CLUBE DA FÉ #68 – 10 anos sem o mestre. 10 anos de saudades

Há dez anos, no dia 21 de abril de 2006, o tricolor, o futebol brasileiro e mundial viu um de seus maiores nomes ir para o plano superior. Telê Santana da Silva, nosso inesquecível Mestre Telê, faleceu aos 74 anos em Minas Gerais, deixando um legado imenso ao futebol que tanto amou e uma saudade incalculável para os são-paulinos que o acompanharam.

É difícil qualquer são-paulino que cresceu nos anos 90 falar de Telê Santana sem se emocionar. O mestre chegou ao Morumbi em 1990, acompanhado da injusta fama de pé-frio pelos insucessos nas Copas do Mundo de 1982 e 1990, nas quais encantou o mundo mas saiu sem o título. Formou então no São Paulo o time que transformaria a história do clube e teria sua merecida redenção.

Em 91, a conquista do Paulista e Brasileiro iniciavam a época de ouro do São Paulo, o período mais vitorioso da história do clube. Montou uma equipe que jogava para frente, com toques rápidos, sem centroavente e dinâmica. Zetti era a segurança atrás, Raí o terror na frente, complementados por nomes como Válber, Palhinha, Muller, Cafú e Pintado. Cafú aliás deve muito sua carreira ao mestre Telê. Conta-se uma história em que num treinamento, o lateral não conseguia acertar um cruzamento, sempre cobrado insistentemente por Telê. Cansado das cobranças, desafiou o treinador a cruzar certo como ele falava. Na primeira tentativa, Telê colocou a bola no ponto ideal para o cabeceio do atacante.

Com arte, com futebol bem jogado, altamente técnico, em 92 veio a conquista da Libertadores, que tornou-se obsessão para 11 de cada 10 são-paulinos. A vitória nas penalidades sobre o Newls Old Boys e a invasão do gramado do Morumbi emocionaram até mesmo o narrador Galvão Bueno, que com a voz embargada contava a cena. No final do ano, levou a Ferrari tricolor para atropelar o temido Barcelona de Johan Cruyff e conquistar o mundo e acabar definitivamente com o estigma de pé-frio. O São Paulo não apenas vencia, mas encantava o mundo com seu futebol bem jogado.

O bi-campeonato do Paulista na semana seguinte do jogo contra o Barcelona, da Libertadores e do mundo no ano seguinte, além de outros títulos como Supercopa da Libertadores (torneio que reunia somente as equipes que já foram campeãs da Libertadores) colocaram aquele São Paulo na galeria das maiores equipes da história do futebol mundial. Formou uma torcida apaixonada que não admite mais apenas bons resultados, e sim quer ver o time dominante em todos os sentidos. Nos fez não nos acostumarmos com o “bonzinho”, queremos ser os melhores.

Em 2005 a torcida são paulina deu uma das maiores provas de reconhecimento ao mestre. Na vitória por 4×0 sobre o Atlético Paranaense na conquista do tri-campeonato da Libertadores, em uníssono, cantamos aquele dia “Olê, olê olê olê, Telê, Telê”. Lembrar disso me arrepia até hoje. Telê, para mim, sempre será o maior ídolo da história tricolor. Sim, o maior ídolo é um técnico e não um jogador. Telê escreveu a história do São Paulo. Há 10 anos nos despedimos dele. Há 10 anos, temos saudades.

Mestre, onde quer que você esteja nessse universo imenso, quero dizer apenas uma coisa: OBRIGADO.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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