Especial Super Bowl: Super Bowl X

Seguindo com a nossa série de postagens lembrando Super Bowls antigos, em homenagem aos 50 anos da decisão da NFL em 2016, veremos hoje como Pittsburgh Steelers e Dallas Cowboys se enfrentaram em 1976. Para conferir a primeira postagem, lembrando o Super Bowl I, clique aqui.

Contexto histórico

Para a temporada 1975-1976, a NFL promoveu duas grandes mudanças em seu código de regras e na prática dos árbitros. São elas:

  • Os times com as melhores campanhas na temporada regular ganharam o direito de mandar os jogos dos playoffs em seus estádios. Antes, havia uma rotação de divisões para definir os mandantes da pós-temporada.
  • Pela primeira vez os árbitros seriam equipados com microfones sem fio, para que possam anunciar e explicar faltas para os torcedores no estádio e para a mídia.

Na época, a tradição do Thanksgiving Day era que dois jogos acontecessem no dia de ação de graças (hoje em dia são três), geralmente tendo como mandantes o Detroit Lions e os Dallas Cowboys. Na temporada de 1975-76, porém, o time do Texas foi substituído pelo St. Louis Cardinals como anfitrião da partida. O time de St. Louis era um time bem menos popular que o Dallas Cowboys, naquela época já apelidado de “o time da América”, e a mudança não teve o sucesso esperado. Após três anos de revezamento entre as duas equipes, em 1978 Dallas voltou a ser casa fixa de um dos embates do Thanksgiving Day.

O último Super Bowl (IX), que aconteceu no dia 12 de janeiro de 1975 e teve o Pittsburgh Steelers como vencedor em cima do Minnesota Vikings, foi transmitido pela CBS para aproximadamente 78 milhões de pessoas.

Dallas Cowboys 

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Em 1971 os Cowboys disputaram o Super Bowl V contra os Baltimore Colts, e perderam de 16-13. Após essa derrota, os blue stars vieram a ganhar uma fama de “time do quase”, para o país eles viraram “o time que ganha no ano que vem”, pois desde a década passada os Cowboys chegavam ao Super Bowl ou à final de conferência, porém nunca se sagravam campeões.

Mas essa era a temporada em que eles deixariam tudo isso para trás. No dia 24 de outubro inauguraram o seu novo estádio, o Texas Stadium, com uma sonora vitória por 44-21 em cima do New England Patriots. Com uma campanha 4-3 que não passava segurança, o QB Craig Morton perdeu seu lugar para o reserva Roger Staulbach, que liderou uma campanha de 7 vitórias nos 7 jogos restantes da temporada regular, e, nos playoffs, guiou o time até o Super Bowl. No Super Bowl VI, Staulbach e a temida Doomsday Defense (Defesa do Apocalipse, em tradução livre) não deu chance para os badalados Miami Dolphins, vencendo por 24-3. Esse é até hoje o único Super Bowl da história em que um dos times não anotou nenhum touchdown.

No ano de 1972 os Cowboys ganharam a alcunha de time da América, virando um time popular nacionalmente, muito graças aos jogos de Thanksgiving Day que eram transmitidos em todo o país desde 1966. Mas outros motivos também influenciaram para isso, pois nessa época Dallas era a franquia mais inovadora fora de campo na NFL, sendo a primeira a usar computadores para observar jogadores, a primeira a modernizar o setor das suas cheerleaders e também o primeiro à transmitir jogos em espanhol.

Com uma lesão no ombro, os Cowboys perderam o seu quarterback por toda a temporada regular de 1972. Comandados pelo reserva Craig Morton, o time do Texas se classificou como wild card, e com Staulbach em campo, caíram para o rival Redskins na final de conferência. Em 1973, a mesma história, derrotados no NFC Championship Game contra os Vikings. Estaria o time do Texas voltando a ser o time do quase?

Não, pior. Em 1974 os Cowboys faturaram uma campanha 8-6, não se classificando para os playoffs, quebrando assim a marca de 8 anos seguidos indo para a pós temporada. Essa é até hoje a maior sequência de um time na NFL.

A temporada de 1975 não começou muito otimista, com jogadores importantes se aposentando, como o DT Bob Lilly (futuro hall of fame), o CB Cornell Green e o RB Walt Garrison. Porém os Cowboys surpreenderam a todos selecionando 12 atletas no draft, que viriam a contribuir imediatamente com o time principal, e se tornaram peças importantes para a equipe ao longo dos anos, como por exemplo o DT Randy White (futuro hall of fame) e o LB Thomas Henderson.

