Campeões de Inverno – Alemanha

Texto: Matheus Santos

Sendo considerada uma das ligas mais legais e qualificadas do mundo, a Bundesliga 2015/2016 parece ter apenas uma certeza em relação ao restante da temporada: O Bayern de Munique irá repetir o título da temporada de inverno e vai sagrar-se campeão da maior competição nacional do pais.

Deixando claro que o intuito do texto não é falar sobre os campeões de inverno de anos anteriores, ou dados estatísticos dos mesmos –o que seria a mimises de textos anteriores da série–, a publicação abaixo tem a proposta de analisar o melhor Bayern da era Pep Guardiola e fazer um dialogo na linha tênue entre a equipe da capital Munique e as equipes que podem vir a ameaça-las no restante da temporada. Partindo dessa premissa, então, vamos lá.


Veja: Campeões de inverno – Itália


Soberano na Alemanha cada vez mais desde o início do século XXI, o Bayern de Munique vem repetindo a receita de outros anos e com performances ainda melhores do que em temporadas anteriores acabou a primeira metade da temporada com apenas uma derrota em 17 partidas no campeonato alemão e aproveitamento próximo a 92%, com 46 gols marcados e apenas 08 sofridos, fato que acabou levando os bávaros a serem não só os campeões de inverno de seu pais com 36 pontos, mas também a equipe com melhor aproveitamento em toda a Europa.

Se os números sozinhos já assustam, quando pensamos no futebol atuado pela equipe temos demasiados sentimentos de estamos vendo um time atuar muito próximo do máximo que ele pode render, com cada membro da comissão técnica e dos jogadores, assim como numa partida de xadrez de alto nível, executando suas funções com maestria e no limite do que podem proporcionar para seu jockey.

O Bayern da temporada 2014/15 pecou muito em conseguir chegar com o elenco com opções para as diversas posições da equipe –devido a lesões e a problemas na formação do esquadrão– e também por poucas variações táticas para jogos em que não poderia jogar da forma como costuma atuar, onde devido sua filosofia de jogo dava para seus adversários muitos espaços para contra-ataques, o da temporada 2015/16 faz diferente e esbanja um maior número de jogadores para todas as funções, afinal, qual clube não gostaria de contar com Robben, Ribery, Douglas Costa e até mesmo o jovem Coman para disputarem duas vagas no time titular? É fato que o brasileiro também pode atuar de forma centralizada e que Ribery após muito tempo lesionado é uma incógnita, mas não se pode negar que as opções existem em todos os setores, seja na abertura de meio campo com Xabi Alonso, Martinez (que também faz a zaga com Pep), Vidal e até mesmo o multifuncional Lahm, ou do meio pra frente que conta com os jogadores citados acima, mais os renomados Tiago, Müller, Lewandowski e o questionado Mario Götze.

O brasileiro Douglas Costa, inclusive, é avalista da evolução que a equipe tem até aqui, se quando contratado era considerado uma aposta de alto risco devido ao valor pago por si e por ter saído de um futebol de nível mais baixo, hoje, o jogador é unanimidade entre os torcedores bávaros e trouxe uma mistura de improviso, genialidade e versatilidade para a equipe, tendo participado diretamente em muitos gols na temporada até aqui e tendo conquistado o “titulo” de melhor jogador do primeiro turno da competição nacional.

Borussia-Dortmund-v-Bayern-Munich
Guardiola exige muito, e seus jogadores entregam mais ainda

Assim como o elenco que contribui, Guardiola e sua filosofia de trabalho se mostram fundamentais para os resultados encontrados pelo time nesta primeira metade de temporada, o treinador que já montou um time sem zagueiros na partida contra o Leverkusen, faz variações e exerce um futebol que exige o máximo possível fisicamente de seus atletas –o que gerou e ainda gera lesões– e que conseguiu, com o passar das temporadas, a partir de suas variações que já foram muito criticadas, ora com razão, ora não, chegar no melhor futebol apresentado por seu time durante seu período como treinador da equipe –que já é sabido que se encerrará ao final da temporada– seja no esquema 3-3-3-1, no 4-2-3-1 ou no 4-4-1.

Se a grande maioria dos treinadores tiram de suas equipes os jogadores que “defendem mal”, Pep faz diferente e utiliza-os para pressionar e massacrar os adversários, fazendo com que a bola esteja sempre em seus pés e que quando o adversário está coma bolas nos pés ocorra uma marcação pressão e ela seja recuperada imediatamente. A evolução coletiva e também individual da equipe é visível, afinal, é inegável que o alemão Gerome Boateng tenha virado um dos melhores zagueiros do mundo, enquanto Alaba, com apenas 23 anos, não é só versátil, mas também um grande jogador que consegue manter o mais alto nível independente da posição que é escalado. Lewandowski tornou-se o melhor centro-avante do mundo (junto de Luisito), enquanto Douglas Costa trouxe para o time todo o improviso que faltava, como já foi dito acima.

Obviamente nem tudo são flores, a equipe também apresenta alguns –poucos– problemas que podem vir a compromete-la em outras competições, como na Champions League. Guardiola, apesar de ter obtido um maior equilíbrio das ações da sua equipe e ter conseguido um aumento de 6% da posse de bola para sua equipe nas partidas do campeonato nacional (segundo dados Opta), tem ainda dificuldades com equipes que presam pelo contra-ataque e que também conseguem agredi-la, assim como nas derrotas contra o Borussia Mönchengladbach (campeonato alemão) e contra o Arsenal na Champions League, coisa que resulta em muitas jogadas aérias e fazendo o Bayern tornar-se uma equipe novamente previsível, fugindo assim das características apresentadas por esse Bayern do Guardiola.

A saída de Pep ao final da temporada também é tida como um fator que pode vir a prejudicar o andamento da temporada da equipe bávara que poderia se acomodar e render menos do que pode, mas sabendo da experiencia dos jogadores do elenco, é difícil de acreditar que isso possa acontecer.

Apesar dos contra-argumentos ditos acima, é fato que o título da Bundesliga está a caminho de Munique, se a equipe também irá ganhar a sonhada Champions League, ninguém sabe, porém é inegável que estamos vendo no último ano do treinador espanhol o melhor futebol apresentado pela equipe pós era Jupp Heynckes.

%d blogueiros gostam disto: