Backcourt NBA – Hack-a-Shaq: o que você pensa dele?

O ‘hack-a-Shaq’ é uma estratégia defensiva que consiste em uma equipe cometer faltas intencionalmente no jogador adversário com o pior aproveitamento em arremessos de lance livre. Ela é utilizada por uma equipe que está perdendo o jogo, precisa recuperar a bola rapidamente e, ao mesmo tempo, evitar que o adversário marque pontos. O ‘hack-a-Shaq’ é a tática mais prática para se conseguir isso tudo.

O nome de Shaq é, claro, uma referência a Shaquille O’Neal, ex-pivô tetracampeão da liga e candidato ao Hall da Fama, mas que sempre teve aproveitamento pífio na linha de lance livre (acertou apenas 52,7% na carreira neste quesito). O primeiro técnico a utilizar essa estratégia foi Don Nelson, na época do Dallas Mavericks. Essa foi a maneira que Don Nelson achou de parar Dennis Rodman e o fantástico time do Bulls dos anos 90. Mas essa estratégia de faltas sempre existiu.

O início

Wilt Chamberlain, um dos maiores da história da NBA mas que tinha aproveitamento de apenas 51% em lances livres, foi o primeiro a sofrer com esse tipo de jogada. Nos finais de jogos, todos os atletas do time adversário iam em cima de Wilt para cometer nele a falta, mesmo sem a bola estar com ele. Na época, isso provocou até uma mudança de regra na NBA: antigamente se podia fazer falta em um jogador sem a bola tendo como punição apenas o fato desse jogador que sofreu a falta ter direito a dois lances livres. Após diversos episódios com Wilt Chamberlain, a NBA determinou que se faltas acontecessem em jogadores sem bola durante os dois minutos finais de jogo, o time que sofreu a falta teria, além dos dois lances cobrados por quem esse time quisesse, a posse de bola novamente, tornando assim a falta inútil.

Wilt também era péssimo arremessador de lance livre

A mudança na regra gerou o fim das faltas intencionais nos finais dos jogos, mas ainda não resolveu o problema no restante do jogo. E foi utilizando dessa brecha que Don Nelson ‘recriou’ o hack-a-Shaq, o utilizando durante toda a partida, independente do momento.

Gregg Popovich, treinador do San Antonio Spurs, é um dos técnicos que assumem sem medo o uso do hack-a-Shaq, e que já foram beneficiados por ela. Em 2008, o Spurs enfrentou o Phoenix Suns de Shaquille O’Neal nos playoffs, e no jogo 5, abusou do hack-a-Shaq, forçando O’Neal a arremessar 20 lances livres durante o jogo, acertando apenas 9. O Spurs venceu o jogo por 92×87 e eliminou o Suns neste dia.

Shaq e lance livre: péssima relação

Atualmente

Não tem mais Shaq, mas ainda seguimos com muitos pivôs que tem péssimo aproveitamento em lances livres. O hack-a-Shaq já se transformou em hack-a-Howard, hack-a-Jordan, hack-a-Drummond… tanto que dois recordes em relação a lances livres são bem recentes: Dwight Howard arremessou 39 lances livres em um jogo do Orlando Magic contra o Golden State Warriors em 11/12, quebrando o recorde de Wilt Chamberlain (arremessou 34 em 1962). Andre Drummond, em janeiro deste ano, errou 23 dos 36 lances livres que cobrou num jogo do Detroit Pistons contra o Houston Rockets, também um recorde na NBA.

É uma tática vista por alguns como antiética, chata, que atrapalha o jogo. Outros veem como apenas mais uma estratégia para vencer a qualquer custo, desde que seja dentro das leis do esporte. E você, o que pensa do caso?

Geisson Pereira Miranda

Mineiro, 21 anos. Estudante de Administração na Universidade Federal de Ouro Preto. Acompanha especialmente basquete, futebol americano, tênis e, claro, futebol.

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