Com uma campanha 10-4, os Cowboys chegaram à marca de 10 temporadas seguidas com desempenhos positivos. Porém, mesmo assim, o máximo que os texanos conseguiram foi uma vaga de wild card. Ao longo da temporada os Cowboys marcaram 41 TDs e obtiveram uma média de 25 pontos por jogo, apenas a 8ª melhor da liga. Na defesa cederam 19.1 pontos em média, apenas a 9ª melhor marca da NFL.

Nos playoffs o Dallas Cowboys enfrentou o Minnesota Vikings no jogo que entraria na história como o Hail Mary Game. Perdendo de 14-10 com apenas 24 segundos no relógio, o QB Roger Staulbach fez um passe de 50 jardas para a endzone e o WR Drew Pearson agarrou para marcar o touchdown da vitória. Na final da NFC, os Cowboys esmagaram os Rams por 37-7 e se classificaram para o Super Bowl X.

Pittsburgh Steelers

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Em 1970 os Steelers estavam querendo um recomeço nas páginas da sua história, que não tinha sido muito vitoriosa até então: em 37 anos de NFL, o time chegou à fase de playoffs apenas uma vez (1947). Para isso, selecionaram o quarterback Terry Bradshaw como primeira escolha no draft e depositaram todas as suas esperanças nele, que já chegava para ser titular. Bradshaw, no entanto, foi uma completa decepção. Com 6 touchdowns apenas e 24 interceptações lançadas, o calouro conduziu os Steelers numa frustrante campanha de 5-9.

Em 1971 as coisas melhoraram, mas não muito. Com a marca de 13 touchdowns para 22 interceptações, e uma campanha de 6-8, a imprensa já rotulava Bradshaw como imbecil.

Mas no ano de 1972 as coisas mudariam pra valer, com os Steelers draftando o RB Franco Harris (que seria eleito o Offensive Rookie of the Year). Harris correu para 1.055 jardas na temporada e deu o choque que o time de Pittsburgh precisava para deslanchar. Com uma surpreendente campanha de 11-3, conquistaram a AFC Central e retornaram aos playoffs após 25 anos.

Os Steelers receberam o Oakland Raiders em um jogo que ficou eternizado na história por um “milagre”. Com 22 segundos restantes no relógio, os donos da casa perdiam por 7-6 e estavam numa situação de 4ª para 10 na própria linha de 40 jardas. Pressionado, Terry Bradshaw arriscou um passe antes de sofrer o sack. O jogador da secundária dos Raiders rebateu a bola, que ia para o chão, acabando assim com as esperanças dos Steelers de seguir em frente. Eis que, porém, “do nada” surge o RB Franco Harris para agarrá-la à centímetros do chão e correr até a endzone, surpreendendo a todos com o touchdown da vitória. Até hoje essa jogada é lembrada como “The Immaculate Reception”. Os metalúrgicos, porém, não tiveram sucesso na final da AFC, sendo derrotados pela sensação da temporada, os invictos Miami Dolphins.

Mesmo assim, a Immaculate Reception se mostrou um ponto de virada no momento do clube, que conseguiu manter o trabalho positivo e fez uma campanha 10-4 em 1973, se classificando para os playoffs via wildcard, indo para a pós temporada duas vezes seguidas pela primeira vez na história. Logo de cara os Raiders tiveram a revanche pelo ano passado, eliminando o time de Pittsburgh com uma vitória de 33-14 na Califórnia.

No ano de 1974, porém, o inconsistente QB Terry Bradshaw voltou a trazer o sentimento de insegurança em Pittsburgh, chegando a ser substituído pelo reserva Joe Gilliam em alguns jogos. Como Gilliam não se saiu muito melhor, Bradshaw retornou ao posto de titular dos Steelers, campeões da AFC Central com 10-3-1, principalmente graças a Steel Curtain (a Cortina de Ferro), uma defesa dominadora como nunca se tinha visto antes, liderada pelo Defensive Player of the Year, o DT “Mean” Joe Greene.

Passando pelo Buffalo Bills por 32-14 e conquistando o título da AFC Championship, derrotando o Oakland Raiders por 24-13, os Steelers foram para o seu primeiro Super Bowl naquele ano. Após 40 anos de frustração, o presidente Art Rooney finalmente levou o time da Pennsylvania à glória máxima, vencendo o time do Minnesota Vikings no Super Bowl IX por 16-6, um jogo em que a Steel Curtain fez jus à fama. O único TD dos Vikings veio através de um punt bloqueado e retornado para a endzone. O extra point acabou não sendo convertido.

