Especial Super Bowl: Super Bowl XL

É hoje, amigo fã da bola oval! Carolina Panthers e Denver Broncos vão fazer a grande final do futebol americano em Santa Clara, Califórnia, e nós do HTE Sports fizemos uma série de postagens especiais, lembrando de 5 edições anteriores da grande celebração do esporte que é o Super Bowl.

Falamos do Super Bowl I, do Super Bowl X, do Super Bowl XX e do Super Bowl XXX, cada um representando uma década da história do confronto. Aqui, vamos falar sobre o Super Bowl XL, disputado entre o Pittsburgh Steelers e o Seattle Seahawks.

Sempre lembrando, todos os detalhes do Super Bowl 50 e de toda a temporada da NFL, você pode acompanhar no nosso twitter @HTE__Sports!

Contexto histórico

O ano de 2005 teve dois acontecimentos que merecem destaque: pela primeira vez na história, a NFL mandou um jogo para fora dos Estados Unidos. O Arizona Cardinals “recebeu” o San Francisco 49ers no Estadio Azteca, no dia 2 de outubro, e venceu por 31-14. O Arizona Cardinals foi escolhido para esse jogo por causa da baixa média de público que o time tinha em casa, quase nunca enchendo o estádio. Nessa partida, “apenas” 103.467 mexicanos compareceram. De volta para o presente, recentemente a NFL anunciou que fará mais uma edição de um jogo de temporada regular no México. No dia 21 de novembro, Oakland Raiders e Houston Texans se enfrentam no mesmo Estadio Azteca, na Cidade do México.

Já dentro dos Estados Unidos, porém fora de campo, tivemos uma séria catástrofe: 2005 foi o ano em que a América sofreu com a ocorrência do Furacação Katrina. De longe, a região mais afetada foi a grande área de New Orleans, incluindo o Louisiana Superdome, casa dos Saints. Isso obrigou os Saints a se instalar temporariamente em San Antonio, Texas, e mandar jogos no Alamodome ou no estádio da LSU, em Baton Rouge, Louisiana.

A temporada, é claro, não foi nada boa para os Saints. Com uma campanha 3-13, atingiram a sua pior marca desde 1999.

Pittsburgh Steelers

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Comandado pelo QB Tony Maddox, o Steelers de 2003 não se saiu muito bem, com uma decepcionante campanha de 6-10. Na segunda partida do time em 2004, uma sonora derrota para os Baltimore Ravens por 30-13, os Steelers perderam seu QB para uma lesão no cotovelo e tiveram que optar por seu reserva, o rookie Ben Roethlisberger. No olho do furacão, porém, “Big Ben” não mostrou nervosismo nenhum em sua temporada de estreia. Ao contrário, levou os Steelers à uma temporada 15-1, invicto, sendo que a única partida que o time de Pittsburgh perdeu fora a que Tony Maddox se lesionou.

Não só isso, Big Ben impressionou a todos comandando o time em vitórias expressivas, como contra os rivais Cleveland Browns e Cincinatti Bengals em casa, em sua segunda e terceira partida pelo time, respectivamente, além de derrotar os Cowboys fora de casa em seguida. Os Steelers também derrotaram o New England Patriots, que já não perdia há 21 jogos, e na semana seguinte impôs “apenas” 27-3 contra o último time invicto na temporada, o Philadelphia Eagles.  Nos playoffs, uma vitória na prorrogação contra os Jets fez os Steelers chegarem à final da AFC, na qual o New England Patriots teve sua revanche e derrotou os metalúrgicos por 41-27.

