De Bandeja – Splitter fora dos Jogos Olímpicos

Nos dois Jogos Olímpicos dos anos 90, em Barcelona e Atlanta, a seleção masculina de basquete tinha como ponto forte ofensivo os arremessos de longa distância, sendo o principal nessa função o célebre Oscar Schimdt. Oscar aposentou-se da camisa verde-amarela em Atlanta, mas o estilo de jogo permaneceu na seleção, sendo Marcelinho Machado o principal expoente dessa fase. Demorou para a seleção usar mais o garrafão, principalmente pela falta de bons pivôs, mas isso foi melhorando com as entradas de Nenê, Anderson Varejão e Tiago Splitter. Com o último, tivemos a infeliz notícia na última semana que sofrerá uma cirurgia e ficará afastado por até 8 meses, perdendo os Jogos do Rio em setembro.

Tiago teve uma carreira sólida na NBA, evoluindo muito ano após ano sob o comando de Gregg Popovich no San Antonio Spurs. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o título no melhor basquete do mundo. Nessa temporada, com a chegada de LeMarcus Aldridge para a equipe texana, Splitter foi para o Atlanda Hawks. Com 31 anos, tem números na temporada de 16 minutos, 5.5 pontos e 3.3 rebotes por jogo. Mas há tempos vem lutando contra as lesões.

Na seleção brasileira, Splitter sempre foi um jogador que esteve à disposição das convocações, em contraponto ao que muitos jogadores fizeram por conta dos contratos na NBA. Auxiliou a mudança de estilo de jogos da seleção, que trabalhou mais a bola com a participação dos pivôs e deixou de arremessar de qualquer jeito, diminuindo a correria da defesa para o ataque. E ocupou, junto com os dois citados e outros jogadores da nova geração, o garrafão sempre com qualidade. Era um porto-seguro de Ruben Magnano e certamente estaria no quinteto titular no Rio de Janeiro.

Sua ausência terá que ser compensada por Nenê, que vem tendo um bom ano no Wizards, e Anderson Varejão, agora jogador do Golden State Warriors, com expectativas de jogar mais minutos que o que vinha tendo em Cleveland. Porém, tal como Splitter, são dois jogadores muito propensos a lesões, então a solução pode estar em Ausguto Lima, hoje no Real Madrid. O garrafão será muito importante para a seleção, uma vez que o principal das últimas competições, Marcelinho Huertas, não vive grande fase no Los Angeles Lakers, jogando pouco no time que tem uma das piores campanhas da liga.

Só nos resta torcer por uma boa recuperação de Splitter e que Magnano consiga montar uma seleção que não sinta tanta falta do pivô, pois, jogando em casa, há uma expectativa que o Brasil possa, pelo menos, tentar beliscar uma medalha de bronze nos Jogos. Obviamente, ainda estamos distantes do nível de EUA e Espanha, mas com o elenco todo saudável, temos condições de brigar com Argentina, França e Rússia por uma vaga nas semi-finais e, quem sabe, uma medalha tão desejada.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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