CLUBE DA FÉ #66 – Retomando nossas origens

Nessa semana o nosso Cantinho do Torcedor foi rebatizado. Dado o histórico recente do clube nos últimos anos, não temos mais o direito de nos denominarmos Soberano’s. Nos momentos de raiva com a apatia do elenco em campo, mudamos o nome aqui para Barra Funda SPA & Resort, como marca do que estávamos vendo em campo. Mas precisávamos de um novo nome definitivo e defendo que o São Paulo deve retomar suas raízes de boa administração e clube de vanguarda. E nada mais representa a raiz do clube que amamos como o apelido Clube da Fé. Para quem não conhece a história, reproduzo nas linhas abaixo o texto que pode ser encontrado no site oficial do São Paulo, explicando como surgiu a alcunha logo após a refundação do Tricolor Paulista.

“O São Paulo Futebol Clube, fundado na cidade de São Paulo, onde tem foro e sede, em 16 de dezembro de 1935, preservador das glórias e tradições do São Paulo Futebol Clube, da Floresta, o qual foi fundado em 25 de janeiro de 1930 e extinto em 14 de maio de 1935, é uma Entidade de Prática Desportiva, constituída na forma de associação civil sem fins econômicos com prazo de duração indeterminado e que tem total autonomia de organização e funcionamento, de conformidade com o inciso I do artigo 217 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 05/10/1988.

O dia 25 de janeiro é considerado data magna do São Paulo Futebol Clube, em homenagem à primeira partida oficial de futebol do Clube.”

Essas são as primeiras frases do estatudo do São Paulo Futebol Clube. Os primeiros anos de vida do novo São Paulo Futebol Clube foram muito difíceis. O elenco inicial foi formado, basicamente, por jogadores da periferia da capital e do interior do estado, recrutados por Porphyrio da Paz ou por intermédio de anúncios em rádios. O Presidente Manoel do Carmo Mecca foi até Curitiba contratar as únicas exceções: José, Segoa e King, o gigante goleiro que se consagraria no clube.

Nos Campeonatos Paulista de 1936 e 1937, nenhum grande feito ou posição foi obtido. O time ainda engatinhava.

Sem posses patrimoniais, o São Paulo jogava em campos alugados de clubes vizinhos. Seus treinamentos não ocorriam em locais fixos, quando muito tomava um campinho de várzea emprestado até o retorno de seus proprietários (Campos na Rua Anhaia, Várzea do Glicério e Itaim Bibi são exemplos).

Quando não era possível, a equipe são-paulina treinava nos fundos da Igreja da Consolação, então sob responsabilidade do Monsenhor Francisco Bastos, um dos re-fundadores do clube. Em verdade, a Igreja servia também de concentração, pois o padre prendia os jogadores lá dentro, em véspera de jogos, para evitar as tradicionais escapadas noturnas.

O clube em si ganhou sua 1ª sede em 25 de janeiro de 1936: um porão alugado na Praça Carlos Gomes, nº 38. O local era tão pequeno que, em reuniões, era necessário haver revezamento entre os presentes. Um ano depois, nova e breve sede, no famoso Edifício América (Martinelli), 11º andar, onde o clube ficou por no máximo dois meses. Curiosamente, ali havia nascido o Grêmio Tricolor, um dos alicerces que não deixaram o SPFC desaparecer em 1935.

Em março de 1937 o clube se mudava para a Av. São João, 1001, 1º andar, onde hoje é a Praça Júlio Mesquista, nº 105. O pavimento alugado junto à firma Ortiz e Gutierrez viu nascer, ali, sob as mãos de Manoel Raymundo Paes de Almeida, o Grêmio São-Paulino, posteriormente conhecido como TUSP: a primeira torcida organizada do Brasil.

Por essa difícil jornada, cheia de percalços mas repleta de empenho e perseverança, é que Thomaz Mazzoni, batizou o novo São Paulo FC como “O Clube da Fé”. Em suas palavras, datadas de 21 de julho de 1937:

“Recentemente, surgiu o São Paulo FC Júnior com as mesmas pretensões do antigo. Se o novo São Paulo veio ao mundo da bola sem os haveres, fama e prestígio dos seus antepassados, trouxe a maior das riquezas: a fé no seu destino, o amor ao seu hoje. Somente a fé poderia levar o atual Tricolor a nascer como um clube varzeano qualquer e tornar-se logo uma agremiação no caminho reto do progresso do futebol superior. O Clube da Fé, como merece ser chamado o atual São Paulo FC, está se encarregando de.”

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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