Turnover – O fim de uma era

Podemos dizer que grande parte da audiência da NFL no Brasil hoje foi construída a partir da virada desse século. Pesquisas de diversos sites apontam que entre 80% a 90% do público que acompanha a liga de futebol americano o fazem por um período inferior a 15 anos. Esse mesmo público teve, nos últimos dois anos, grandes baques em relação às aposentadorias. Jogadores que podemos dizer que foram símbolos de uma geração deixaram os gramados nessas temporadas. Atletas que fizeram muitos de nós torcerem por determinadas equipes.

Aqui mesmo na equipe do HTE Sports, temos meu grande amigo Smack Bastos Neto, torcedor do Indianapolis Colts por conta de Peyton Manning, o que é o meu caso também. Peyton Manning também é o culpado pelo Raphael, nosso mais novo integrante da redação, ser torcedor do Broncos. E certamente Troy Polamalu estava entre os ídolos do grande Elvis, o E da sigla HTE. Ainda temos na redação o Remisson, torcedor do Patriots muito provavelmente por conta Tom Brady e o Matt, aficionado pelo Green Bay Packers por conta de Aaron Rodgers, porém esses ainda poderão ver seus ídolos por mais algum tempo no gramado.

Assim como nós da redação, tenho certeza que muitos se tornaram torcedores do Detroit Lions por conta de Calvin Johnson e do Seahawks por causa de Marshawn Lynch. Ainda tivemos os anúncios, ao final da temporada, das aposentadorias de Heath Miller, do Steelers, Anthony Davis, do 49ers e Justin Tucker, do Giants, jogadores que talvez não tenham formado novos torcedores, mas eram emblemáticos para suas equipes.

Essas aposentadorias, e mais algumas que devem surgir nas duas próximas temporadas, como Drew Brees, Adam Vinatieri, Frank Gore, entre outros que já estão vivendo sua fase final de carreira, colocam um ponto final na vida de muitos fãs dessa geração que acompanha a NFL no Brasil. Talvez, com a saída desses jogadores e o possível enfraquecimento que ocorre em algumas equipes, alguns deixem de acompanhar a liga com tanto afinco com têm feito no último ano. É nessa hora que veremos quem era fã de um jogador / equipe vencedora ou quem é fã do esporte em si. E a questão não é rotular ninguém. É entender os impactos que esse movimento tem.

Se pegarmos como exemplo a NBA, é notório que após a segunda aposentadoria de Michael Jordan, em 1998, o público diminuiu, mesmo com o surgimento de novas estrelas como Kobe Bryant, Steve Nash, Jason Kidd e, posteriormente LeBron James. O enfraquecimento drástico que a franquia do Bulls teve nos anos seguintes tirou de muitos torcedores de Chicago o interesse na liga. Mas, aos poucos, o ciclo foi se revertendo, criando novos torcedores para o Lakers, Suns, NJ Nets e Cleveland Cavaliers, para ficar somente nas equipes dos jogadores citados.

A NFL no Brasil pode ter um movimento parecido. Os jogos do Broncos certamente serão menos interessantes ao público geral esse ano e deverá ter menos transmissões para a televisão brasileira. Com isso, uma fatia que, assim como nosso Raphael, começou a torcer para o Broncos por conta de Peyton Manning, poderá deixar de acompanhar a liga em um curto período de tempo, apesar de que o time do Broncos, mesmo sem Manning, deve continuar muito competitivo nos próximos dois anos, pelo menos.

Em contrapartida, por ser uma audiência ainda recente e em uma curva ascendente de crescimento, temos jogadores jovens com potencial de captar muitos torcedores, como o próprio Aaron Rodgers, Russel Wilson, JJ Watt e Andrew Luck, todos franchise players. Ainda há muito gás para a audiência que lotou quase uma centena de salas de cinema para assistir o último Super Bowl Brasil afora crescer. O mercado para a NFL no Brasil ainda está em expansão.

Mas, sem dúvida, vivemos o fim de uma era, com muitos ídolos ou jogadores emblemáticos deixando os gramados. A tristeza certamente acometerá muitos torcedores. Alguns que viram a paixão por uma equipe surgir por conta de um ídolo sofrerão com seu time por muito tempo (Experiência própria de um torcedor do Colts e do Bulls na citada NBA). Nos próximos anos, veremos como essa paixão será refletida na audiência e no mercado de produtos da liga aqui no Brasil.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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