A temporada de 2005 não foi tão boa assim, principalmente por causa das lesões que os Steelers sofreram. Os RBs Jerome Bettis e Duce Staley se machucaram, fazendo com que o segundo anista Willie Parker assumisse a titularidade. O QB sensação Ben Roethlisberger também sofreu com uma contusão no joelho esquerdo, indo a campo mesmo estando machucado e agravando ainda mais a lesão, sendo obrigado a operar no meio da temporada. O QB reserva, Tony Maddox, se mostrou mais uma vez inconfiável e acabou sendo substituído pelo terceiro quarterback, Charlie Batch, que até se saiu bem, porém também se machucou (quebrou a mão, que zica é essa Steelers?).

Por sorte, na mesma semana Big Ben voltava ao time, após se recuperar de cirurgia. Os Steelers terminaram com uma campanha 11-5, alcançando a seed 6 da AFC e indo para os playoffs. Com a média de 24.3 pontos por partida, foram apenas o 9º melhor ataque do campeonato. Os destaques vão para as 1.202 jardas corridas pelo RB Willie Parker e os 11 TDs recebidos pelo WR Hines Ward. O grande destaque da equipe mesmo era a defesa, 3ª melhor da liga com a média de 16.1 pontos cedidos por jogo. Entre tantos bons jogadores, podemos destacar os LBs James Farrior (74 tackles), Joey Porter (2 INT, 1 fumble recuperado e 10.5 sacks) e o S Troy Polamalu (2 INT, 1 TD após recuperar fumble).

Nos playoffs, os Steelers venceram o clássico contra os Bengals  de Carson Palmer no wild card por 31-17, seguraram Peyton Manning e os Colts em um 21-18 com emoção até o último instante, e amassaram os Broncos por 34-17, com direito até a TD corrido do gigante Big Ben.

Seattle Seahawks

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Nos anos 2000 os Seahawks eram claramente um time em desenvolvimento. Em 2001 e 2002, o time teve inconsistentes campanhas de 9-7, enquanto o jovem Matt Hasselbeck pegava o lugar do QB Trent Dilfer. Em 2003 se classificaram para os playoffs via wildcard, com uma campanha 10-6, enfrentando o ex-time do técnico Mike Holmgren, o Green Bay Packers, onde ele foi campeão do Super Bowl em 1996 e derrotado pelos Broncos em 1997. O jogo foi para o overtime, após um emocionante 27-27. Na prorrogação, os Seahawks ganharam a primeira posse e foram com tudo, sedentos pela vitória. No entando, Matt Hasselbeck acabou se empolgando demais, lançando uma INT para o defensor Al Harris, que retornou e marcou o TD da vitória para o adversário.

Em 2004, o ainda inconsistente Seattle Seahawks conseguiu mais uma vez chegar aos playoffs, sagrando-se campeão da NFC West com uma campanha 9-7. A temporada dos Seahawks ficou marcada por duas derrotas para o St. Louis Rams, seus rivais de divisão, que também seriam seus adversários nos playoffs daquele ano. Mais uma vez, Seattle perdia para St. Louis, agora por 27-20. No último lance do jogo, uma quarta descida, tudo que Matt Hasselbeck queria era compensar seu erro na prorrogação, no ano passado, e para isso lançou uma bola na endzone para o WR Bobby Engram, livre. O receiver deixou a bola escapar no meio de suas mãos, e assim os Seahawks não seguiriam em frente na pós temporada.

O sentimento para 2005 em Seattle era: é agora ou nunca para o técnico Mike Holmgren, após dois fracassos seguidos nos playoffs. Então, o agora venceu o nunca, sendo que os Seahawks fizeram uma campanha 13-3, conquistando a NFC West mais uma vez. Seattle teve nada menos que o melhor ataque da liga, com 54 TDs marcados e média de 28.2 pontos por jogo. O QB Matt Hasselbeck lançou 24 TDs e apenas 9 interceptações, alcançando 3.459 jardas. Mesmo assim, o destaque do time era o RB Shaun Alexander, eleito Ofensive Player of the Year e MVP da temporada pela NFL. Alexander correu para 1.880 jardas e 27 TDs, além de 1 TD aéreo.

