SOBERANO’S #54 – “El Díos” está de volta

A torcida são-paulina pediu e a diretoria finalmente atendeu. Diego Lugano está de volta ao tricolor mais querido do Brasil. O zagueiro uruguaio, símbolo da raça do time “com mais alma” da história do São Paulo, como Rogério Ceni destacou no seu discurso de despedida, volta com dupla missão: Qualificar a frágil zaga e ser um dos líderes positivos de um elenco em reformulação. Lugano, assim como foi Ceni nos últimos anos, será a personificação do torcedor são-paulino em campo.

Mas, esse mesmo torcedor são paulino que gritou quase em uníssono para a volta do ídolo, deve ter calma. Lugano não atua em alto nível desde que saiu da Turquia, em 2011. Foram passagens apagadas pela França, Inglaterra, Espanha e Suécia, antes de seu retorno até certo ponto animador no Cerro Portenho do Paraguai, onde jogou os últimos seis meses. O Lugano que se apresentará essa semana já não tem o mesmo vigor físico daquele que saiu do tricolor em 2006, com um título da Libertadores e Mundial na bagagem. Sempre se caracterizou mais pela raça e entrega em campo que pela técnica e terá ao seu lado zagueiros de qualidades bem questionáveis, como Lucão, além de um Breno que, apesar de ótimo tecnicamente, não deve conseguir estar em campo em metade dos jogos por questões físicas (tema que debatermos em breve em outro post).

O treinador Bauza tem, segundo todas as fontes (eu prefiro esperar um pouco para ver como ele armará a equipe) características de montar uma equipe mais defensiva. Isso pode ajudar muito na re-adaptação do ídolo. Já diria um sábio, bom zagueiro é zagueiro bem protegido. O São Paulo precisará ser mais brigador no meio campo, para não deixar Lugano ter que perseguir no mano a mano os rápidos atacantes adversários.

Mas a injeção de animo, tanto na torcida como no elenco será gritante. Lugano marcou a nova geração de são-paulinos. Ninguém esquece o carrinho na final do Mundial nem sua opção de não trocar a camisa em clássicos, principalmente naqueles que o time sai derrotado. Lugano também nunca perdeu com a camisa do São Paulo para o Corinthians. É, de longe, de todos os jogadores que ainda estão em atividade, o mais identificado com a torcida. Sua liderança fará bem ao elenco e facilitará muito o começo de trabalho do treinador argentino, até pela questão do idioma.

Em 2003, chegou como jogador do presidente. Hoje, chega como zagueiro da torcida. Todos da diretoria e da comissão técnica estão isentos nesse caso se Lugano não corresponder em campo. O zagueiro também fez o todo possível para que esse momento chegasse. Ainda não estou completamente seguro com a zaga, mas se a defesa for montada com Bruno,Lugano,Lucão(Breno) e Mena, com Rodrigo Caio e Thiago Mendes a frente da zaga já está melhor que ano passado. Em minha opinião, um zagueiro para jogar pelo lado esquerdo da defesa ainda se faz necessário, assim como um lateral direito. Mas a chegada de um ídolo, por mais que saibamos que a condição física não será a mesma de 10 anos atrás e isso pode pesar contra, sempre anima. A venda de camisas surpreendeu até a Under Amour nesse começo de ano. Que uma nova era comece no tricolor.

Bem vindo de volta a sua casa. Diego “El Díos” Lugano. Raça e entrega sabemos que não vai faltar.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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