SOBERANO’S #47 – Adeus, Luis Fabiano

Em entrevista coletiva hoje, Luís Fabiano anunciou que amanhã, contra o Figueirense, fará sua última partida com a camisa do São Paulo no Morumbi. Seu contrato encerra-se no final do ano e não será renovado pela diretoria. Seu destino parece ser a China. Em três passagens, foram 209 gols, lhe garante o terceiro lugar na lista dos maiores artilheiros da história tricolor. Além de gols, o atacante colecionou lesões, expulsões e polêmicas, dividindo o gosto da torcida.

Talvez não tenha torcida que mais grite raça nas arquibancadas que a torcida do São Paulo, principalmente do final dos anos 90 para cá. Com times que muitas vezes chegava e não levava os campeonatos (exceto no período de 2005 à 2008), muitas vezes os jogadores eram tachados de pipoqueiros, e Luís Fabiano não escapou dessa. Além, de muitas vezes, confundir a raça com burrice.

Na Copa Sul-Americana de 2003, no confronto semifinal contra o River Plate, a vaga na decisão iria ser definida nos pênaltis. Mas, antes da decisão começar, Luís Fabiano se envolveu numa briga generalizada e foi expulso, não participando das cobranças que eliminaram o São Paulo, em pleno Morumbi. Na saída, questionado sobre a atitude, disse que preferia brigar que cobrar pênalti. Na mesma competição, em 2012, quase estragou tudo na final contra o Tigre, sendo expulso imbecilmente no jogo em La Bombonera, com a desculpa foi que estava protegendo o garoto Lucas. Sorte que Lucas mostrou que é muito mais inteligente, e acabou, literalmente, com o jogo na volta, com grandes jogadas e provocando na medida certa os argentinos, a ponto de nem voltarem para o segundo tempo.

Além das expulsões ou cartões amarelos infantilmente levados, principalmente nessa terceira e última passagem com a camisa 9 tricolor, Luís Fabiano colecionou polêmicas fora de campo, com declarações fora de hora e que mostravam um jogador mais preocupado com si do que com a situação da equipe. A ponto de falar antes de um jogo, após uma negociação que não deu certo que “infelizmente teria de ficar no clube”.

Por outro lado, em diversos momentos mostrou seu afeto pelo São Paulo. Foi assim quando, num jogo contra o Uruguai nas Eliminatórias da Copa de 2010, comemorou o gol sobre o símbolo do São Paulo. E também, segundo o próprio dirigente do Corinthians Andres Sanches, recusou a proposta do rival, dita maior financeiramente, para retornar ao Morumbi.

A torcida também mostrou muitas vezes seu carinho. Lembro da estreia tricolor na Copa Libertadores de 2004, contra o Cobreloa, onde estava na arquibancada e sentia o Morumbi tremer com o estádio inteiro gritando seu nome. E também a recepção sem precedentes na sua volta em 2011.

Luís Fabiano ficará marcado na história do São Paulo como um jogador que dividiu opiniões da torcida. Seus gols darão corda para todos que querem o exaltar. Suas polêmicas e a falta de títulos importantes serão argumentos dos que não gostam dele. Particularmente, não o considero como o melhor centroavante que vi com a camisa tricolor. Minhas primeiras recordações futebolísticas são de 1990 para cá e em minha opinião, França jogou muito mais no período que esteve no São Paulo. Foi mais completo tecnicamente e tinha uma cabeça muito melhor para lidar com situações difíceis.

O que não podemos, é negar a importância de Luís Fabiano na história recente do São Paulo. Afinal, a marca de gols atingida por ele é para poucos e, não foram todos inúteis como injustamente parte da torcida classifica. Gols como aquele contra a LDU, na última rodada da fase de grupos contra em 2004, ou como os vários marcados contra o Corinthians, sua maior vítima, não podem ser classificados como inúteis. A falta de títulos importantes com a camisa tricolor não pode ser colocada 100% nas suas costas. E digo com tranquilidade isso, pois quem me conhece no dia a dia sabe que não morro de amores por ele. Não o considero um ídolo, mas sim um bom jogador, também não um craque, que passou pelo clube. Se tivesse um pouco de cabeça, poderia ter sido muito mais do que foi.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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