Meu Jogo Histórico #8 – O dia que eu mudei de time

Texto: Giovanni Spiassi

Era 28 de abril de 2010. Eu, até então, era milanista. Mas, como eu era moleque e só respirava futebol, resolvi assistir a semi-final da Champions League de 09/10. Iam jogar a Internazionale e o Barcelona. Como eu odiava o barça…senhor, era um ódio que jorrava pra fora do meu corpo. Eu não podia nem ouvir falar no nome de Messi que já mandava pra aquele lugar(hoje reconheço e admiro muito seu futebol). Mas ou era torcer para o time que eu mais odiava ou torcer para um time que eu não ligava muito, afinal, quem eu não gostava mesmo na Itália era a Juventus. Resolvi torcer para o time nerazurro. Vi que o time milanês tinha ganho o jogo da ida por 3×1, fiquei tranquilo e pensei “Ah, vai ser mo suave esse jogo, a inter passa facinho.”, vi as escalações e o meu pensamento mudou para “Fud*u”.

Começa o jogo e, por incrível que pareça, minha mão começa a suar. Eu, inocente e cheio de espinha na cara, só ligava mesmo era para futebol. Não podia suportar ver o Barça ganhar outra champions seguida. Eu comecei a torcer para a Inter que nem um louco. Gritava quando não concordava com faltas, quando perdia gols, quando o Barça pressionava, quando via a bola nos pés do Messi então era o pior sufoco. O baque veio quando o juiz expulsou o Thiago Motta injustamente. Nunca vi alguém simular tão bem uma falta quanto o Busquets. Ele fingia que estava machucado cobrindo o rosto com as mãos e abrindo esporadicamente para ver o que o juizão tinha feito. Ele conseguiu o que queria. Nessa hora, lembro de eu ter soltado inúmeros palavrões impronunciáveis que minha mãe foi até a sala para me dar uns tabefes.

Acaba o 1º tempo e, por enquanto, o sufoco passa. Fui até a cozinha e tomei um copo de água com açúcar. Depois, rezei um pai nosso em um altarzinho que minha mãe tinha aqui em casa. Nessa hora eu parei e pensei “Cara, estou rezando para Inter ganhar, será que…?”. Sim, esse será se tornou verdade. O 2º tempo começou e continuei gritando, urrando e torcendo como nunca para um time que até então era meu rival. Mas não liguei. Sempre gostei de times que dão a alma para jogar, que não desistem até o último minuto, times raçudos e com força de vontade. E aquela Inter era isso. Eu vi o Eto’o jogar de lateral direito para marcar Pedro. Vi Chivu, um lateral que meu irmão(torcedor da Roma), sempre falava que ele era bom e eu desacreditava, até vê-lo marcar Messi. Júlio Cesar, a muralha nerazzurri. Sneijder, que não levou a BOLA DE OURO DE 2010 INJUSTAMENTE, mas que deu a alma não só naquele jogo, mas posteriormente na Copa de 2010. Era um esquadrão.

O gol de Pique, aos 38 min da etapa final fez meu coração chegar na boca. Não podia ver a Inter perder. Ajoelhei na frente da tv e lá fiquei. O Barcelona pressionava mais ainda. A cada chute, mais suor descia. Continuei torcendo para a Inter e torcendo para a batalha acabar logo. Quando o juiz apitou, eu não sabia o que fazia…não sabia se chorava de felicidade, se gritava, não sabia, só queria comemorar.

Depois daquele dia, eu virei Interista. Com muito orgulho.

No dia 22 de maio, minha mãe queria ir para Embu das Artes, uma cidade turística aqui na Grande SP. Fiz ficarem em casa para eu poder ver o jogo da final. E não podia ter resultado melhor. Meu grande herói, meu grande ídolo, minha grande inspiração no futebol acabou com a gracinha naquele jogo. Diego Milito, il Principe di Milano. O jogo era contra o Bayern de Munique, o maior time alemão. Eu estava muito confiante de que íamos conseguir o título. Robben não me assustava, Ríbery menos ainda, o Schweinsteiger não fedia e nem cheirava. E eles ainda tinham um tal de Thomas Müller no ataque, uma jovem promessa. O jogo começou com o Bayern pressionando e atacando muito. Mas dessa vez, nada me abalava. Eu segurava a minha meia de celular da Inter que comprei dias antes do jogo. E minha fé era enorme. E aos 34 minutos o sonho começou a virar realidade. O Deus Milito fez o 1º gol do jogo e eu explodi. Fui até a janela da sala e gritei igual um idiota. Mas eu não ligava, só queria saber de curtir o momento. O segundo gol veio, de novo com Milito. Comecei a entender o que era esse lance de torcer. A taça veio. Fomos campeões e eu me senti nas nuvens. Não teria sentimento melhor, meu time era CAMPEÃO DA UEFA CHAMPIONS LEAGUE.

Meu ídolo, Diego Milito
Meu ídolo, Diego Milito

Depois desse campeonato, minha alma e coração ganharam novas cores: o azul e preto. Um manto sagrado nerazzurro se tornaria minha segunda pele, com o maior orgulho do mundo. A Inter ensinou a um menino ingênuo o que era essa paixão de torcedor e com toda a certeza do mundo esse é e sempre será meu jogo inesquecível.

inter
Muito obrigado, Inter
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