Barra Funda SPA & Resort #64 – Centurión: Entre a tática e a técnica

Antes de falar sobre a pauta de hoje aqui no Cantinho do Torcedor, um esclarecimento: O Cantinho passa a ter o nome, por período indeterminado, que o time merece. Enquanto a morosidade, a falta de empenho e o ritmo de amistoso continuar em todos os jogos, esse espaço continuará sendo chamado de Barra Funda SPA & Resort, pois foi o que se tornou o time do São Paulo.

Entrando na pauta, vamos falar um pouco do jogador Ricardo Centurión, atacante argentino contratado no começo do ano passado junto ao Racing por 14 milhões de reais, com dinheiro do investidor e agora diretor do clube Vicente Pinotti, que deve estar sendo pago mensalmente para o mesmo (não há notícias de atraso nesse sentido). O atacante chegou com boa expectativa depois de um desempenho satisfatório no campeonato argentino no elenco campeão nacional. Com características que o São Paulo tanto precisava no ataque, como habilidade e velocidade pelas pontas, veio para ser uma grande opção para o time dirigido por Muricy. O quarteto de ataque ideal no começo de 2015 seria formado por Ganso, Michel Bastos, Pato e Luis Fabiano, com o argentino sendo uma peça de reposição para, no mínimo, manter o nível dos titulares. Porém, assim como nesse ano, o São Paulo começou com o efeito Jaiminho, ou seja, evitando a fadiga e não jogando lá grande coisa. Em clássico contra o Corinthians no Morumbi válido pelo Estadual, a apatia generalizada contratava com a vitalidade mostrada pelo argentino. Daniel Perrone, que redige o Blog do Torcedor do São Paulo no site globoesporte.com, colocou após a derrota o título de seu post como “Centurión 0 x 1 SCCP” mostrando que somente o argentino quis jogo pelo lado do tricolor. Nessa época, todos questionavam Muricy do porque Centurión não era titular nessa equipe.

O tempo foi passando e Muricy, Milton Cruz, Osório e Doriva dirigiram o São Paulo durante o ano e Centurión teve sempre poucas oportunidades e seqüência. Quando entrava, principalmente com Osório, acabava sendo escalado como centro-avante. Quando ia para o lado do campo, ia para o lado direito. Porém, sua carreira inteira no Racing, período que fez o São Paulo buscar sua contratação, ele atuou do lado esquerdo. E isso, faz uma grande diferença para o desempenho do argentino.

Para entender essa diferença, é necessário ver um pouco da evolução tática do futebol. Lá pelos anos 80, era comum vermos equipes escaladas com três atacantes, dois pontas e um centro-avante. Para falar dos pontas, vou comentar as características de um dos maiores pontas que jogou no Morumbi, o Zé Sérgio. Ponta-esquerda extremamente habilidoso, Zé Sérgio entortava os laterais adversários e chegava ao fundo para alçar a bola na área, à procura do centro-avante cabeceador ou do meia que chegava bastante a área. Canhoto, jogava pelo lado esquerdo justamente para não ter de fazer mais um drible na hora do cruzamento. Assim eram os pontas dos dois lados na época.

De uns anos para cá virou comum os pontas serem invertidos. Ou seja, canhoto jogando na direita e destro na esquerda. O maior exemplo no futebol mundial é Messi, que costura a defesa vindo da lateral até encontrar alguém entrando na área na diagonal ou abrir espaço para seu chute colocado e fatal. Centurión cresceu nessa característica (não sou louco de comparar os jogadores, apenas a forma de jogo). Destro, sua característica sempre foi vir do canto do campo para o meio, buscando uma finalização da entrada da área.

Porém, assim como Osório, Bauza vem insistentemente escalando-o no lado direito do campo. Cruzamento para a área nunca foi o ponto forte de Centurión. Seus dribles são para, em velocidade, encontrar um espaço para a finalização. Jogando na direita, ou o drible vai para o pé-cego ou o tira o ângulo para uma finalização. E na esquerda, quem está jogando lá é o lateral Carlinhos ou Michel Bastos, que vem em momento tão ruim quanto Centurión.

Sim, tecnicamente Centurión está muito mal. Rogério, nos jogos que entrou em seu lugar, mostrou mais. Mas também precisamos ver que, onde ele está sendo escalado, dificilmente vai render por conta das suas características de jogo. No jogo contra o Corinthians citado acima, em que ele jogou praticamente sozinho, jogou nessa função, aberto pelo lado esquerdo. Jogando por lá, finalizou, arrumou pênalti e chamou a atenção positivamente. Mas nessa região do campo não teve seqüência. Acho que não merece ser titular hoje, pelo pouco que vem produzindo. Mas, se for para escalá-lo, que seja na única posição que já rendeu algo na carreira.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

%d blogueiros gostam disto: