A guerra das Torcidas Organizadas e a relação com os clubes

Não é de hoje que infelizmente acompanhamos cenas cada vez mais chocantes e deprimentes nas arquibancadas do futebol brasileiro, mas, apesar do problema e das discussões acerca do assunto serem antigas, a solução parece estar bem longe da realidade.

Desta vez a situação aconteceu em Mogi das Cruzes, no último domingo (17), quando São Paulo e Rondonópolis se enfrentaram pela 4ª fase da Copa SP. O jogo estava no intervalo e o clube da capital paulista vencia por 2 a 0, foi quando membros da Torcida Independente entraram em conflito com a Polícia Municipal – que estava dentro do estádio -, e a Militar – que estava do lado de fora. A confusão começou do lado de fora do Nogueirão, em Mogi. Muitas pessoas não conseguiram entrar no estádio porque o local atingiu sua lotação máxima rapidamente, com isso eles subiram nas estruturas do lado de fora com a esperança de ver o segundo tempo nessas condições, a Polícia Militar, como é de costume quando há aglomerado, chegou disparando bombas de efeito moral e tiros de bala de borracha. A partir disso a pancadaria se estendeu para dentro do estádio com a principal torcida organizada do São Paulo.

Segundo o secretário de Esportes e Lazer da cidade de Mogi das Cruzes, Nilo Guimarães, e o secretário de Segurança, Eli Nepomuceno, a estimativa dos prejuízos causados pela briga é de R$ 40 mil a R$ 50 mil. Também há o registro de 15 pessoas que foram feridas, entre elas um olheiro do Chelsea, de 81 anos, o holandês Piet de Visser. Apesar de tudo isso, ninguém foi preso e não houve nenhuma punição.

A solução para esse caos me parece muito óbvia, uma vez que sabemos que as Torcidas Organizadas são apoiadas e financiadas por seus clubes. Punição aos clubes, seja em dinheiro, perda de mandos de campos, exclusão de campeonatos, perda de pontos ou afastamento de torcida por um tempo dos estádios.

Não é acabar com as Organizadas – que em determinados casos protagonizam momentos espetaculares nas arquibancadas também -, e nem ser “torcedor coxinha”, mas agir contra esses fatos tristes que envergonham o nosso futebol, pois só assim com os clubes responsabilizados essas Torcidas podem realmente serem Organizadas de fato.

Claro que o assunto sempre irá gerar discussões e opiniões contrárias, mas a certeza de que a medida seria eficaz é que os clubes não financiariam mais Organizadas que trouxessem prejuízo e/ou cobrariam mais civilidade dos mesmos. E é impossível falar do tema sem lembrar da tragédia provocada pelos Hooligans, na Bélgica, quando puniram toda a Inglaterra e seus clubes. Todos pagaram e não aconteceu mais. A cada nova cena de barbárie vista por aqui é a oportunidade de mudarmos o que está errado, porém lamentavelmente nada é feito.

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