Entrevista com o William Simões, presidente do Campinense

Texto: Marques de Souza

Com mandato até o final de 2017, dirigente rubro-negro se orgulha da trajetória e

mostra um lado bem família ao HTE Sports.

Era mais ou menos 15h quando William Simões, presidente do centenário Campinense Clube, recebeu nossa equipe. Aparentando estar preocupado em resolver mais uma das inúmeras situações que aparecem no dia-a-dia da “Raposa”, apelido carinhosamente dado pelos torcedores, o dirigente caminhou até uma sala dentro da sede administrativa do Campinense, no Bairro Bela Vista, e logo depois, mais tranquilo, sentou para responder as perguntas.

Em uma conversa que demorou cerca de 30 minutos, William classificou o título da Copa do Nordeste de 2013 como “indiscutível”, exaltou as mudanças positivas feitas no Renatão, local onde a equipe treina e vislumbrou um clube “autossustentável financeiramente” no futuro. Quando questionado se queria que seu filho fosse jogador de futebol, o presidente de palavra firme dá lugar ao pai preocupado: “Não”, afirmou.

Com a experiência de quem já está no comando do Rubro-Negro há mais de 5 anos, e muito antes já na direção do clube, Simões adotou constantemente as palavras “objetivo” e “conquistas”, numa espécie de mapa para o sucesso onde, ao classificar sua gestão como “determinada” ele se mostrou disposto a desbravar.

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HTE Sports: Como o senhor descreveria a pessoa William Simões?

William Simões: Descrever a própria pessoa é ruim, né? (Pausa). Uma pessoa tranquila, equilibrada. Diria que, a minha maior preocupação é manter o legado que minha mãe nos deixou. Legado importante e princípio básico que todo ser humano deveria ter, que é a honestidade. O que eu tenho de mais importante é isso e define muitas coisas.

HTE: O senhor tem filhos?

WS: Tenho 3 filhos.

HTE: Queria que eles fossem jogador de futebol?

WS: Não.

HTE: Porquê?

WS: (Pausa). Olha, jogador de futebol é o seguinte: quando ele vai bem, que consegue uma estabilidade, como grandes jogadores que são consagrados a nível nacional, aí tudo bem. Na verdade, dá até para suportar. Agora, eu prefiro hoje meu filho estudando, na escola. O estudo é uma fortuna que a gente consegue. E nem sempre o jogador de futebol tem isso! Aquele que se dá bem na carreira, que faz sua vida, que consegue sua independência financeira através do futebol, tudo bem. Mas pelo contrário, eu penso que a pessoa deve estudar. Eu quero meus filhos dessa forma, estudando, realizados profissionalmente naquilo que deseja fazer. Acho que o caminho é por aí.

HTE: Mas o que eles (filhos) dizem da sua relação com o Campinense?

WS: Eles não se metem! Eu tenho uma filha e um filho com 16 anos. Coincidência, né? E tenho uma com 4 anos. Mas eles me apoiam. Eles gostam do que eu faço. Eu não sou apenas dirigente de futebol, sou empresário também, quer dizer, vim para o futebol em 2003, mas sempre fui torcedor do Campinense, aquele que frequenta o estádio, que vibra com sua equipe. Mas eu entrei no futebol em 2003. E de forma oficial em 2004, na diretoria executiva. Em 2005 eu saí e retornei em 2008. Eu não ia mais voltar para o futebol.

HTE: Qual o motivo?

WS: Futebol tem muita injustiça. Muitas vezes a gente faz e não é reconhecido. As vezes a gente é taxado até como desonesto. E isso eu não gostaria nunca que acontecesse comigo. Infelizmente a gente se torna uma pessoa pública e o nome fica aí, livre para qualquer um que queira emitir sua opinião, seja contra ou a favor. A pessoa fica bem exposta. Quando eu retornei em 2008, assumi a diretoria financeira. Naquele ano a gente foi campeão do estado e conseguimos o acesso para a Série B. Mas na Série B eu saí e retornei como presidente em dezembro de 2010. Estou de 2011 até hoje.

HTE: Como o senhor vê a importância daquela conquista da Copa do Nordeste em 2013?

WS: Olha, indiscutível. Existe o grau de dificuldade muito grande para conquistar uma competição desse nível. Eu vejo como a maior conquista do Campinense e a maior conquista do futebol paraibano.

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HTE: A equipe classificou de maneira antecipada na competição. O senhor sonha com o Bicampeonato (da Copa do Nordeste)?

WS: Claro! A gente chegou com méritos, nós somos hoje o segundo colocado na classificação geral e primeiro do nosso grupo. O grupo mostrou que tem condições de chegar a disputar mais uma final de Copa do Nordeste. E nós estamos esperando que isso aconteça. O nosso projeto é esse. O time a cada dia amadurece mais. A medida que cada jogo vai passando, o time vai ficando mais cascudo. Não tenho dúvidas que somos fortes candidatos ao bicampeonato.

