SOBERANO’S #55 – Por que não valorizar o Paulista?

Em algumas visualizadas que faço em alguns sites exclusivos de torcedores são-paulinos, comentários em fóruns, Twitter e Facebook nessa época do ano o que mais se vê é o pessoal montando sua escalação ideal com sua idéia de formação tática. Alguns colocam até jogadores que não estão no elenco, como sugestão de contratação. Mas, nos últimos anos, reparo que uma coisa tem aumentado consideravelmente nesses espaços: Escalações para Libertadores e Paulista, com times diferentes. Alguns colocam até escalação quase total de sub-20 para o campeonato estadual.

A torcida são-paulina certamente está entre as mais exigentes do país. Não se contenta com pouco. É quase que um sentimento que só a Libertadores interessa e nada mais. Por isso eu faço a pergunta que dá título ao post: Por que não valorizar o campeonato Paulista? Por que desmerecemos tanto essa competição, antes dela começar? Por incrível que pareça, essa mesma torcida que tanto desvaloriza o torneio antes do início, se o time cair nas fases derradeiras vai criticar um bocado.

Não vou ser um daqueles que levanta a bandeira em favor da competição estadual e sua fórmula esdrúxula. Também sou daqueles que preferem um São Paulo x Flamengo em um suposto Rio-SP, como já houve, que um São Paulo x Oeste em uma quinta-feira à feira noite, como deve ocorrer ao longo dos próximos meses. O Paulistão virou Paulistinha, com o aumento de datas para o campeonato nacional, os times do interior perderam sua força e o campeonato se arrasta por uma primeira fase em nível técnico ruim, campos irregulares e público baixo nas arquibancadas. Para o clube, só vale a pena por conta dos direitos de transmissão, que ainda rendem uma quantia considerável para os cofres.

Dito isso, é importante lembrarmos dois fatores: Não conquistamos o campeonato Paulista há 10 anos, sendo o último em 2005, ano em que conquistamos também a Libertadores e o Mundial. E isso vem para o segundo ponto que queria levantar. Por mais que o nível dos times do interior seja ruim e vencer vários jogos não seja parâmetro suficiente para dizer que o time está bem, não apresentar um bom futebol nesses jogos mostra exatamente o oposto, que o time está ruim. Em todo esse período em que não conquistamos o Estadual, exceto o ano de 2006 que terminamos com o vice-campeonato, em todos eles tivemos um futebol extremamente ruim apresentado ao longo da competição. E o que ocorria quando chegávamos as fases agudas da Libertadores? Eliminações, com também fraco futebol diante de clubes grandes. O ano de 2006 citado foi basicamente o último ano que deu orgulho da luta e do futebol praticado em jogos da competição sulamericana para nós são-paulinos, mesmo com a derrota na final.

Não serei louco aqui que bradar que nosso treinador Edgardo Bauza deve colocar força máxima em todos os jogos. Mas deveria sim valorizar os jogos da competição, buscando fazer o São Paulo apresentar o melhor futebol possível e, quando necessário, poupar um ou outro jogador, de preferência dando tempo de campo para algum jogador da base. Contra os times do interior no Morumbi (ou Pacaembú, no período de reforma do gramado), por que não começar com oito titulares e três da base? Quando chegarmos às fases agudas, o time precisa estar pronto, acostumado a fazer bons jogos. Caso contrário, tornaremos a falar frases como “é clássico e tudo pode acontecer” ou “jogo de mata-mata nivela as equipes”, ou na pior que considero “nem sempre o melhor vence”. Quando o São Paulo venceu essas competições, venceu por que a equipe tinha confiança no que estava fazendo. E a confiança só vem com repetições de bons desempenhos.

Por isso que acho que precisamos valorizar a competição estadual. Não por que o título Paulista vale mais que um título nacional ou internacional. Mas, dado o calendário que já existe, é a competição que têm para ser disputada. É aonde o conjunto vai se formar, as experiências podem ser feitas. Para quando chegar a hora da onça beber água, termos confiança que sim, o São Paulo pode vencer os clássicos e as fases de mata-mata.

Curtas

  • Estreamos em 2016 nessa quarta, contra o Cerro Porteño, ganhando por 1 x 0, gol de Thiago Mendes. Ainda não dá para fazer qualquer avaliação sobre o trabalho tático de Bauza, mas já deu para ver um time melhor organizado que no final do ano passado. Ainda falta muito, precisa-se de reforços em algumas posições (primeiro volante e lateral direito são as mais urgentes, em minha opinião), mas foi uma boa primeira impressão. Centurión terá sua oportunidade de ouro agora nesse início de ano, jogando onde gosta e com um treinador que o conhece. Pode ser uma boa surpresa.
  • Caímos nas quartas-de-final para o Flamengo na Copa São Paulo. Título na base não é o mais importante, mas faz um tempo que não sobe ninguém de qualidade para o elenco principal. Hoje estão lá Lucão e Matheus Reis que foram formados em Cotia (Lyanco veio de fora já com 19 anos, por isso não o considero como cria do famoso CTA dos jovens). Vejo bons valores, como Inácio, Lucas Fernandes, Banguelê, David Neres e Joanderson. Acho que poderiam entrar no ponto que comentei do Paulista, escalando um time com oito titulares mais três desses na fase qualificatória do estadual.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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