De Bandeja – Seleção feminina em xeque

Ontem começou no Rio de Janeiro o evento teste na Arena Carioca 1, onde serão disputadas as competições de basquete e rugby em cadeira de rodas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O evento conta com as presenças das seleções femininas de basquete, incluindo a brasileira, envolvida em polêmicas e boicotes, com várias jogadoras reusando a convocação.

Tudo começou quando seis clubes da LBF (Liga Brasileira Feminina) deu um ultimato a CBB, solicitando que os mesmos cuidassem da seleção, incluindo as convocações, até as Olimpiadas. A CBB rejeitou o pedido, colocou Antonio Carlos Barbosa, medalha de bronze em Sidney-2000 com a mesma seleção feminina, como treinador e fez a convocação à revelia dos clubes. Resultado: 8 jogadores pediram dispensa e, o que poderia ser uma oportunidade para encorpar a equipe que representará o país em agosto, virou uma guerra de poder, onde todos saem perdendo.

Não é de agora que a CBB é criticada. Basta lembrar o quanto demorou para o Brasil ter suas vagas confirmadas como pais sede por conta de uma dívida da confederação com a FIBA (no caso da “compra” da vaga no último mundial masculino da modalidade). As confederações brasileiras, de qualquer esporte, viraram um cabide de empregos e influências, onde o desenvolvimento do desporto em si não é nem de perto uma das prioridades.

Se você lembrar que em 1994 a seleção feminina ganhou o Mundial, tinha jogadores do nível de Magic Paula e Hortência, seguiu a geração seguinte com Janeth Arcain (primeira brasileira da WNBA) vai entender como o esporte regrediu nos últimos vinte anos. O baixo nível técnico nas competições nacionais e as campanhas pífias das seleções nas competições internacionais corroboram com essa tese. O basquete que já foi o segundo esporte no Brasil, hoje está bem atrás na atenção do vôlei e de várias outras modalidades.

Talvez a solução não seja os clubes no comando da seleção, como proposto pelas equipes da LBF. O futebol, por exemplo, já deu provas que não adianta somente colocar os clubes a frente que tudo será resolvido (vide Copa João Havelange, no começo desse século). Precisa sim ter um trabalho sério, que começa nas escolas, que utilize entidades como o SESC para promover o espore, com clínicas e trabalho de base. Não adianta também colocar somente um técnico estrangeiro no comando, como é feito no masculino. É preciso estudar o trabalho de países como Argentina e Espanha, que hoje são potencias no cenário internacional, com vários jogadores na NBA sendo protagonistas, não como os brasileiros que não passam de coadjuvantes na maior liga de basquete do mundo.

Infelizmente, a presença dos Jogos Olímpicos que poderia servir para fomentar o esporte novamente, fazer com que tivéssemos novamente uma seleção feminina que nos desse alegrias como era aquela de Paula de Hortência, será desperdiçada. O basquete feminino continua sucateado aqui em terras tupiniquins e essa guerra de poder não será benéfica para ninguém. É preciso unir as forças e fazer um trabalho sério. Duas palavras que não condizem com a CBB.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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