HTE: A equipe venceu o último clássicos dos maiorais, está muito bem nas competições. O time tem agradado?

WS: Tem agradado. O mais importante foi a manutenção da base. Quando a Série D terminou para o Campinense, no outro dia eu estava aqui na Toca da Raposa já negociando os contratos com esses jogadores que ficaram. Foi importante a manutenção de 70% do elenco. Importante também foram as contratações feitas, que chegam e se encaixam. Isso nós tivemos sorte. Por isso hoje nós temos um time coeso, bem definido taticamente. Nós que fazemos a diretoria, estamos cumprindo, fazendo a nossa parte, procurando dar as condições necessárias para todos. É com essa junção de força e equilíbrio que vamos conseguir os objetivos.

HTE: E o técnico Francisco Diá?

WS: É um técnico com espírito de vencedor. Dentro de campo, ele faz a diferença. Tem uma excelente leitura de jogo. Sabe lidar à medida que o adversário anda. Foi um casamento que deu certo. Espero que a gente continue junto em busca das conquistas.

HTE: Presidente, o Paraibano é um campeonato bom de se disputar?

WS: É! Bastante acirrado. Se você olhar para outros estaduais, os times menores vão disputar a competição para não ser rebaixado. Aqui não! Existe um equilíbrio muito grande.

HTE: O senhor chega cedo no CT?

WS: Chego cedo. A partir de 9h já chego no clube, as vezes volto na minha empresa para resolver algumas coisas e retorno para o Campinense. Eu fico mais presente quando o time está disputando as competições. Eu acho importante o dirigente de futebol estar presente. (Pausa). Na minha vida eu sempre fui assim. Eu sempre fui efetivo em tudo que fiz, seja como empresário ou dirigente, então é bom que a gente esteja presente. Tem coisas que só quem resolve é o presidente. Eu procuro resolver o mais rápido possível para que as coisas possam funcionar dentro da normalidade.

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HTE: Como o senhor vê o Renatão (Estádio Renato Cunha Lima, sede administrativa e centro de treinamentos)?

WS: (William observa as paredes da Sala de Imprensa, onde um novo banner foi recentemente colocado). Quando se fala de patrimônio do clube, a nossa gestão tem tido um zelo e um cuidado muito grande. Eu acho que o dirigente não pode só olhar o futebol e esquecer o patrimônio, que é o cartão de visitas do clube. Então nós tratamos de cuidar muito bem. Quando nós chegamos aqui, pra você ter ideia, não tinha sequer uma lâmpada. Não vou entrar na questão, isso me choca. O que nós fizemos? A gente trabalhou e mudou a estrutura. Hoje tem uma concentração muito boa, nós construímos 10 apartamentos. Todos esquipados com televisão, ar-condicionado. Muitas obras foram feitas aqui.

HTE: O senhor disse recentemente em coletiva que o Rodrigão fica. Como está a situação?

WS: O Rodrigão é um jogador que tem contrato até 2018. Porém existe o interesse de alguns clubes do futebol brasileiro, de outros clubes do futebol asiático, da Europa, mas o jogador vai fazer o primeiro semestre aqui. Vai continuar disputando o paraibano, a Copa do Nordeste e vai disputar a Copa do Brasil. Se houver alguma negociação, esse jogador só sairá a partir da finalização desse primeiro semestre.

HTE: Como está a situação financeira do Campinense?

WS: A situação no geral é difícil. Se você for olhar, tem clube que sequer pagou a primeira folha. É lamentável. A gente não tem nenhuma ajuda da CBF, a gente não tem nenhuma ajuda da Federação. Mesmo porque eu entendo que a Federação Paraibana tem suas dificuldades financeiras. Não tem como ajudar os clubes. A gente faz esse campeonato na garra e na força de vontade. Na verdade, é um campeonato deficitado. A crise financeira vem assolando os clubes. Estão atolados em ações trabalhistas e o pior é que as receitas são pequenas e as despesas são maiores. É difícil administrar dessa forma, mas a gente tem tocado o barco para a frente.

HTE: Uma palavra para resumir sua administração?

WS: Determinação

HTE: Como o senhor vislumbra o Campinense daqui à 10, 20 anos?

WS: Eu vejo o Campinense como um clube promissor. E daqui à 10 anos eu espero que veja o Campinense Clube autossustentável. Com as categorias de base funcionando, negociando jogadores, melhorando seu caixa. O clube está em uma crescente e espero que daqui à 10 anos o clube esteja muito melhor.

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