Jorge Sampaoli – Nem vítima nem refém. Hora de acabar com a hipocrisia

A FIFA realizou ontem o evento de premiação dos melhores da temporada. Evento que contou com presença de jogadores e treinadores de todo o mundo, entre eles o argentino Jorge Sampaoli, treinador da seleção chilena e constante candidato a qualquer time brasileiro que esteja sem técnico. O site do Globo Esporte publicou uma declaração sua antes da cerimônia um tanto quanto curiosa, dizendo que Sampaoli se sentia refém da federação pelo simples fato de não o liberarem da multa contratual, uma vez que o treinador, por conta das polêmicas e saídas de pessoas da direção da entidade chilena.

Esse tipo de declaração não é exclusividade de Sampaoli. Já conhecemos esse filme com diversos jogadores que forçam sua saída de seus clubes. O que me causa certa curiosidade é o fato de os contratos assinados não valerem nada para determinadas partes. Tenho certeza que quando o argentino foi procurado pela seleção chilena, ele (ou seu empresário) fez sua proposta salarial além de uma série de exigências, como uma multa contratual caso a federação decidisse que antes do fim do contrato não gostaria de contar mais com os serviços do treinador.

A multa contratual faz parte do acordo que é assinado pelas duas partes. Vale para as duas partes encerrarem seus compromissos previamente acertados antes do período. Se a federação demitisse o treinador e não pagasse o que estava previsto na rescisão, certamente ele iria procurar seus direitos na justiça. Por que o contrário não é válido? Sampoli não é refém da federação, ele assinou um compromisso até a Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Se quer sair antes do combinado e devidamente assinado, que pague a quantia estipulada.

O cumprimento dos contratos, incluindo a multa rescisória, é o principal motor do profissionalismo tão debatido no mundo da bola. É realizada tanta exigência para que os empregadores (clubes e federações) cumpram suas tarefas, mas quando se trata dos funcionários (jogadores e treinadores) parece que eles recebem um tratamento de vítima. Parece que eles não estão fazendo nada de errado. Ora, o compromisso foi firmado, sair antes do compromisso, por qualquer motivo que não esteja previsto no contrato, é uma falta de quem está saindo e portando deve arcar com as consequências.

Claro que há rescisões amigáveis, mas trata-se de quando a quebra de contrato é boa para os dois lados da moeda. No caso, Sampaoli sairia da seleção chilena agora, teria um mercado internacional aberto, onde seu nome já foi muito especulado tanto futebol brasileiro quanto no futebol inglês. Certamente até o meio do ano estaria empregado de novo, com todas suas demandas salariais e contratuais. E a seleção chilena teria o trabalho de novamente ir atrás de um novo treinador, em meio a disputa das Eliminatórias, sendo que os resultados vem sendo bem satisfatórios, com o título da Copa América e o bom início no qualificatório para mundial da Rússia.

Está mais do que na hora de as federações e clubes se posicionarem sobre essa contrapartida do profissionalismo. Os empregados não têm somente direitos, têm deveres também. Sampaoli não é vitima nem refém, é apenas um profissional que assinou um compromisso. Caso queira desfazê-lo, pague a multa e seja feliz. Ou que o clube que o quer contratar que arque com a rescisão. A federação chilena, que não tem interesse na rescisão e não descumpriu o que está escrito é que não pode pagar o pato nesse caso. Profissionalismo é isso, direitos e deveres tanto para o empregador como para o empregado.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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