De Bandeja – Huertas mal, mas Raulzinho evolui

Em mais de uma oportunidade, o treinador da seleção brasileira Ruben Mangnano demonstrou sua preocupação em relação aos brasileiros que estão na NBA. Apesar da quantidade de jogadores, a maioria tem jogado poucos minutos. Junte-se a essa preocupação o fato do maior nome da história recente da seleção ter uma primeira temporada pífia em pleno no ano olímpico e veremos que o técnico argentino têm sua dose de razão.

Marcelinho Huertas é esse jogador. O armador foi um dos grandes responsáveis em quadra pela volta da seleção nacional aos Jogos Olímpicos, na edição de Londres, após 16 anos de ausência. Armador de estilo clássico, que distribui bem o jogo com assistências precisas e boas infiltrações, fez grande carreira na Europa, em especial no Barcelona da Espanha. Muitos torcedores e comentaristas viam nele potencial para chegar à NBA. Fato que ocorreu nessa temporada, ao ser contratado pelo Los Angeles Lakers.

A equipe angelina parecia ser uma boa oportunidade para Huertas. Com a despedida das quadras de um grande ídolo da torcida somado com a reformulação da equipe, tanto em elenco com vários jovens, como no método de jogo, o ano prometia ser proveitoso para Huertas. Porém, a temporada não vem agradando. O brasileiro já figurou em lances bizarros na temporada, levando dribles desconcertantes e arremessando bisonhamente em alguns momentos. Está longe de ser o bom armador que vimos na seleção e no Barcelona. Seus números até aqui mostram isso. São apenas 10 minutos por jogo, 2,8 pontos e 2,5 assistências. Nos últimos 10 jogos, 9,6 minutos, 1,1 pontos e 1,6 assistências. Pouco para quem tem a missão de liderar a seleção dona da casa nas Olimpíadas.

Foto: SuperEsportes

Porém, a própria NBA pode dar um alento para Ruben Magnano. Em Utah, Raulzinho vem causando uma boa impressão na melhor liga de basquete do mundo. Tomou para si a condição de titular da armação da equipe de Salt Lake City e vêm evoluindo jogo a jogo. Raulzinho é 7 anos mais jovem que Huertas e pode ser considerado o futuro da seleção. O estilo de jogo é parecido, também procurando mais a distribuição do jogo que a finalização das jogadas. Nos números, Raulzinho também está melhor que Huertas. São 19 minutos por jogo, 5,8 pontos e 2,4 assistências ( 25 minutos, 8 pontos e 3,2 assistências por jogo nos últimos 10 jogos. Mas, enquanto Huertas regride, Raulzinho mostra evolução nos últimos 10 jogos. E, se Huertas apareceu muito em lances bizarros, o camisa 25 do Jazz, equipe que também está buscando uma reformulação, já emplacou pelo menos duas vezes lances que ficaram no top-10 realizado diariamente pela NBA.

Como a NBB ainda não tem a força necessária para o basquete nacional, ainda dependemos dos jogadores que estão fora do país para montar uma seleção competitiva. Mas, para isso Mangnano quer já demonstrou que quer privilegiar atletas que estão em melhores momentos, tanto técnicos, quanto de minutos jogados. Nesse ponto, Raulzinho têm grandes chances de ser uma grata surpresa durante a competição no Rio. A busca de uma medalha será muito difícil, mesmo sendo donos da casa. EUA, Espanha, Argentina, para ficar somente nos três, estão bem a frente da seleção nacional. Precisamos que Huertas recupere seu melhor jogo até o final da temporada e que Raulzinho continue nessa evolução para sonhar com o pódio. Ou, pelo menos, com o papel digno dentro de casa.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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