HOSPÍCIO #39 – Sócrates vive

Sócrates, um eterno ídolo da torcida corinthiana e, por que não, do Brasil. Um jogador que jogava de terno, encantava com seus passes de calcanhar. Era mais um garçom do que um matador, mas fazia ambas funções com mestria. Difícil de definir Sócrates, difícil de definir o que significou e significa para a instituição Sport Club Corinthians Paulista.

Um garoto que começou no Botafogo de Ribeirão Preto, que faltava a treinos e chegava atrasado nos jogos. Talvez, essa fosse a história perfeita de um jogador que nunca desse certo para o futebol, que nunca fosse aparecer aos olhos do Mundo. Tinha um irmão artilheiro, que fazia muitos gols, e, muitas vezes, os maldosos comparavam os dois. Poderia ser a história daquele garoto, como tantos outros, que não deram certo para o futebol. Poderia, se o nome desse garoto não fosse Sócrates Brasileiro de Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.

Sócrates era, assim como seu homônimo, muito inteligente. Se formou médico pela Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, e por conta disso muitas vezes não treinava e chegava aos jogos atrasado no clube onde começou, o Botafogo de Ribeirão Preto. Muitas vezes não dormia, passava as noites estudando, fazia prova e no mesmo dia ainda arrumava tempo e forças para jogar futebol, mas nunca simplesmente “jogou futebol”, ele era diferente.

Toda essa diferença chamou atenção do gigante, de um clube que Sócrates não tinha tanto apreço na infância, já que torcia para o Santos. Em 1978, Sócrates vem para o Corinthians para revolucionar o futebol e a política. Sócrates foi um dos idealizadores da Democracia Corinthiana nos anos 80, assim como participou de forma concisa das Diretas Já. Foi no Corinthians que ele conseguiu sua primeira convocação, participou de forma brilhante da Copa do Mundo de 1982 e da Copa América do ano seguinte.

Um jogador, médico, músico, político, ator e corinthiano que fez tudo com uma decência esplêndida. No futebol foi escolhido pela revista World Soccer como um dos 100 melhores jogadores da história, e pela FIFA, em 2004, um dos 125 melhores jogadores vivos da história. Na política lutou pelas diretas já e ajudou na democratização do futebol. Na música cantou seu amor pelo Corinthians. Como ator, participou da novela Feijão Maravilha de 1979 e muitos anos depois contou como foi a Democracia Corinthiana. Como médico, criou um centro de ajuda a diversos atletas e não-atletas. E, finalmente, como corinthiano conquistou diversos títulos, se imortalizou no Parque São Jorge com um busto, escreveu seu nome nas páginas de ouro do clube e representou muito bem o Time do Povo depois de aposentado.

Sócrates fez um pedido a Deus em 1983. Pediu que Ele o levasse para sua morada num domingo e que nesse dia o Corinthians se tornasse campeão. Talvez por ver toda a trajetória de um batalhador como foi Sócrates, Deus tenha se sensibilizado, e num Domingo, 04/12/2011, deu o descanso a quem tanto lutou na Terra.

Sócrates infelizmente se foi. Mas não morreu. Para o Corinthians e os corinthianos ele é eterno. Importante é aquele que nos importa, e algo importado é algo que está dentro de nós. Sócrates ainda está dentro dos nossos pensamentos, dentro dos corações de muitos e enquanto aí permanecer, estará vivo. Portanto, Sócrates Brasileiro é eterno.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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