A “invasão” sul-americana no futebol brasileiro

Texto: Marques de Souza

Historicamente, o futebol brasileiro teve a presença pontual de gringos que reforçaram as nossas equipes e tiveram sucesso e reconhecimento. Dário Pereyra, por exemplo, chegou ao São Paulo em 1977. Camisa 10 do Uruguai, o zagueiro entrou para a história do Tricolor Paulista e até hoje recebe status de ídolo. Caso esse, que ocorreu em diversos outros clubes e se difundiu em um passado recente.

Para virar ídolo, Tevez se transferiu para o Corinthians na maior transação da história do futebol sul-americano, assim como o zagueiro paraguaio Gamarra, que foi campeão gaúcho pelo Inter e campeão paulista e brasileiro pelo Corinthians. Pouco valorizado na Argentina, Conca se transferiu para o Fluminense para, logo depois, ser eleito o melhor jogador do Brasileiro de 2010. No Cruzeiro, o craque argentino Montillo ensaiava lindas jogadas pelos gramados mineiros, assim como no Sul, D’alessandro deixou muita saudade em sua saída para o River Plate, após fazer história no Internacional.

Em 2016, veremos ainda mais sulamericanos em times brasileiros. Em São Paulo, o Tricolor conta com o retorno do zagueiro e ídolo Lugano. Além do uruguaio, os atacantes argentinos Calleri e Centurión se juntam ao lateral chinelo Mena. Todos comandados pelo técnico argentino Edgardo Bauza. Enquanto no Palmeiras, a esperança é que 2016 seja o ano de Lucas Barrios, argentino naturalizado paraguaio; no Corinthians, as apostas também são feitas. O elenco alvinegro conta com o zagueiro paraguaio Balbuena, o atacante colombiano Mendoza, o paraguaio Romero é titular na equipe de Tite além do paraguaio recém promovido aos profissionais, Gustavo Viera. No Santos, Patito Rodriguez, argentino de 25 anos, promete fazer uma grande temporada.

No Rio, o Vasco conta com o goleiro uruguaio Martín Silva, o meia paraguaio Julio dos Santos, e o atacante colombiano Riascos. No Flamengo, o argentino Canteros, o volante colombiano Cuéllar, e o meia argentino Mancuello, se juntam ao atacante peruano Paolo Guerrero, que já teve passagem pelo Corinthians. No Botafogo, os argentinos Joel Carli, zagueiro, e Gervasio Núñez, meia, completam o elenco que conta ainda com o volante equatoriano Pedro Larrea e o boliviano Damián Lizio.

O Atlético-MG que já tinha Pratto e Dátolo, buscou o zagueiro Erazo e o meia Juan Cazares, ambos equatorianos, que serão comandados pelo uruguaio Diego Aguirre. No Cruzeiro, o uruguaio Federico Gino se juntam aos meias argentinos Matías Pisano e Sanchez Miño, além do volante Romero, também argentino. O clube já contava com o meia argentino Ariel Cabral e Arrascaeta uruguaio de 21 anos.

São cerca de 50 jogadores da América do Sul que estarão integrando as equipes do Brasil. Se por um lado essa “invasão” de jogadores sulamericanos no mercado brasileiro é bem vista, por outro, são cada vez mais acentuadas as críticas sobre esse modelo de negócio. Para alguns, a chegada de reforços estrangeiros retarda cada vez mais a chance de oportunidades e, consequentemente, a ascensão dos atletas de base.

Só o tempo irá dizer qual o resultado e consequências desse processo de junção entre sotaques, culturas e características técnicas e táticas. Tomando como base a particularidade de cada time e o rendimento em campo, por enquanto, podemos dizer que ao menos em primeiro momento esses jogadores vão acrescentar muita vontade e frieza em nossas equipes, principalmente em competições como a Copa Libertadores.

O pensamento é de que reforços, principalmente no caso dos sulamericanos, tragam pontos positivos dentro de campo. Que o futebol brasileiro saiba fazer disso uma alternativa, mas não uma obrigação.

%d blogueiros gostam disto: