SOBERANO’S #48 – Saímos no lucro

O sentimento da torcida são-paulina é quase que unânime: 2015 foi o pior ano da história do clube. Crise política e financeira sem fim, falta de credibilidade da instituição no mercado e um dos times mais sem vontade da gloriosa história tricolor foram a marca do ano. E, mesmo assim, saímos no lucro. Com uma vitória no Serra Dourada ontem garantimos a participação na Copa Libertadores do ano que vem, na fase preliminar.

Durante o ano o jornalista da ESPN Brasil e são-paulino Arnaldo Ribeiro deu uma opinião forte sobre tricolor: Que qualquer coisa acima do rebaixamento seria lucro para o clube. Vendo como foi o desenrolar do ano, não discordo do comentarista, pelo contrário. O São Paulo certamente não fez por merecer essa vaga. Vejamos os três últimos jogos, como exemplo: Goleada histórica sofrida para os reservas dos rivais, vitória na bacia das almas contra o quase rebaixado Figueirense no Morumbi e um jogo para lá de apático contra o praticamente rebaixado Goiás (e confirmado após o jogo), em que o time correu um risco desnecessário e salvou-se com o golaço do atacante Rogério.

A empáfia do elenco, que entrava em campo com menos vontade que aquela criança que não gosta de futebol joga para completar time em churrascos de família, é vexatória. Além da falta de qualidade latente de alguns jogadores, como Lucão, Edson Silva, Reinaldo, Wesley, Hudson dentre outros, os jogadores ditos “de nome” pouco apareceram nas principais partidas durante o ano, para chamar a responsabilidade, casos de Ganso, Michel Bastos, Pato e Luis Fabiano.

Isso é fruto da bagunça generalizada que foi a gestão do futebol. Ataíde foi, no mínimo, infeliz na questão de gerenciamento do grupo, não sabendo lidar com situações comuns na gestão de um elenco, no controle de vazamento de informações, nas negociações quase sempre nebulosas, principalmente quando o ex-presidente Carlos Miguel Aidar estava envolvido, nas escolhas de treinador e no respaldo para os mesmos. Ainda não consigo entender a confiança excessiva que qualquer gestor que passa pelo clube tem em Milton Cruz, a ponto de colocá-lo sempre como uma peça chave nas comissões técnicas. Milton vive do mito criado sobre si de contratações de jogadores até então pouco conhecidos que vieram a ter sucesso no clube. Mas, para cada Miranda que ele “supostamente” trouxe, vieram também uns 10 Reinados e Paulo Mirandas da vida. A taxa de erro das contratações nos últimos 5 anos foi altíssima.

Mas, a classificação para a Liberadores, mesmo não merecida, precisa ser celebrada, mas sem o arrogante termo que “outros times em crise caem, o nosso disputa classificação para a principal competição do continente”. Esse papo só irá servir para encobrir os diversos erros ocorridos durante o ano. O São Paulo precisa de uma reformulação geral, de elenco e gestão do futebol, não só de pessoas, mas de mentalidade. Precisa voltar a dar valor a cada conquista, cada jogo, ser cirúrgico nas contratações, ter sigilo nas informações de mercado, a ser criativo para buscar fontes de renda em época de estagnação econômica do país.

Nesse fim de ano, principalmente, precisa pensar muito antes de contratar o treinador de 2016 e jogadores. Gustavo, Ataíde (se não sair como prometeu no início do ano, uma vez que a meta estipulada por ele não foi atingida) e Leco, antes de pensar em nomes, precisam pensar no que querem para o futebol de 2016. Apesar da falta de dinheiro, a saída de três jogadores de alto salário (Rogério Ceni pela aposentadoria e Pato e Luis Fabiano por fim de contrato) ajudará a enxugar bem a folha salarial. Nos últimos 5 anos, três foram vergonhosos (2011, 2013 e 2015, sendo o último o pior deles). Muito para um time que sempre conseguiu manter uma regularidade na briga por conquistas. Saímos no lucro de 2015. Não podemos contar com a sorte novamente em 2016.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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