O fator Petr Cech

Texto: Matheus Santos

O futebol assim como a mais perfeita mimese da vida em que vivemos nos apresenta surpresas a todos os momentos e em agosto de 2015, na cidade de Londres, ele apresentou uma de suas maiores facetas dos últimos tempos nesse sentido, Petr Cech, multicampeão e ídolo do Chelsea se transferiria para o Arsenal após onze anos no clube azul de Londres.

Foram semanas de negociações até tal desfecho, Mourinho que até então era treinador do Chelsea mostrava-se contrário à venda de um de seus jogadores de confiança para um rival, enquanto Arsène Wenger e seu staff tratavam de convencer o arqueiro a se juntar ao elenco da equipe.

Seu início no clube foi tenso, é verdade, algumas derrotas e empates seguidos por falhas suas deixaram alguns torcedores com uma pulga atrás da orelha em relação ao estágio de carreira que o goleiro estaria entrando. No entanto, conforme o arqueiro foi adquirindo minutos e recuperando sua confiança, ele foi voltando a mostrar ser aquele jogador que todos esperavam ver em ação, culminando assim num estado grande de admiração da torcida do clube com ele.

Não era pra menos, Petr Cech trazia para o Arsenal muito do que uma equipe que procura ser campeã precisa, falo de segurança, além disso, o goleiro que orienta o setor defensivo em três idiomas, sendo eles o espanhol, o francês e o inglês ajuda muito na organização e no suporte defensivo como um todo do time –coisas que vinham deixando a desejar nas atuais equipes montadas por Wenger– e que todos já pareciam ter enxergado, menos, obviamente, o treinador da equipe londrina.

Em certo momento quando a negociação estava para ser encerrada, John Terry, lenda do Chelsea, afirmou que seu amigo Petr poderia dar no mínimo 13 pontos ao clube do norte de Londres ao final da época, dito e feito, tendo se passado pouco mais da metade da temporada o arqueiro tcheco já conseguiu com suas defesas importantes (aquelas que evitam gols de empates em partidas que acabam com o resultado mínimo ou até mesmo evitando derrotas) algo muito próximo a isso. E é sobre esses dados que discorrerei nos próximos parágrafos desse texto.

No último domingo na partida diante do Leicester City foi o típico jogo em que o Arsenal de algumas temporadas atrás sairia com um empate ou até mesmo derrotado após ir para cima do adversário e acabar tomando gols no contra-ataque –pense rápido e em silêncio, quantas vezes vocês viram acontecer a situação anterior nos últimos anos em partidas da equipe?–, porém, graças as importantes intervenções de Cech e uma maior solidez defensiva da equipe isso não aconteceu e o clube saiu com os três pontos e vivíssimo na briga pelo título da Premier League 2015/2016.

Nessa partida pudemos ter noção do tamanho da importância de Cech para esse novo Arsenal que vem sendo construído nos últimos anos e que apesar do péssimo mês de janeiro se mostra diferente de outras temporadas, o goleiro que passa uma tranquilidade invejável para seus companheiros em certo estágio da peleja disse sem dizer (sim, aquelas coisas que quem está dentro do campo sente) para eles subirem para o ataque e não se preocuparem que nada mais passaria por ali e são essas pequenas coisas que definem o resultado de uma partida.

Mesmo com o passar dos anos, Cech continua o mesmo
Mesmo com o passar dos anos, Cech continua o mesmo

Não só isso, o jogador que havia atuado poucas vezes na temporada passada já soma 40 partidas disputadas entre clube e seleção, tendo não levado gols em 17 delas. Na Premier League 2015/16 é o goleiro que mais possui clean sheets, no total foram 12 partidas sem que sua meta fosse vazada, dado esse que vem a calhar com o fato de ser o segundo goleiro com mais saves no campeonato (86), perdendo apenas para Butland do Stoke City que possui 88 defesas, além de ser o goleiro com mais vitórias na competição junto de Schmeichel (15).

Não bastasse os dados da atual temporada, o arqueiro se destaca individual e historicamente conseguindo assim o feito de tornar-se o goleiro com maior números de clean sheets na era moderna da Premier League superando o lendário David James que possuía 170 jogos sem que a bola chegasse ao fundo de suas redes. O que mais espanta, porém é que o goleiro precisou de 220 atuações a menos para chegar a tal feito, já que o inglês necessitou de 572 jogos, enquanto Cech ultrapassou o recorde com 352 partidas jogadas na melhor liga do mundo.

Quando o assunto é a comparação com os goleiros que estiveram na meta do clube temporada passada, a diferença qualitativa é substancial, já que Szczezny apesar de suas qualidades e do potencial que sempre apresentou nunca firmou-se como um goleiro worldclass e falhava costumeiramente por excesso de confiança, enquanto Ospina que é bem verdade, possuiu bons momento na última metade da temporada 2014/15 nunca gozou de grande prestígio nem com os torcedores, nem com Wenger.

Os bons números da atual temporada fazem com que a imprensa reporte que Petr Cech irá ganhar um novo salário nos próximos meses, e que apesar do pouco tempo de estadia no novo clube, devido sua liderança e qualidade, que Wenger teria definido que Cech será seu novo capitão após o final da atual temporada, já que Arteta (atual capitão da equipe) deve deixar o clube e Per Mertesacker (vice-capitão) está cada vez mais entrando numa fase onde não pode atuar em todas as partidas.

Por fim, após anos buscando um substituto para Lehmann, indo de Almunia a Ospina e Szczesny, o Arsenal parece finalmente ter um goleiro a altura do clube e numa liga onde cada vez mais uma única bola ofensiva pode decidir a partida ou até mesmo o campeonato, Cech e o Arsenal mostram para todos que a unção da experiência com a qualidade defensiva parece ser a chave para o sucesso e evolução de um clube dentro das quatro linhas.

Se o título da Premier League virá ou não, ninguém sabe, porém é inegável a diferença que alguém como o goleirão tcheco faz para um time que busca a glória máxima dentro de uma competição.


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