Reconto HTE #4 – The Flu Game

“Impossível é apenas aquilo que ninguém ainda tentou”. Essa frase é de autoria de Albert Einstein, um dos maiores gênios da história da humanidade. Einstein fala aqui de superar limites, vencer barreiras. Nos esportes, reconhecemos os gênios nesses momentos. Em 1997, Michael Jordan, já era reconhecido como um dos maiores nomes da história do basquete, o maior para muitos. Sua equipe, o Chicago Bulls, disputava as finais da NBA pela quinta vez na década de 90, a segunda desde o retorno de sua breve aposentadoria para jogar beisebol. O rival da vez era o Utah Jazz.

Na série, o Bulls abriu 2 x 0 nos jogos em Chicago, mas permitiu a reação do Jazz em Salt Lake City, empatando em 2 x 2. O quinto jogo também seria na casa da equipe de Utah, o Delta Center, cuja torcida local fazia um barulho ensurdecedor, gerando até reclamações do staff do Bulls. Naquele dia 11/06/1997, Michael Jordan foi acometido por uma forte gripe (as famosas viroses que falam tanto aqui no Brasil). Com febre alta, sem se alimentar direito o dia todo, fraqueza no corpo, Jordan decide ir para quadra, contra indicações dos médicos. O resultado do jogo ainda não definiria o campeão da temporada da NBA, mas deixaria para os dois jogos finais em Chicago a situação muito próxima. Jordan sabia disso e, líder nato como é, foi para o jogo.

O Chicago Bulls da época era fantástico. Além de Jordan, completavam o elenco titular Ron Harper na armação, Scottie Pippen seu fiel escudeiro na ala, Dennis Rodman e Luc Longley debaixo do garrafão. Os três principais nomes da rotação eram o croata Tony Kukoc, o armador (e hoje técnico do Golden State Warriors) Steve Kerr e o pivô Bryan Willians. No banco, um dos maiores treinadores de todos os tempos, Phil Jackson. Mas era de Jordan que todos esperavam sempre mais.

O Utah Jazz também era um time extremamente talentoso, liderados pela dupla John Stockton e Karl Malone, jogadores que melhor utilizaram o pick and roll na NBA. No apoio a dupla, nomes como Jeff Hornecek e Greg Ostertag. Os confrontos tanto na temporada regular sempre foram marcados pelo equilíbrio. E dessa vez não seria diferente.

Já no primeiro quarto de partida, vimos um Michael Jordan incomodado com sua condição física para o jogo. Errando alguns lances fáceis,  Utah Jazz fechou o primeiro quarto em 29 x 16, mesmo sem Jeff Hornecek, que logo no princípio cometeu duas faltas e ficou de fora praticamente de todo o período. Jordan terminou esse quarto com 5 pontos. No segundo, o Chicago Bulls assim como Michael Jordan foram pegando o ritmo do jogo. A diferença que chegou a 16 pontos, caiu para 7 na metade do período. MJ assumiu mais uma vez as ações, pontuando bem e marcando melhor até que com 2 minutos e meio para o intervalo o Chicago Bulls assumiu pela primeira vez a liderança do jogo. O primeiro tempo terminou com o placar de 53 x 49 para o Utah Jazz, mas Jordan já era o cestinha do confronto com 21 pontos nesse momento.

O terceiro período seguiu equilibrado, com o Utah mantendo a diferença durante os 12 minutos. Jordan anotou somente dois pontos nesse quarto e o jogo se encaminhou para o derradeiro período com o placar em 72 x 67 em favor do Jazz. E, como sempre foi na sua carreira, no momento decisivo que Jordan apareceu. O quarto período foi de não tirar os olhos da televisão. Já revi esse jogo umas 20 vezes, e sempre me impressiono com a maneira que Michael jogou esse período. Era nítido que sua condição física, por conta da gripe e febre, estava no limbo. Sua expressão corporal demonstrava isso claramente. Mas quando ele pegava a bola e partia para cima, era o melhor Michael Jordan que já estávamos acostumados. Em um pedido de tempo, o staff do Bulls chegou a colocar uma bolsa de gelo na cabeça de MJ que quase desmaiou. Voltou a quadra e anotou pontos em sequência. Gênios vencem barreiras, superam obstáculos. Comecei a ver basquete por conta do Jordan lá para 92/93. Nesse jogo, ele já o considerava como um ídolo do esporte que eu praticava nas escolas e clubes de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo. Tentava, com óbvio insucesso, repetir seus movimentos e jogadas. Mas essa postura, essa liderança que demonstrou nesse jogo me marcou.

O jogo chegava aos momentos finais, com o empate em 85 pontos e um pedido de tempo. Scottie Pippen praticamente carregava Michael Jordan nos ombros a caminho do banco para ouvir as últimas instruções de Phil Jackson. Faltando 25 segundos, bola na mão de MJ na linha de três. Tiro certeiro, fatal. O Utah Jazz arma a jogada e diminui a diferença para  um ponto. Na saída de bola, o passe vai para Michael Jordan, marcado por Karl Malone, que tinha cinco faltas naquele momento. Jordan segura, Malone não para o jogo com falta, o passe vai para Tony Kukoc, dele para Longley dentro do garrafão que crava, para colocar a diferença novamente em 3 pontos (90 x 87). O Utah Jazz não conseguiu arremessar, a bola caiu na mão de Stockton faltando menos de 3 segundos que sofre a falta. Precisava fazer o primeiro e errar o segundo para pegar o rebote e tentar empatar o jogo. Stockton errou o primeiro. Acertou o segundo, mas o jogo já não tempo para mais nada. Final, Chicago Bulls 90 x 88 Utah Jazz. A série voltou para o sexto jogo em Chicago e o Bulls conquistaram pela quinta vez o título da NBA. O lance do sexto jogo da final de 1998 contra o mesmo Utah Jazz deve ser wallpaper de muitos que acompanharam a NBA nos anos 90, com Jordan deixando Bryan Russel no chão e subindo para anotar a cesta decisiva. Mas o o jogo que sempre me marcou na carreira de MJ foi esse quinto jogo das finais de 1997.

Após o jogo, questionado sobre a importância de Michael Jordan e sua superação para o confronto, Pippen rasgou elogios ao maior de todos os tempos. Foram 38 pontos nessa noite. Noite que ficou para a história do basquete, da NBA e ficou registrada na memória dos fãs desse esporte.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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