HTE Sobre Rodas #7 – Quem é quem: Manor Formula One Team

Texto: João Magalhães

Os testes de pré-temporada da Fórmula 1 estão se aproximando e ainda tem equipe que nem mesmo anunciou seus pilotos. Sim, hoje é dia de falar da Manor, a menor equipe do grid. Pensei em adiar o “Quem é quem” que fala do time inglês, pois terei muito pouco a dizer sobre eles. Mas pensei melhor e cheguei a conclusão que isso diz muito sobre o time. Então vamos lá, conheçam a Manor Formula One Team!

Manor Mercedes

Manor Logo

Nome: Manor Formula One Team

Sede: Banbury, Inglaterra

Chefe de Equipe: Dave Ryan

Pilotos: ?????

A Manor entrou na Fórmula 1 em 2010, no último processo seletivo aberto pela FIA para admitir novas equipes. Lá, naquele já longínquo ano, ainda se chamava Virgin Racing. Com a saída do mega empresário Richard Branson da empreitada, o nome Virgin se foi. Já em 2011 passaram a se chamar Marussia Virgin Racing, sendo que o antigo nome ficou ali somente por questões burocráticas. Em 2012 o time finalmente mudou seu nome para Marussia Racing, tendo sua base na Inglaterra mas contando com apoio financeiro da Marussia, montadora russa.

Finalmente, ao fim de 2014, os cofres russos pararam de injetar dinheiro na equipe, que simplesmente faliu e entrou em recuperação judicial. Com o esforço monumental dos homens da equipe original, John Booth e Graeme Lowdon, e a injeção de dinheiro de alguns empresários, a equipe conseguiu sobreviver e correr em 2015 com o nome Manor Marussia. Deve-se dizer que foi fundamental para a equipe o 9º lugar conseguido no campeonato de construtores de 2014, conquistado graças ao 9º lugar de Jules Bianchi no GP de Mônaco daquele ano. Sem a premiação por colocação, a equipe não teria sobrevivido.

Jules

E falar da Manor nos obriga, infelizmente, a falar dos dois últimos acidentes fatais da Fórmula 1. A equipe ficou marcada por trazer de volta o fantasma da morte à maior categoria do automobilismo mundial. Em 2012, num acidente esdrúxulo num teste privado em um aeroporto, Maria de Villota bateu seu carro em um caminhão. Perdeu um olho e teve interrompida a sua carreira no automobilismo. Chegou a se recuperar e até assumir funções na FIA, mas acabou morrendo no ano seguinte em decorrência de sequelas do acidente.

Já em 2014, Jules Bianchi sofreu um acidente horrível no GP do Japão. Enquanto os comissários retiravam a Sauber de Adrian Sutil, que havia rodado, o piloto francês perdeu o controle de seu carro e passou reto, atingindo em cheio um dos caminhões de resgate. A pancada, a mais de 200 km/h, o deixou em estado crítico por meses. Chegou a ser transferido para a França, mas nunca acordou do coma. Em meados de 2015, infelizmente, faleceu. Jules era um piloto muito, muito promissor. Se não fosse o acidente, provavelmente o veríamos ao lado de Sebastian Vettel na Ferrari, já em 2016. Sua morte machucou muito os pilotos da F1, que nunca haviam visto um colega morrer por causa de um acidente em corrida.

Contei toda essa história porque acho importante entender “qual é” a da Manor. É uma equipe pequena, minúscula perto das gigantes. Teve em sua história todo tipo de adversidade, desde falta de dinheiro até acidentes fatais. Mas sempre insistiram. Sempre tentaram continuar no grid e fazer o melhor que pudessem. E eu admiro isso, de verdade.

A Manor não anunciou seus pilotos para 2016, mas corre a notícia que o indonésio Rio Haryanto será um dos pilotos, levando um patrocínio de 15 milhões de Euros à equipe. Segundo o site holandês “GPUpdate.net”, parte desse dinheiro viria da petrolífera Pertamina e o resto do governo da Indonésia. Bom, Haryanto não é um piloto especial. Nunca fez nada demais na GP2, mas entendo que o dinheiro seja importante para equipe.

Mas é embaixo da carenagem que está o maior trunfo da equipe para 2016. A Manor, que em 2015 correu com um motor Ferrari de 2014, vem para o próximo ano com motores Mercedes. Essa troca, sozinha, vai garantir aos carros do time um ganho de performance bastante significativo. Calculo que este ganho chegará a quase dois segundos. E talvez um dos pilotos do time seja justamente um protegido da Mercedes, Pascal Wehrlein. O rapaz foi campeão do DTM, é ótimo. Vejo este como o melhor cenário possível para a equipe.

O carro ainda não foi apresentado, mas já passou no crashtest da FIA. Mais que isso, só saberemos no anúncio dos pilotos e finalmente quando os carros forem à pista.

Meu palpite: a Manor vai brigar com a Sauber na rabeira do grid. Mas vai ter um desempenho bem mais decente que o do ano passado.

Atualizando…

Pascal Wehrlein está confirmado para correr pela Manor em 2016. O time inglês vai ter material humano da melhor qualidade em pelo menos um de seus carros.

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