SOBERANO’S #56 – Legião estrangeira vs Base

Nessa sexta-feira o São Paulo anunciou a contratação de Jonathan Calleri, atacante argentino de 22 anos que estava no Boca Junniors, por empréstimo de 6 meses. Quarta contratação do tricolor na temporada, se junta a legião de estrangeiros que hoje faz parte do elenco. Centurión (Argentina), Lugano (Uruguai), Mena (Chile) e Wilder Guisao (Colombia) são os outros 4 jogdores não nascidos no Brasil que já treinam na Barra Funda. Se você quiser exagerar, temos ainda Lyanco, convocado para a Sérvia sub-20, por conta da cidadania que o jogador possui em referencia aos seus avós. Não esquecendo, obviamente, da comissão técnica liderada pelo também argentino Edgardo Bauza.

Não pesquisei os registros históricos, mas se essa não for a maior concentração de estrangeiros no elenco, deve estar entre as três mais no mínimo. Particularmente, não sou contra a contratação de jogador de qualquer país que seja, mas, como não poderia deixar de ser, sou contra a aquisição de atletas sem uma qualidade mínima. Dos cinco citados, Guisao mostrou ano passado que não tem condições de vestir a camisa tricolor e está contando os dias para voltar para o México (deve rolar um adiantamento do fim do empréstimo), Centurion ainda não firmou no São Paulo e Mena é um lateral que não deixou saudades em nenhuma das equipes que passou aqui no Brasil.

A questão que me vem sempre a mente com quando são anunciadas contratações como essas é onde fica a base nisso tudo? Afinal, o CTA de Cotia é o maior motivo de orgulho da diretoria que sempre se gaba nos milhões investidos no local. Mas seguem contratando a esmo jogadores de qualidade duvidosa, não só estrangeiros, como brasileiros também. Não vou na linha de que todo o time tem que ser formado em casa que isso é praticamente impossível. O tão decantado Barcelona, que tinha as melhores canteiras do mundo segundo a imprensa, já retornou ao mercado e chegaram a contratar o excepcional lateral direito Douglas, enquanto Héctor Bellerin e Martin Montoya, laterais que eram da base, foram para Arsenal e Internazionale, respectivamente. Contratar faz parte, mas tem de ser feito quando há uma boa oportunidade misturada com uma necessidade do elenco.

Da base, a notícia que vem é que o São Paulo adquiriu 80% dos direitos de Bangulê, volante que pertencia ao São José-RS. O jogador foi um dos destaques das campanhas recentes do time sub-20 que conquistou a Copa do Brasil e Copa RS da categoria no final do ano passado e pedido constante nos comentários de torcedores nas redes sociais para integrar o profissional. E vem em uma posição carente, pois para primeiro volante o São Paulo tem Rodrigo Caio, que teve atuar como zagueiro (além de desfalcar a equipe em vários jogos no ano em virtude de prováveis convocações para a seleção olímpica) e Hudson, que ainda não conseguiu agradar. Se não tem no mercado, nacional ou estrangeiro, nenhum jogador que seja realmente bom e venha para ser titular, não é melhor apostar em um atleta que foi destaque na base? Mesmo que seja ainda com certo revezamento, para pegar o ritmo do profissional?

Em minha visão, sempre é melhor utilizar os jogadores da base, principalmente em um clube que investe tanto como o São Paulo. Não tenho a esperança que todo jogador será como um Lucas, que além de bom futebol e um título gerou 45 milhões de euros para os cofres tricolores. Mas quantos jogadores que estão lá não teriam sido pelo menos do mesmo nível de Guisao, para citar um dos estrangeiros, ou Edson Silva, Paulo Miranda, Wesley, Reinaldo e outros jogadores que tão pouco produziram enquanto estiveram no elenco.

Claro que houve decepções da base, como vem sendo Auro e Lucão até o momento. Mas tivemos jogadores que não foram espetaculares mas deram conta do recado enquanto estiveram lá, como Jean (hoje no Fluminense). Nem sempre a base vai trazer jogadores espetaculares. Mas pode trazer jogadores bons para composição do elenco, montagem da famosa espinha dorsal. Além de Banguelê, poderíamos subir o lateral esquerdo Inácio, o meia Lucas Fernandes, o meia atacante David Neres e o atacante Joanderson, para fazerem parte do elenco principal e entrarem no decorrer das partidas ou substituindo algum jogador em casos de lesão ou suspensão. Na pior das hipóteses, houve uma economia financeira com comissões, luvas e salários de jogadores vindo de fora. E, no casos dos estrangeiros, minimiza o risco dos salários em dólar, com a variação cambial que o país enfrenta.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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