Relação Clube-Empresário

14 anos de idade, um moleque bom de bola, que ainda bate bola na várzea, mas carrega o sonho de jogar profissionalmente, tenta diversas vezes testes e mais testes nos grandes clubes e até mesmo nos pequenos, mas a máfia dos empresários atrapalha, muitas vezes vê um jogador que não possui nem metade da qualidade dele ser aprovado, o sonho pouco a pouco vai morrendo. Muitos vão se identificar com isso ou ao menos vão conhecer alguém que já passou por isso.

Com os valores no futebol que cresciam ano após ano, os empresários viram no esporte uma chance de lucrar, e hoje em dia grandes clubes são reféns desses empresários por conta de negócios mal feitos pelos próprios clubes.

Fernando Garcia, talvez no presente, é o maior exemplo disso; dono da Kalunga (empresa de matérias para escritório) ele acumula direitos de grandes promessas da base corintiana, tudo por conta de uma gestão pífia realizada por Mario Gobbi no comando do time alvinegro. Gobbi vendia direitos de jogadores da base por preço de banana pra cobrir dívidas e Fernando Garcia comprou vários deles.

Nos últimos anos Fernando Garcia já chegou a ter direitos em 25 jogadores do elenco corintiano, Malcom, Guilherme Arana, Matheus Pereira, Matheus Cassini são alguns dos jogadores que Fernando Garcia adquiriu praticamente de graça.

A Lei Pelé, que separa os direitos federativos dos direitos econômicos, ajuda os empresários nisso. O comum é que com 16 anos, o jogador assine seu primeiro contrato profissional, onde 70% dos direitos econômicos seja do clube e 30% do próprio jogador, mas isso na prática se torna cada vez mais difícil.

Divisão dos direitos de Malcom antes da venda para o Bordeaux: 30% Corinthians, 40% de Fernando Garcia, 15% de uma empresa ART (de propriedade de Garcia) e 15% para o próprio Malcom.

A FIFA em 2015 deu quatro anos para os clubes se adequarem e se livrar dos empresários, os direitos econômicos dos jogadores não poderá mais pertencer a empresários e sim somente aos clubes. Na teoria é uma ótima ação, mas na prática não mudará nada, clubes-empresários já existem no Brasil, clubes que não tem meta nenhuma a não ser armazenar jogadores para os empresários, o Penapolense no interior de São Paulo, é um exemplo, Fernando Garcia é dono do clube e atualmente possui os direitos de Marlone, meio campo emprestado ao Corinthians.

Os clubes exterminam o próprio futuro para esconder a má gestão atual, a má fase atual do futebol brasileiro em geral tem muito a ver com isso, jovens talentos sendo desperdiçados aos quatro cantos do mundo só pra encher o bolso de empresários.

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Renan Thierre

Antigamente comia areia e catarro, futuramente um professor de História, atualmente editor no HTE Sports e finge que entende de futebol e outros esportes.

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