SOBERANO’S #49 – Obrigado M1to

Hoje, 11 de dezembro de 2015, a torcida se despedirá daquele que talvez tenha sido o maior jogador da história do clube. O goleiro, capitão, artilheiro, líder e grande representante da torcida tricolor Rogério Ceni terá hoje sua mais do que justa homenagem, com um jogo de despedida repleto de vários jogadores que marcaram época no tricolor, além de receber placas e outras honrarias.

Rogério Ceni é um marco na história do São Paulo e do futebol brasileiro e mundial. Além de transcender o papel de um atleta dentro do clube, mudou a forma de encararem a função de um goleiro. Futuramente, alguns analistas irão colocar o posicionamento do goleiro na numerologia tática, para quando, assim como o São Paulo com Ceni, outras equipes aparecerem com o arqueiro sendo líbero, adiantando os zagueiros e volantes. O estudo da evolução dos goleiros terá um capítulo a parte na história do futebol. Assim como Rogério registrou seu capítulo na história do São Paulo.

O começo

Em 1990, com 17 anos, vindo do Mato Grosso do Sul, Rogério Ceni chegou para fazer testes para entrar nos times de base do São Paulo. De lá ficou para não sair mais. Aos poucos, com muito trabalho, talento e contando com acontecimentos que muitos dirão que foi o destino, foi alcançando seu lugar. Acontecimentos como a morte por acidente de carro do goleiro Alexandre, reserva imediato de Zetti em 92 e considerado por muitos como um grande goleiro a época. Como a questão profissional que levou o goleiro Gilberto, contratado junto ao Sport Recife na seqüência, ser tirado da delegação que estava realizando amistosos na Espanha. Afastamento que deu a Rogério Ceni a chance de estrear profissionalmente, com direito a defesa de pênalti.

Nesse período, Ceni aprendeu a ser paciente e observou outro monstro nas traves que era Zetti. Com a mudança de regra para bolas recuadas ao goleiro, ele e Zetti treinavam exaustivamente a saída com os pés, incomuns até então para os goleiros, e as reposições certeiras de bola para contra-ataques. Em 1994, teve a primeira chance de ser o goleiro titular do São Paulo em uma competição sul-americana, a Copa Conmebol, com o chamado Expressinho Tricolor. Competição que teve direito a eliminação do Corinthians na decisão de pênaltis e o histórico 6 x 1 no Peñarol no primeiro jogo da decisão. No banco, o técnico que talvez tenha tomado a decisão mais importante para a mitologia de Ceni: Muricy Ramalho.

Em 1997, Zetti deixaria o São Paulo e Ceni assumiria de vez a condição de titular do gol. De lá para cá, não importa quem fosse o técnico e as contratações, o time base sempre começava com Rogério na camisa 1. E no primeiro jogo do ano, na preleção, Muricy determinou que faltas próximas a área, era Rogério quem bateria. Na terceira tentativa, contra o União São João de Araras, o gol saiu. Ceni não era mais apenas um goleiro, mas uma esperança de gols para o São Paulo. Começa ali o nascimento da frase que a torcida carrega que “Todos tem goleiro, mas só nós temos Rogério Ceni”.

Polêmicas e dificuldades para afirmação

Mesmo com o “fator diferente” que eram as cobranças de falta, a idolatria demorou a chegar. Duas conquistas estaduais, em 1998 e 2000, sendo a última com direito a gol na final contra o Santos (o mais bonito de sua carreira, segundo o próprio) não foram suficientes para cair nas graças da exigente torcida são paulina, que desde 1992 não aceita menos que Libertadores para considerar um jogador como ídolo.

Ainda por cima, duas polêmicas tiveram grande impacto nesse período. Uma suposta proposta do Arsenal geraram um entrave grande entre o goleiro e o presidente da época, Paulo Amaral. Ceni chegou a ser suspenso por 29 dias e têm até hoje ressentimentos de como o fato foi administrado. Também, entre 2002 e 2004 seria considerado por parte da torcida como símbolo de uma equipe que sempre chegava perto, mas não levava as principais conquistas. Mesmo com uma atuação heróica diante do Rosário Central nas oitavas de final da Libertadores 2004, saiu como vilão na derrota nas semi-finais contra o Once Caldas na mesma competição. Chorou e deixou seu contrato a disposição da diretoria, dizendo que se fosse melhor para o clube, iria embora sem qualquer problema. Mas a redenção e a idolatria estavam mais próximas do que ele imaginava.

A Mitologia é eternizada

Em 2005, o São Paulo montou um time mais forte defensivamente e equilibrado no ataque. Ceni era o maior nome da companhia que conquistava logo o Campeonato Paulista e seguia firme na Libertadores. Veio a troca de técnico (Leão saiu para Paulo Autuori assumir na fase de mata-mata) e o tricolor foi perfeito. Nas quartas de final, quase presenciamos o primeiro hat-trick de um goleiro. Contra o Tigres do México, no Morumbi, Ceni guardou duas cobranças de falta, mas perdeu um penal. O título veio contra o Atlético-PR e com ele a redenção e a entrada definitiva de Rogério Ceni na categoria de ídolo. Como ele mesmo disse na comemoração, agora ninguém mais o tiraria da história do São Paulo.

Mas a mitologia ainda tinha espaço para se afirmar. E seria em dezembro do mesmo ano, no Mundial de Clubes. Na semifinal, uma partida apertada contra o Al-Itihaad e o gol de pênalti. Até hoje, Ceni é o único goleiro a marcar um gol em um mundial de clubes. Na final, a atuação que foi, pela importância do jogo e pelo desempenho, a maior de sua vida. Foram pelo menos 3 milagres e a falta que virou pôster, cobrada com perfeição por Gerrard e defendida com uma perfeição ainda maior por Rogério. Estava lá implantado e homologado o Mito Rogério Ceni.

Rogério ainda foi protagonista do tricampeonato consecutivo, único na história do Brasileiro, conquistado pelo São Paulo entre 2006 e 2008, recebendo inclusive a Bola de Ouro da revista Placar no último, como melhor jogador da competição. Também foi essencial na última conquista tricolor, o título da Copa Sulamericana 2012. Virou mais que um simples goleiro. Foi auxiliar técnico, olheiro, consultor. Foi mais que um ídolo, virou realmente um M1to para história são-paulina.

Jamais algum outro jogador irá igualar alguns números dele. Mais de mil jogos, 131 gols que lhe colocam na 10ª dos maiores goleadores da história do clube, 25 anos dedicados exclusivamente a um único clube. Rogério defende o São Paulo contra tudo e contra todos. Se posiciona em relação a política do clube. Dificilmente veremos ainda nessa geração um jogador que tenha para seu clube, aqui no Brasil, a importância que Rogério Ceni teve. É o fim de uma era. Por isso, só me resta dizer uma coisa:

OBRIGADO M1TO! A NAÇÃO SÃO PAULINA JAMAIS ESQUECERÁ TUDO O QUE VOCÊ FEZ POR NOSSO CLUBE!

E, para finalizar:

PUTA QUE O PARIU, É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL! ROGÉRIO!

M1TO

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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