Em 1975, empolgados em defender o título nessa temporada, os Steelers estavam em seu auge. Foram campeões da AFC Central mais uma vez, com uma campanha 12-2, marcando 46 touchdowns, o 5º melhor ataque da liga com a média de 26.6 pontos por jogo e a 2ª melhor defesa, com 11.6 pontos cedidos em média por partida. O time tinha encontrado equilíbrio perfeito, com o RB Franco Harris correndo para 1.246 jardas, o segundo anista WR Lynn Swann, que tivera apenas 11 recepções no ano passado, marcou 11 TDs nesta temporada. A defesa continuava devastadora, tendo pela segunda vez seguida um jogador eleito como Defensive Player of the Year, desta vez com o CB Mel Blount.

Mas o destaque maior talvez vá para o QB Terry Bradshaw, que pela primeira vez na carreira teve uma temporada consistente, passando para 2.055 jardas e 18 touchdowns, sofrendo 9 interceptações. Essa foi a única vez que ele alcançou o dobro de TDs por interceptação em uma temporada.

Nos playoffs, os Steelers despacharam o Baltimore Colts por 28-10 e reencontraram o Oakland Raiders na final da AFC. Em um jogo pegado entre duas defesas duras de serem batidas, a Steel Curtain prevaleceu e saiu vitoriosa por 16-10. Os Steelers iriam para o Super Bowl X.

O jogo

OrangeBowl

Em Miami, 80.187 compareceram ao Orange Bowl para acompanhar a partida entre o Dallas Cowboys e o Pittsburgh Steelers, no dia 18 de janeiro de 1976. Em casa o público acompanhando pela televisão foi de, aproximadamente, 80 milhões de pessoas, o recorde de audiência da época. O duelo entre essas duas equipes era aguardado com muita expectativa pela imprensa e pelos fãs do futebol americano, pois colocava frente a frente os dois times mais populares da América no momento, tendo estilos opostos: o sólido Steelers, do jogo com a bola sob controle e da eficiência de jogadas bem executadas. Contra a ousadia dos Dallas Cowboys, um time apelidado de “flex”, sem medo nenhum de arriscar tudo para vencer.

Primeiro os Steelers entraram em campo, com a linha defensiva se apresentando a todos no estádio. Em seguida veio o head coach Chuck Noll e o resto do time de Pittsburgh atrás. A maioria de torcedores dos Steelers no estádio marcou presença vaiando alto a linha ofensiva dos Cowboys, quando eles entraram em campo abrindo caminho para Tom Landry e o resto do time do Texas.

Com todos em campo, os capitães de ambos os times se cumprimentaram e aproveitaram para fazer o cara e coroa, do qual o quarterback dos Cowboys, Roger Staulbach, ganhou, e escolheu por receber a bola no primeiro tempo, tendo o vento a seu favor.

Um Orange Bowl inteiro em pé ouviu e se emocionou com o hino nacional americano, antes que o kicker dos Steelers, Roy Gerela, desse o  kickoff e iniciasse finalmente o Super Bowl X.

O chute foi recebido pelo RB Preston Pearson, que mal agarrou a bola e já fez um reverse para o LB Thomas Henderson retornar. A defesa dos Steelers caiu no truque, e o defensor dos Cowboys conseguiu chegar até a linha de 44 jardas do seu próprio campo, até ser parado por Roy Gerela.

Se o time de especialistas dos Cowboys começou surpreendendo positivamente, o de ataque não seguiu o exemplo. Na primeira jogada o QB Roger Staulbach sofreu um sack e um fumble, recuperado pelo C John Fitzgerald. A defesa dos Steelers deixou seu cartão de visitas, obrigando os Cowboys a puntear.

Mitch Hoopes punteou para Glen Edwards receber e ir até a linha de 18 jardas. Contando exclusivamente com as corridas de Franco Harris para fazer as jogadas, os Steelers conquistaram a primeira descida, mas a defesa flex dos Cowboys se arrumou para conter o RB adversário. Também partindo pro punt, o que os Steelers não esperavam era que o P Bobby Walden sofresse um fumble, recuperado por ele mesmo, porém sendo derrubado na linha de 29 jardas do campo de defesa.