A defesa não brilhava tanto como o ataque, mas mesmo assim jogava em alto nível, sendo a 7ª melhor da liga, com uma média de 16.9 jardas cedidas por jogo. O destaque do time defensivo com certeza era o LB Lofa Tatupu, que teve 3 INT e um retorno para TD, além de dar 85 tackles e ainda recuperar um fumble. Outros destaques também são os defensive linemen Rocky Bernard (8.5 sacks e 2 fumbles recuperados) e Bryce Fisher (9 sacks e 2 fumbles forçados).

Nos playoffs, os Seahawks perderam a estrela Shaun Alexander, que sofreu uma concussão, porém contaram com o QB Matt Hasselbeck para liderar o time em uma vitória de 20-10 contra o Washington Redskings. Essa foi a pimeira vitória de Seattle nos playoffs em 21 anos. Na final da NFC, já com Alexander de volta, os Seahawks não deram chance para os Panthers e venceram tranquilamente por 34-14.

O jogo

No Ford Field, Detroit, 68.206 pessoas compareceram para assistir o Super Bowl XL, que teve inicio com o chute de Jeff Reed para o retorno de Josh Scobey, na linha de 18, para os Seahawks.

O primeiro quarto de jogo não foi muito movimentado, com o Seattle Seahawks começando ligeiramente melhor. O Pittsburgh Steelers não conseguiu nenhuma primeira descida nos 15 minutos iniciais de jogo. Na marca de 2 minutos, Matt Hasselbeck fez um passe de 47 jardas para o WR Darrell Jackson, livre na endzone. Os árbitros, no entanto, marcaram uma interferência de ataque do recebedor. Os Seahawks tiveram que se contentar com o field goal do K Josh Brown. Ao fim do primeiro quarto, o placar apontava 3-0 para os Seahawks.

Na segunda metade do primeiro tempo, as coisas não pareciam ter mudado muito. Aos 10 minutos, o ataque dos Steelers parecia ter engrenado, avançando com o jogo aéreo até que… em uma tentativa de passe para Antwaan Randle El, o QB Ben Roethlisberger foi interceptado pelo safety Michael Boulware.

Aos 4:17, após uma falta e um sack, os Steelers estavam na linha de 40 do ataque em uma situação de terceira para 28. Surpreendendo a todos, Big Ben sai do pocket depois do snap e faz um passe de 37 jardas para o WR Hines Ward, na linha de 3. Eles tentaram duas vezes com o RB Jerome Bettis, porém os Steelers chegaram apenas à linha de 1, no momento em que o jogo chega ao two minute warning.

Conforme o jogo voltou, o QB Ben Roethlisberger mergulhou na endzone para marcar o touchdown. A marcação foi duvidosa, uma vez que ninguém chegou a ter certeza se a bola realmente alcançou a linha de gol ou não. Apesar disso, a jogada foi revisada e o TD foi mantido. Os Steelers viraram o placar para 7-3.

Steelers quarterback Ben Roethlisberger dives for the endzone during the matchup between the Steelers and the Seahawks for Super Bowl XL at Ford Field, in Detroit, Michigan on February 6th, 2006. The Steelers won 21-10. (Photo by Larry Maurer/Getty Images)
(Photo by Larry Maurer/Getty Images)

O K dos Seahawks ainda perderia um FG de 54 jardas antes do segundo quarto acabar e o jogo ir para o intervalo.

Logo no primeiro drive dos Steelers no segundo tempo, Big Ben fez o handoff para o RB “Fast” Willie Parker, que correu por 75 jardas sem nem ao menos ser tocado por algum defensor dos Seahawks, até chegar na endzone e ampliar a vantagem. 14-3 para os Steelers agora.

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A corrida de Willie Parker se tornou a maior na história do Super Bowl. Crédito de imagem: mmqb.si.com

Os Seahawks receberam a bola em seguida e avançaram até uma 4ª para 5, onde o K Josh Brown entrou em ação de novo e… perdeu outro FG! Dessa vez de 50 jardas. O placar continuaria 14-3 para os Steelers.

Os Steelers estavam prestes a aumentar ainda mais a vantagem, chegando à linha de 4 jardas em 7 jogadas, quando Big Ben lança a bola para o WR Cedrick Wilson na endzone e… ela é interceptada pelo CB Kelly Herndon!

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O retorno de Herndon de 76 jardas bateu o recorde de maior corrida defensiva do Super Bowl. Crédito de imagem: www.seattlepi.com

O defensor retornou para 76 jardas, chegando até a linha de 20 do campo de ataque dos Seahawks. Dali não foi difícil para Matt Hasselbeck: o QB fez um passe de 16 jardas para o TE Jerramy Stevens na endzone, touchdown Seattle. O placar agora indicava 14-10 para os Steelers, e os Seahawks voltavam pro jogo.

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Crédito de imagem: bensalloutblitz.blogspot.com

 No começo do último período de jogo, os Seahawks chegaram até a linha de 19 jardas, onde o QB Matt Hasselback fez um passe de 18 jardas para o TE Jerramy Stevens. A jogada, no entanto, foi anulada por uma marcação polêmica de holding em cima do tackle Sean Locklear.

Graças à essa marcação, a 1ª para 10 virou 1ª para 20, 2ª para 25 depois de um sack do NT Casey Hampton, 3ª para 18 e então… interceptação de Ike Taylor no passe de Hasselbeck na linha de 5 jardas!

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Crédito de imagem: www.nydailynews.com

Na jogada seguinte, os Steelers estavam na linha de 43 jardas de ataque quando Big Ben faz um handoff para o RB Willie Parker. Parker, no entanto, faz o famoso reverse, entregando a bola para o WR Antwaan Randle El, que jogou como QB em seus tempos de futebol universitário. Randle El lança para a endzone e encontra Hines Ward livre, touchdown Steelers! Pittsburgh estava na frente de Seattle por 21-10!

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O MVP da partida, Hines Ward, correndo para o touchdown. Crédito de imagem: www.nydailynews.com

 Apesar de ainda ter 8:56 minutos no relógio, os Seahawks não conseguiram pontuar de novo no jogo, e o Pittsburgh Steelers conquistou o Super Bowl XL!

Pós jogo

O Pittsburgh Steelers voltaria a disputar um Super Bowl três anos depois, derrotando o Arizona Cardinals em 2009 e se tornando a franquia mais vencedora da competição, com 6 Lombardi Trophies no total.

Do time vencedor de 2005, o WR Hines Ward detêm o recorde da franquia de mais jardas recebidas, com 12.083. O recorde de jardas passadas é do QB Ben Roethlisberger, que está até hoje em atividade pelos Steelers. Até o momento em que esse texto está sendo escrito, a marca do Big Ben é de 49.995 jardas.

O Pittsburgh Steelers é um dos times mais rigorosos na seleção de camisas de jogadores para aposentar, tendo imortalizado apenas duas em toda a sua história. Do time vencedor do Super Bowl XL, nenhum jogador teve sua camisa aposentada.

Após perder o primeiro em que participou, o Seattle Seahawks voltaria para o Super Bowl em 2014, quando atropelou o Denver Broncos de Peyton Manning por 43-8 e conquistou seu primeiro e único Lombardi Trophy.

Matt Hasselbeck é o maior passador da história dos Seahawks, com 29.434 jardas. O RB Shaun Alexander é o detentor do recorde de mais jardas corridas, somando 9.429. O técnico Mike Holmgren é o técnico mais vitorioso comandando os Seahawks, tendo alcançado a marca de 86 vitórias em Seattle.

Do time que disputou o Super Bowl XL, apenas o LT Walter Jones teve a sua camisa, número 71, aposentada no Seattle Seahawks.

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