SOBERANO’S #46 – Ano difícil e futuro nebuloso

Como tem sido difícil escrever sobre o São Paulo esse ano. De janeiro à novembro, foi uma temporada cheia de momentos vexatórios, falta de futebol dentro de campo e sobra de escândalos fora de campo. Quando minha esposa me perguntou após a goleada vergonhosa que a equipe foi submetida hoje se ia postar algo, pensei muito em não escrever nada. A vontade é mandar todo mundo tomar suco de caju, mandar para ponte que partiu, xingar os presidentes atual e anteriores, os diretores, comissão técnica e jogadores. Mas, em respeito a todos que leram desde a primeira edição do nosso Cantinho do Torcedor aqui no HTE Sports, vou tentar manter a calma e não usar o palavriado que todos no Morumbi merecem.

O jogo de hoje nada mais foi que a síntese do ano. Uma zona completa. Cansei de enumerar os erros cometidos aqui. Nos posts anteriores você encontrará todos eles. A esperança é de que o ano acabe logo. Essa disputa pela Libertadores e a soberba que alguns membros do conselho e da diretoria têm ao falar o que, por exemplo, Marco Aurélio Cunha soltou em seu Twitter após a vitória da última quinta-feira só faz com que seja mais difícil passar esse fim de ano e esperar que 2016 possa existir a tão necessária reformulação, não só de elenco, mas de metodologia de trabalho.

Falar que em época de crise disputamos a vaga pela Libertadores e não o rebaixamento, em clara alfinetada nos rivais, não contribui em nada para alterar a manchada imagem criada principalmente nos últimos 5 anos, onde 3 foram simplesmente horrendos (2011, 2013 e agora 2015). O São Paulo precisa parar de olhar para fora e procurar desculpas. A coisa no Morumbi está muito feia em todos os setores e dará muito trabalho a reconstrução.

Sobre o elenco, não tem muito o que se falar. Medalhões como Pato, Ganso, Luís Fabiano e Michel Bastos não conseguiram ser a diferença positiva. No restante, faltou qualidade técnica para praticamente todos. Lucão, Bruno, Carlinhos, Hudson, Wesley, Reinaldo estão entre os piores jogadores que vestiram a camisa tricolor, sem falar em outros que estiveram durante o ano e já saíram. Dos que estão aí, com muito esforço, dá para salvar Rodrigo Caio, Thiago Mendes e olhe lá. Falta qualidade técnica, empenho, trabalho tático e tudo mais nesse elenco. Estar disputando a vaga na Libertadores e ter chegado na Copa do Brasil é um aborto da natureza, não mérito dessa cambada que está aí.

O ano de 2015 está sendo muito longo. Falta pouco para encerrar. E não consigo ver esperanças para o ano que vem. Não vejo em Leco, Ataíde, Gustavo Oliveira, Milton Cruz e os demais que estão lá capacidade de fazerem um trabalho de recuperação de imagem, credibilidade e futebol. Sinceramente, vejo 2016 com muito pessimismo. Dentro de campo, perderemos a única referência de um São Paulo vencedor, com a aposentadoria de Rogério Ceni. Por mais que tenha tido algumas falhas ao longo do ano, era um dos poucos, senão o único, que sabia o que representava estar ali. Que ainda tinha vontade de vencer algo em campo. Fora de campo, a zona parece que não vai cessar. É hora de hibernar e torcer para que uma boa mente apareça nessa imundice que está presente no Morumbi. Estamos vivendo tempos muito difíceis. E parece que estão longe de acabar.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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