Financeiramente, jogador brasileiro precisa driblar própria realidade

Texto: Marques de Souza

Sonho de toda criança, lazer de muitos adultos e fator importante de movimentação na economia, o futebol coleciona conquistas, tradição e muitas lendas. Uma delas que começa a ser discutida recentemente no Brasil se refere ao salário que deixa de ser objeto de desejo e referência em glamour e riqueza, e passa a ser uma realidade difícil de acreditar: mais de 80% dos jogadores brasileiros ganham menos de R$ 1 mil por mês.

Para ser mais preciso, ao todo, há registrados 28.203 atletas profissionais no Brasil. Deles, 23.238 ganhavam até R$ 1.000,00 mensais em 2015.

A disparidade econômica se torna ainda mais exagerada quando apenas 4% desses atletas ganham acima de R$ 5 mil reais. O estudo e divulgação desses dados expôs uma situação que coloca o esporte mais popular do Brasil como sendo, na verdade, uma profissão não muito lucrativa. Na prática, os jogadores “de verdade” ganham menos que um servente de obras, por exemplo.

A escancarada desigualdade entre elite e demais partes dessa pirâmide futebolista não é exclusividade do Brasil. Na Inglaterra, segundo dados da associação que rege o futebol local, existe o mesmo problema. Mas no Brasil, o levantamento serve para entender o estado de saúde e a maneira como tem sido administrado um dos nossos maiores patrimônios.

Mas é inevitável o questionamento: e os jogadores que ganham milhões? Eles são excessão, e não a regra. De modo que de maneira quase inevitável, o próprio mercado trata de dar prioridade aos grandes clubes em detrimento aos mais humildes. Em busca por um bom salário no fim do mês, o jogador brasileiro precisa driblar a própria realidade.

A pesquisa não mata o sonho das crianças que falei no início, nem vai servir de parâmetro para uma solução, ao menos a curto prazo. Mas ela serve de alerta que o futebol continua sendo um privilégio. Mas no aspecto financeiro, para poucos.

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