SOBERANO’S #60 – Quando a organizada é orquestrada, quem perde é o São Paulo

Nesse pouco mais de um ano que comentei aqui sobre o São Paulo no HTE Sports poucos foram os momentos de alegria. Raras foram as oportunidades que tive aqui de exaltar a equipe. O momento vivido no Morumbi nesse período é extremamente complicado e em muitas vezes tive que comentar aqui dos erros de treinadores, elenco e diretoria. Critiquei bastante aqui atletas que não fizeram por onde serem elogiados, como Pato, Ganso, Luis Fabiano, Reinaldo, Lucão, Maicon e Michel Bastos. Mas acho que é hora de tocar em uma ferida sensível: A torcida organizada.

No jogo de ontem (24/02) contra o Novorizontino no Pacaembú pelo Paulista, com vitória tricolor por 2 x 0, as organizadas orquestraram um protesto direcionado ao meia Michel Bastos. Toda vez que o camisa 7 pegava na bola, apitos eram assoprados pela torcida. Quando marcou de pênalti o gol que abriu o placar, o grito de “Michel c#$#$, não fez mais que a obrigação” foi entoado pelos mesmos torcedores. Em contrapartida, os “torcedores comuns” tentavam abafar os protestos cantando o nome do jogador.

Em primeiro lugar, quero deixar claro que não farei nenhuma defesa do jogador nas linhas que se seguem. Michel Bastos está devendo muito futebol desde o último semestre de 2015, pelo menos. Esse ano tem errado muitos passes, corrido errado e finalizado bizonhamente muitas jogadas. Também não concordo que seja o capitão do time, pessoalmente acho que deveria ser Rodrigo Caio ou Dênis, que tem mais perfil de liderança no elenco, uma vez que o próprio Diego Lugano disse em entrevista que capitão deveria ser um jogador que estará em praticamente todos os jogos, o que não ocorrerá com o zagueiro e ídolo uruguaio.

Porém, as torcidas organizadas do São Paulo (não vou condicionar a apenas uma a análise) são prodiga em perseguir jogadores dessa maneira e isso, historicamente, nunca rendeu grandes coisas para o time em campo e para o clube. Dodô, Luis Fabiano, Richarlysson, Maicon (meia que hoje está no Grêmio) foram alguns dos alvos na história recente, antes de Michel Bastos agora. Todos, sem exceção, foram merecedores de críticas por desempenho e comportamento durante os jogos. Eu mesmo torci muito para que o São Paulo de todos eles nas janelas de transferências. Porém, quando estão em campo com a camisa do tricolor, quero mais que façam um grande jogo e ajudem o São Paulo a vencer. E esse protesto orquestrado durante o jogo não auxilia em nada. Tanto o jogador quanto o resto da equipe sentem isso e o desempenho cai (não que tenha sido muito bom nesse início de ano também, convenhamos).

Fazer o apitaço para Michel Bastos certamente não o fará jogar melhor. E, se pensarmos em curto prazo, tem mais chances de prejudicar que ajudar. Se ele ficar no elenco, com a própria torcida xingando em cada jogo, não produzirá mais. Se for transferido, teremos um jogador a menos no elenco disponível para a fase de grupos da Copa Libertadores, sem possibilidade de substituição até fase mata-mata, em caso de classificação. Cria um prato cheio para os repórteres e jornalistas caça-cliques na internet a fora para plantar crises no elenco, com perguntas claramente feitas para buscar uma resposta polêmica. Além do óbvio fato de diminuir o valor de mercado do atleta para uma transação ou troca com outra equipe, caso apareçam oportunidades de negociação.

Entendam, não quero dizer que os jogadores, seja quem forem, não merecem críticas, que o torcedor na arquibancada não pode pedir uma substituição, que não têm o direito de ficar irritado e protestar contra qualquer um. Mas, acima de tudo, tanto as organizadas como os torcedores comuns querem a mesma coisa: Vitórias, bom futebol e títulos. A história recente mostra que isso nunca foi conseguido com esse tipo de atitude da torcida. No momento que o clube vive, dentro e fora de campo, as coisas só irão funcionar quando todos, torcida organizada incluída, colocarem o São Paulo acima dos interesses e opiniões pessoais. Cada um tem de fazer a sua parte. Proteste antes do jogo, critique jogadores nas redes sociais, mas se não tiver nada de bom para individualizar num cântico ou faixa na arquibancada, exalte o São Paulo. Se não gosta de qualquer jogador, limite-se a não cantar o nome do mesmo na entrada da equipe. Quando individualiza-se um protesto orquestrado a um jogador com a camisa tricolor, quem sai perdendo é sempre o São Paulo. Lembrem-se para onde foram os demais jogadores citados como alvos de protestos ao sair do tricolor. Praticamente, todos eles tiveram contratos com outras equipes e seguiram suas carreiras. Já o São Paulo teve que se contentar muitas vezes com “migalhas” por eles. Assim como a diretoria e comissão técnica, a torcida também precisa ser mais inteligente.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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