Com essa boa posição de campo, Roger Staulbach não teve medo de arriscar: read option e passe de 29 jardas para o WR Drew Pearson marcar o primeiro touchdown da partida. O placar estava inaugurado, 7 – 0 para os Dallas Cowboys.

ec6b17e82757bed3af4f363d72ea6abdDrew Pearson em direção a endzone

Os Steelers não iam deixar barato. Após receber a bola de volta, abusaram das corridas dos RBs Franco Harris e Rocky Bleier, e também contaram com uma recepção genial de Lynn Swann, num passe de 32 jardas de Terry Bradshaw, para chegar à linha de 7 jardas do adversário. Na situação de 3ª pra 1 jarda, Bradshaw enganou a todos fazendo uma formação de corrida, com dois TEs em campo. Porém um deles, Randy Grossman, se desvencilhou da marcação e correu para a endzone, receber o lançamento do seu QB. O Pittsburgh Steelers empata a partida, 7 – 7 agora. Essa é a primeira vez que ambos os times pontuam no primeiro quarto em um Super Bowl.

920x920A grande recepção de Lynn Swann

A Steel Curtain partiu para cima dos Cowboys  com blitz, porém não conseguiram parar o FB Robert Newhouse, que levou a bola até a linha de 36 em uma longa campanha de 5 corridas. O primeiro quarto se encerrou, e com a chegada do segundo quarto, Dallas teve que optar pelo field goal. O K Toni Fristch acertou o chute de 36 jardas, trazendo os Cowboys de volta a liderança no placar por 10 – 7.

Em uma das campanhas de destaque do segundo quarto, Roger Staulbach levou os Cowboys até a linha de 20 jardas dos Steelers, com passes longos e precisos. A defesa dos metalúrgicos, porém, não estava para brincadeira: sackou o QB duas vezes, para uma perda total de 25 jardas. Os Cowboys tiveram que puntear a bola.

Os Steelers receberam a bola em uma posição ruim de campo. Terry Bradshaw teve que recuar até a endzone para tentar encontrar algum recebedor. E ele conseguiu. Bradshaw fez a bola atravessar 50 jardas e encontrar Lynn Swann, que fez a recepção e deu folego pra Pittsburgh. O ataque conseguiu chegar até a linha de 36 jardas apenas, e aos 26 segundos, o K Roy Gerela chutou a bola a esquerda do gol. O primeiro tempo do Super Bowl X acabava ali.

O segundo tempo começou com os Steelers recebendo a bola e não conseguindo converter a primeira descida. Ao entregar a bola para os Cowboys, o QB Roger Staulbach lançou uma interceptação para o CB J.T. Thomas.

Na posse seguinte dos Steelers, o ataque avançou o suficiente para colocar o kicker Roy Gerela na linha de 23 jardas para tentar o Field Goal, mas ele errou mais uma vez. Graças a jogadas como essa, e ao desempenho em alto nível de ambas as defesas, o placar se manteve intacto no terceiro quarto: 10 – 7 para o Dallas Cowboys.

Logo no inicio do último quarto, o ataque de Dallas ia puntear a bola para os Steelers. O CB Reggie Harrison, porém, invadiu a linha ofensiva dos Cowboys e conseguiu bloquear o chute do P Mitch Hoopes, fazendo a bola sair pela endzone. Pela regra, isso é considerado um safety. Os Steelers diminuíram a diferença no placar para 10-9, e agora o momentum era todo deles.

24d860c4e0af94f6f110ce0eb1047e63A bola não passou por Reggie Harrison

Ao receberem a bola, os Steelers chegaram até a linha de 20 e não conseguiram prosseguir, Roy Gerela ia chutar de novo. Na linha de 36, por incrível que pareça… dessa vez ele acertou! Os Steelers viram o jogo, 12-10!

Na jogada seguinte, os Cowboys tentam conquistar a primeira descida para voltar pro jogo, quando o QB Roger Staulbach lança uma interceptação para o LB Mike Wagner. O defensor retorna até a linha de 7 jardas de Dallas. A defesa conseguiu segurar os Steelers antes da endzone, e sendo assim, Pittsburgh parte para o field goal mais uma vez. Dessa vez, Roy Gerela converte um chute fácil de 19 jardas. A vantagem agora era de 15-10.

920x920 (1)Mike Wagner intercepta o passe de Roger Staulbach

Faltando pouco mais de 4 minutos para o fim da partida, os Steelers estavam com a bola na sua linha de 36 jardas, com uma 3ª para 6. A defesa dos Cowboys foi com peso na blitz para cima de Terry Bradshaw, mas o QB não se apavorou e acabou fazendo um dos maiores lances dos Super Bowls. Escapando do tackle de um defensor, Bradshaw olhou longe e fez um passe de 64 jardas para o WR Lynn Swann, que recebeu na linha de 5 e correu para a endzone. Graças ao extra point perdido por Roy Gerela (sim, é verdade), os Steelers abriram 21-10.

