dizer que um drible, um passe (seja no futebol, futebol americano, basquete ou outro esporte), bem como uma tacada no beisebol, no golfe, uma manobra de skate ou na prancha de surfe estão contidas nesse tipo de inteligência. É tudo aquilo que pode ser resolvido ou feito com o corpo. Aqui também entra a dança, a ginástica artística e rítmica, patinação, artes marciais (e não marciais) e etc.

Quantos aos esportes, podemos dizer que a inteligência interpessoal entra na parte da convivência com outros esportistas, e de uma forma destacada em esportes coletivos. Essa inteligência é muito importante no que concerne do convívio com o outro, e por isso é interessante identificarmos nos esportes algum esportista ou técnico que possua essa inteligência desenvolvida, visto que ele poderá ter algum tipo de liderança mais salientada ou até ser “bom de grupo” (como se diz no futebol).

Apesar de ser a mais rara dentre essas inteligências, a inteligência intrapessoal serviria muito para os esportes. Visto que nela a pessoa se auto conhece, tem controle sobre si e sobre suas emoções, poucos atletas teriam algum tipo de problema em questão de confiança, com problemas externos (como torcida, diretoria), com pressão e etc se possuíssem essa inteligência. Como é rara, vale lembrar a importância de um psicólogo vinculado à equipe, o que é muito difícil de ser encontrado no esporte, principalmente no Brasil.

A inteligência existencial pode ser cabível mais nas artes marciais e não marciais. No Karatê, Kung Fu, Taekwondo e outros. Especialmente no Kung Fu, em que seus representantes praticam mais o ato de meditação e controle dos chakras.

Quanto à inteligência naturalista (que não está na imagem, mas existe), essa seria considerável nos desportos que têm algum elo com a natureza, em razão de que essa inteligência implica num convívio melhor com a natureza como um todo.

Cada ser possui pelo menos uma dessas inteligências, de modo geral (incomuns são os que não possuem nenhuma, ou mais de duas). Talvez, a partir desse texto e do que foi apresentado nele, você comece a observar mais os craques de todos os esportes, como, por exemplo, Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo, Gabriel Medina, Kelly Slater, Tom Brady e etc, e consiga supor quais inteligências inatas (ou não) eles possuem.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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