SOBERANO’S #61 – O problema Milton Cruz

O São Paulo já foi exemplo positivo no futebol brasileiro. Centro de treinamento de primeiro mundo para o profissional e para base, estádio próprio, REFIS que atraía diversos jogadores que buscavam tratamento de lesões e comissão técnica permanente. Tudo isso era um orgulho para a torcida e diretoria que enchiam a boca para falar que o tricolor era um time “europeu” dentro do Brasil. A estrutura física ainda está lá. Mas os profissionais que sustentavam esse trabalho foram saindo um a um. O único que ficou é o hoje pivô de uma briga forte nos bastidores do Morumbi, o eterno interino / auxiliar técnico Milton Cruz.

Milton já foi um bom jogador para o São Paulo nos anos 70/80 sendo o artilheiro da equipe em duas temporadas consecutivas. Há mais de 15 anos faz parte do corpo técnico do futebol. Primeiro foi decantado como um grande descobridor de talentos. Era só uma contratação dar certo, o mérito era inteiro dele. Nas contratações que não vingavam, Milton não era lembrado. Foi auxiliar direto de Rojas em 2003, quando a base do time que viria a ganhar entre 2005 e 2008 começou a ser montada. Mesmo com a saída do chileno, Milton ficou e virou o “bombeiro” assumindo a equipe nas trocas de técnicos mais demoradas. Nunca convenceu nem a torcida nem a diretoria que merecia uma chance de efetivação na função.

Na temporada atual é apontado como o pivô de mais uma briga política, que tem de um lado o empresário/comentarista/candidato a presidente desde que não precise de eleições Abílio Diniz. Do outro, a diretoria atual liderada pelo presidente Carlos Augustos Barros e Silva, o Leco. Pelo que se divulga, Abílio têm em Milton sua fonte de informações sobre o que ocorre no futebol e até defendeu que fosse efetivado como treinador do clube. É um de seus maiores aliados dentro do clube. E a diretoria do São Paulo, que quer apenas o dinheiro de Abílio, mas não sua interferência, direta ou indireta na gestão, vê isso como um problema sério para ser resolvido.

No começo do ano, após a contratação de Bauza, Milton foi re-alocado para o Centro de Análise e Desempenho, que se funcionasse tão bem quanto o nome sugere, não teríamos trazido jogadores do quilate de Kieza e Kelvin para o elenco, além de já ter devolvido Lucão para Cotia. Na verdade, essa alocação foi uma maneira de tirar Milton da Barra Funda e tentar minar a interferência de Abílio no futebol.

Com todo esse cenário montado, fica óbvia a bagunça no São Paulo, onde ninguém sabe quem manda, quem dirige, quem vaza informações para imprensa, quem controla alguma coisa. Está nítido que Abílio quer ser algo a mais, quer ter mais importância na gestão do clube. Reconhecidamente um dos maiores empresários do país, se o futebol fosse um negócio sério, teria muito a acrescentar. Mas já entrou no joguinho político, usando seus artifícios para ter voz e saber do que ocorre. Em seu blog, sempre criticou duro todos os treinadores e aliviou para Milton, mesmo quando esse levou 6 do Corinthians no último Brasileiro.

E Milton já deixou de ter utilidade prática faz tempo. Se é verdade que ele avalia quem é contratado, tem errado muito mais que acertado nos últimos anos. Quando foi colocado como treinador, mostrou que não tem condições de o ser. Já passou da hora da diretoria resolver esse problema de maneira simples: Agradeça-o pelos serviços prestados e lhe deseje boa sorte. Milton hoje, até por ter deixado ser utilizado nessa situação, segundo as informações da imprensa, faz mais mal que bem ao clube. A oxigenação na função é necessária. Bem como a criação de uma metodologia séria de análise de contratações e formação de elenco. Enquanto não houver isso, estaremos jogados a sorte. Pode ser que um dia encaixe dois jogadores em boa fase e vençamos um título importante. Mas, dessa maneira, será muito mais difícil voltar as glórias de um passado nem tão distante assim.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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