Cine HTE – Rocky Balboa

Uma palavra que vem sendo bastante repetida na psicologia profissional hoje em dia é a resiliência. Na definição geral, trata-se da capacidade de cada um em voltar ao seu estado emocional e racional natural em face as dificuldade e obstáculos impostos no dia a dia. Ou seja, a capacidade de se manter calmo e racional mesmo após uma discussão forte com um chefe ou cliente. Um dos filmes esportivos que reflete sobre isso é o sexto da saga do lutador Rocky Balboa, conhecido como Rocky VI no Brasil.

A película nos apresenta um Rocky Balboa já aposentado, com 60 anos, depois de perder sua esposa e tendo uma relação difícil com seu filho, que considera viver sob a sombra da fama do pai. Rocky agora é um dono de um pequeno restaurante e passa seu tempo livre relembrando seus momentos com a esposa e tentando se aproximar do filho. Sente falta da vida de lutador, conta suas histórias para os visitantes do seu restaurante. Até que um programa de televisão faz uma simulação de uma luta de Balboa no auge contra o atual campeão dos pesos-pesados Mason Dixon, boxeador que não nutria grande popularidade, apesar dos números perfeitos em sua carreira. Rocky começa a pensar em algumas lutas de exibição, mas a simulação computadorizada instigou o agente de Mason Dixon para uma oportunidade de ganhar um dinheiro e ainda melhorar a imagem de seu lutador. Com alguma relutância, Rocky Balboa aceita fazer a luta com o atual campeão.

A repercussão da luta não cai bem para seu filho Robert, que tenta se distanciar da imagem do pai, mas seus colegas de trabalho não o deixam esquecer. A sombra da fama do pai volta ao assombrá-lo e ele vai ao restaurante de Rocky para confrontá-lo, colocando suas dificuldades em lidar com o fato. Nesse momento, Balboa coloca para seu filho a necessidade da resiliência, dizendo: “Quando as coisas começaram a não dar certo você inventou essa sombra. A vida é assim e vai te bater cada vez mais forte. E o que vai te fazer homem é sua capacidade de apanhar e continuar de pé”.

A resposta de Rocky é o princípio fundamental da resiliência. Ou seja, “a capacidade de apanhar e continuar de pé” que para ele enquanto boxeador era regra fundamental, na vida também é assim. Receberemos golpes duros, que nos derrubam, mas temos que ter a condição de voltar ao estado natural. Precisamos saber receber uma grande crítica de um chefe ou uma reclamação forte de um cliente e na cena seguinte estarmos como se nada tivesse acontecido, sem se abater, mantendo a condição natural, porque todas as vezes que nos afastamos dessa condição nossa capacidade de raciocínio e julgamento é diminuída drasticamente e começam as desculpas externas, como no caso de Robert acusando que a sombra do pai seria a razão de seu insucesso.

Ser resiliente é ter a capacidade de enfrentar crises, traumas, perdas, graves adversidades, transformações, rupturas e desafios, elaborando as situações e recuperando-se diante delas. Essa é a grande lição que o sexto filme da saga do lutador Rocky Balboa traz para nossa reflexão.

Ficha Técnica

Título Original: Rocky Balboa

Tempo de duração: 92 min

Ano de lançamento: 2006

Direção: Sylvester Stallone

Roteiro: Sylvester Stallone

OBS: A seção Cine HTE não tem a pretensão de fazer uma crítica em si dos filmes, mas relatar e refletir sobre os ensinamentos que são abordados na história seja baseado em fatos reais ou mera ficção.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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