Especial Super Bowl: Super Bowl XX

Seguimos com nossa série especial lembrando alguns dos Super Bowls antigos e especiais, em homenagem aos 50 anos da grande decisão da NFL que completa-se agora em 2016, com a disputa entre Denver Broncos e Carolina Panthers.  Como foi durante toda a pós-temporada, o nosso twitter @HTE__Sports estará com cobertura total do evento e você está convidado a comentar com a gente.

Já falamos aqui do Super Bowl I e do Super Bowl X aqui no nosso especial, então chegou a vez de voltarmos para o ano de 1986, mais precisamente dia 26 de janeiro, quando Chicago Bears e New England Patriots se enfrentaram no Lousiana Superdome, em New Orleans, para o Super Bowl XX.

Contexto Histórico

Os anos 80 marcaram a entrada de grandes jogadores na NFL, como Jonh Elway e Joe Montana. Também tivemos a greve dos jogadores em 1982, que reduziu a temporada regular para apenas 9 jogos. A temporada de 1985 foi disputada por 28 equipes, em três divisões por conferencia, sendo duas com cinco equipes e uma com quatro. Os campeões de divisão e os dois melhores não campeões disputavam a pós-temporada.

A temporada iniciada em 1985 também trouxe algumas modificações de regra, tais como:

  • Logo após um time pedir um tempo (time out) durante o two minute warning de cada tempo, deverá durar apenas 60 segundos ao invés de 90.
  • A jogada é dada por encerrada quando um quarterback faz um kneel-down (quando o QB ajoelha com a bola imediatamente após o snap) depois do two minute warning de cada tempo. A bola é então posta no ponto onde o jogador pisou no chão.
  • Pass interference (interferência) não é mais aplicada quando for julgada uncatchable, ou seja, quando a bola não pode ser pega pelo recebedor.
  • Tanto o “Roughing the kicker” ou “Running into the kicker”, que são faltas aplicadas contra o chutador, não são chamadas se o kicker for bloqueado.
  • A definição de um fair catch válido será somente se o retornador esticar as mãos completamente e sinalizar balançando o braço de um lado para o outro.
  • Pular em cima de um companheiro, usando-o para ganhar impulso, para bloquear um chute é considerado ilegal (leaping).

New England Patriots

Elenco de 1985 dos Patriots. Foto: Boston.com

A temporada de 1985 começou devagar para o Patriots. Com três derrotas nos primeiros cinco jogos, o QB Tony Eason perdeu a titularidade para Steve Grogan que engatou seis vitórias consecutivas, seu melhor momento da carreira. O último jogo da temporada regular poderia garantir o título da divisão para a equipe de New England, mas Grogan lesionou-se seriamente e a derrota veio para o NY Jets, por 16-13. Com isso, o Patriots entrou nos playoffs somente via Wild Card e o inconstante Tony Eason voltaria para o time.

Porém, na pós-temporada, Eason deixou a irregularidade de lado. Com 4 FGs certeiros do Kicker Tony Franklin, o Patriots bateu o NY Jets por 26-14 no antigo Giants Stadium e conquistou sua primeira vitória em playoffs em 22 anos. Na semana seguinte a vítima foi o LA Raiders, melhor campanha da AFC na temporada, por 27 x 20. E, na final da AFC, vitória sobre o Dolphins de Dan Marino por 31 x 14. O New England Patriots era a primeira equipe a chegar ao Super Bowl vencendo as três partidas de playoffs fora de seus domínios.

Chicago Bears

Destaques do Bears de 1985. Foto: Barcodegames.com

Ao contrário do New England, a temporada do Chicago Bears beirou a perfeição. Foram 15 vitórias e apenas uma derrota. Curiosamente, a derrota veio para o Miami Dolphins, única equipe até então que registrou uma temporada regular invicta. O jogo contra a equipe de Dan Marino era considerado por muitos como a prévia do Super Bowl da temporada. O Chicago Bears daquele ano apresentou um sistema defensivo revolucionário, denominado 46 defense, com 8 jogadores na linha de scrimmage. Individualmente, destacavam-se daquela equipe Mike Singletary, Richard Dent (17 sacks na temporada) e Leslie Frazier. Os números impressionam. Foram 64 sacks e 34 interceptações na temporada regular. No ataque, o grande destaque certamente era o RB Walter Payton, que correu para 1.551 jardas na temporada regular e 9 TDs, além de receber para mais 483 jardas e 2 TDs.

Após a temporada regular quase perfeita, o Bears folgou na primeira rodada dos playoffs, enfrentando o NY Giants no Divisional Round, com vitória por 21 x 0. O LA Rams foi o adversário na final da NFC e o placar foi 24 x 0. Isso mesmo que você leu, em dois jogos de playoffs o Chicago Bears não sofreu 1 ponto sequer, nem um mísero FG. Essa defesa era fantástica mesmo e isso ficaria provado na durante o Super Bowl.

O jogo

Vista de cima do SuperDome. Foto: BloxImages

O Superdome recebeu 73 mil 818 pessoas naquele dia para o grande jogo da temporada. Mas não deu para ter muita emoção em campo. Walter Payton até quis dar um susto na torcida com um fumble logo no começo do jogo que o New England transformou em um FG para abrir o placar, pontuação mais rápida da história do Super Bowl até então. Mas era muito difícil jogar contra essa extraordinária defesa. New England tentou correr 11 vezes com a bola durante o jogo, para incríveis média de 0.6 jardas por tentativa. Se a defesa não deixava o jogo corrido do Patriots acontecer, tão pouco deixava que Eason tivesse algum sossego para o passe. Foram 7 sacks ao longo do confronto.

Com bons posicionamentos de campo e ótimos trabalhos do RB Walter Payton e do FB Matt Suhey, o Bears foi abrindo cada vez mais o placar, marcando a maior diferença em um jogo de Super Bowl até então, terminando com 46 x 10. O DE Richard Dent, que teve 1,5 sacks, 2 fumbles forçados e um passe bloqueado foi eleito o MVP do confronto. Não podia ser diferente para um time que fez história com sua defesa, ter um jogador dessa unidade eleito o mais valioso desse confronto. O Bears que não vencia o título nacional desde 1963, antes da unificação da NFL, conquistava seu primeiro e único Super Bowl de sua história.

Pós Jogo

Do elenco campeão, Richard Dent, Dan Hampton, Mike Singletary e Walter Payton, além o trienador Mike Dikita entraram para o Hall da Fama da NFL. Walter Payton dá nome hoje ao prêmio que homenageia o jogador do ano nos trabalhos sociais.

Pelo lado de New England, o treinador Raymond Berry além de John Hannah e Andre Tippett estão no Hall da Fama. A glória chegaria para New Englanda 15 anos depois, com a era Bill Belichick e Tom Brady, com 6 aparições no Super Bowl e quatro Lombardies conquistados.

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Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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