O receiver autor do touchdown, Lynn Swann, surpreendeu a todos indo a campo no Super Bowl X. No jogo da AFC Championship, contra o Oakland Raiders, Swann recebeu um tackle forte (porém legal) do defensor George Atkinson, sofrendo uma grave concussão. Ele chegou a ficar dois dias no hospital depois da pancada. Mas como sabemos, ele jogou no Orange Bowl, em Miami, e acabou sendo eleito o MVP da partida, após completar 4 recepções para 161 jardas e um touchdown.

C4S_swann013009_54621a_8colSwann foi o primeiro WR a ser eleito MVP do Super Bowl

Os Cowboys tinham 3:02 minutos para conseguir dois touchdowns, e Roger Staulbach sabia que tinha trabalho a fazer. Conduziu o time ao ataque com passes precisos, levando o time até a linha de 39 jardas do ataque até o two minute warning.  Na volta do intervalo, Staulbach fez um lançamento para a endzone e encontrou Percy Howard sozinho na endzone. O placar estava 21-17 para os Steelers, com pouco menos de 2 minutos de jogo restante.

Essa, curiosamente, foi a única recepção de Percy Howard em toda a sua carreira na NFL.

Os Steelers recuperaram a tentativa de onside kick dos Dallas Cowboys, porém só conseguiram chegar até a linha de 38 jardas do ataque, antes de sofrerem turnover on downs (perderem a bola por não converterem uma quarta descida).  Perguntado mais tarde o motivo pela escolha de arriscar uma quarta descida ao invés de puntear a bola, o head coach dos Steelers, Chuck Noll, explicou que não sentia que podia confiar nos seus chutadores naquela partida (o kicker Roy Gerela perdeu dois field goals e um extra point, o punter Bobby Walden teve dois chutes bloqueados e sofreu um fumble).

Com 1:22 no relógio, essa é a chance dos Cowboys virarem a partida. O QB Roger Staulbach correu até a linha de 48. Na jogada seguinte lançou para o WR Preston Pearson na linha de 38, mas o recebedor correu para dentro do campo, e não para fora, fazendo com que o relógio continuasse rodando.  Com 18 segundos restantes, Staulbach sofre fumble no snap, recupera a bola e lança para a endzone. Percy Howard não consegue a recepção. O QB insiste em outro passe para a endzone, que também não dá resultado. Os Cowboys tinham 3 segundos para fazer um touchdown ou saírem derrotados do Orange Bowl, o jogo seria decidido na próxima jogada.

Roger Staulbach lança mais uma vez para a endzone, esperando por um milagre. Mas não foi isso que aconteceu naquele dia. O LB Mike Wagner desviou a bola no ar, permitindo que o safety Glen Edwards intercepte o passe e consagre o Pittsburgh Steelers como campeões do Super Bowl X!

87072a675e5c68642df28b15d593dc85Mike Wagner na jogada de vida ou morte do Super Bowl X

Pós jogo

O Pittsburgh Steelers se tornou o terceiro bicampeão do Super Bowl, se juntando ao Green Bay Packers (1967 e 1968) e o Miami Dolphins (1973 e 1974). Terry Bradshaw e sua turma voltou a disputar um Super Bowl em 1979, contra o mesmo Dallas Cowboys, saindo vitorioso mais uma vez. Aquele Steelers de 1979 é até hoje considerado o melhor time da história da franquia, e acabou conquistando mais um bicampeonato, derrotando o Los Angeles Rams em 1980.

Hoje os Steelers são os maiores ganhadores do Super Bowl, com seis Lombardi Trophies no total. Do time de 1975, o RB Franco Harris é até hoje o recordista da franquia em jardas corridas, com 11.950. O técnico Chuck Noll é o mais vitorioso comandando o time de Pittsburgh, com 193 vitórias na carreira.

Apenas o DT “Mean” Joe Greene, estrela da Steel Curtain, teve sua camisa número 75 aposentada pelos Steelers.

Após a derrota, os Cowboys disputaram o Super Bowl de novo em 1978, vencendo o Denver Broncos na ocasião. Em 1979 tentaram se tornar o quarto time bicampeão da época, mas como foi dito, os Steelers não deixaram. Hoje o Dallas Cowboys está empatado com o San Francisco 49ers, como o segundo time com mais Super Bowls conquistados, com cinco.

Do time de 1975, o único recordista da franquia é o técnico Tom Landry, que teve 250 vitórias ao longo de sua carreira.

Assim como Texans, Jaguars e Raiders, o Dallas Cowboys é um dos poucos times da NFL que não aposentou a camisa de nenhum jogador de sua história.

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