Como as saídas para a China influenciam no futebol brasileiro

Como todos já sabem, muitos jogadores brasileiros se mudaram para a China. Jogadores de amplo destaque no futebol nacional, e que também, em alguns casos destes, vinham conquistando um espaço maior fora de seus clubes e no cenário internacional. Além do já dito destaque em expansão, estes jogadores conquistaram uma vaga na Seleção, ou senão o conquistariam de forma natural com o passar do tempo. A pergunta que não cala é: o quanto isso pode prejudicar o Brasil enquanto Seleção?

Renato Augusto e Gil, jogadores que se transferiram para Beijing Guoan e Shandong Luneng, respectivamente, faziam parte dos planos que Dunga tinha traçado à longo prazo para a Seleção. Principalmente o zagueiro, que vinha de convocações desde 2014, provavelmente, jogando na China, não terá mais oportunidades. Renato Augusto, o principal jogador do Brasileirão, Bola de Ouro pela revista “Placar”, também havia jogado pela Seleção depois de muito tempo sem ser convocado. Por vezes, na temporada de 2015 parecia que essa convocação era uma das prioridades de Renato Augusto, que deixou essa conquista para trás ao aceitar ir para a China.

Outros jogadores que foram para a China, casos de Jadson e Geuvânio, poderiam disputar jogos pela Seleção. A convocação de Jadson era iminente pelas aparições que ele demonstrava no Corinthians, nenhum outro meio-campo brasileiro com as características de Jadson estavam em tão boa fase como ele. Geuvânio, menino da Vila, não é, convenhamos, nenhum Neymar, Robinho, Diego ou Elano, que também foram criados com as características do alvinegro de Vila Belmiro, mas poderia, com evolução e trabalho, conquistar seu espaço na Seleção, ou aprimorar-se indo para um clube europeu, onde o futebol é, sem dúvidas, mais desenvolvido que o chinês.

Casos mais antigos como os de Robinho, que jogou a Copa América do ano de 2015, Diego Tardelli, Ricardo Goulart e Elkeson são, igualmente aos já apresentados acima, bons exemplos de como o futebol brasileiro perdeu em questão de talento para o futebol chinês.

 

Imagem: R7

 

Com a preferência pela China, a Seleção perde em talento, em futebol e é obrigado a encontrar substitutos nem sempre à altura daqueles que nos deixaram órfãos ao irem para o oriente. Analisando friamente, não encontramos hoje algum jogador para uma eventual substituição sem perda de qualidade na vaga de Renato Augusto. Mesmo reserva, não há um zagueiro brasileiro hoje que tenha a qualidade que o Gil ainda tem. A boa fase de Ricardo Goulart em 2014 pelo Cruzeiro e que também mostrou pela Seleção, não foi encontrado até hoje, nem pelo Cruzeiro, nem pela Seleção.
Os clubes sofrem com o assédio chinês e têm menos “poder de reação” do que a Seleção. O Corinthians, maior vítima do poder financeiro chinês, era franco favorito ao título da Libertadores. Agora, terá de se reconstruir como time.

Embora as perdas tenham sido muitas, poderia ser pior caso Lucas Lima e Elias tivessem aceitado as propostas que tinham em mãos de clubes chineses. O meia do Santos poderia ter até uma cidade chinesa com seu nome, mas não aceitou a tentação do dinheiro e status em prol de uma carreira de maior sucesso comparado à possível que teria se se mudasse para a China.

O grande exemplo é o futebol chinês devido ao “ataque” que o mesmo proporcionou ao futebol brasileiro nos últimos tempos, mas sem dúvida qualquer bom jogador que se encontra em centros futebolísticos que não dão ao jogador a condição de permanecer em alto nível e, consequentemente, o separam da Seleção, é perda, é prejuízo ao futebol brasileiro. Cabe agora ao Dunga, comissão técnica e CBF decidirem em consentimento se insistem em peças que se encontram na China, ou buscam peças de reposição para montar a base da Seleção desde já, visando a Copa de 2018.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

%d blogueiros gostam disto: