DE BATE-PRONTO: Cortando o mal pela copa

Certamente, você já ouviu aquele ditado: “É preciso cortar o mal pela raiz”. E, no caso da violência no futebol, esse ditado é muito mais do que certo. Nesta segunda-feira, o governo de São Paulo decidiu que os clássicos paulistas terão torcida única. O mal foi cortado pela raiz, nesse caso?

Não. O mal foi cortado da copa da árvore, ainda há o tronco e a raiz. Tirando uma das torcidas dos estádios resolve pouca coisa ou nada. Nos últimos clássicos paulistas e no último Flamengo x Vasco, por exemplo, as torcidas brigaram fora do estádio. Nada impedirá que as mesmas torcidas e as mesmas pessoas irão brigar, havendo ou não torcida única.

Uma das brigas entre corinthianos e palmeirenses aconteceu a 33 quilômetros do local do jogo. Ao que tudo indica, foi combinado para que esses indivíduos se encontrassem e depredassem o patrimônio público e manchassem um pouco mais a paixão nacional que é o futebol. Pois bem, será que a torcida única, como foi imposto, solucionaria esse problema? Obviamente não. Os que brigam não estão interessados em ir assistir aos jogos no estádio, mas sim “brincar” de UFC com a torcida adversária. O mesmo combinado que ocorreu no último clássico, poderá acontecer novamente, mesmo que determinada torcida esteja impedida de ir ao estádio.

A sociedade falhou como um todo. Falhou na convivência. Falhou na compaixão. Falhou na religião.  Falhou como família. Falhou em vários aspectos que são a base de uma sociedade minimamente civilizada. A medida tomada pelo governo do estado ajuda ainda mais nessa falha geral. Separar as pessoas porque falharam é acentuar a falha. Essas pessoas precisam e devem aprender a conviver juntas. Tomar uma medida paliativa, que quando revogada, apenas piorará a situação.

Terminar com as organizadas também não é o caminho. As organizadas têm papel importante no espetáculo e fazem ações sociais. Fora que generalizar que todos os que estão nas organizadas são vândalos, brigam e devem ser presos, não é certo.

A solução para tudo isso? Simples. Com exceção dos políticos e algumas camadas sociais, sempre que algum cidadão comete algum delito, é julgado e preso. Mas, parece que quando o crime é no futebol, automaticamente há uma absolvição. Os que fizeram vandalismo na estação do Brás, por exemplo, foram claramente filmados, e podem muito bem serem imputados pelos atos que cometeram. Voltando à pergunta do começo desse parágrafo, a solução não é acabar com as organizadas, não é colocar torcida única nos clássicos, tudo isso são medidas paliativas. A organizada acaba, os membros que não são nada exemplares, continuarão praticando suas ações nada exemplares. Uma torcida vai ao estádio, os que vandalizaram continuam por aí vandalizando. A solução é fazer a justiça como ela deve ser feita, para todos. A solução cabe à justiça. E justiça não é prejudicar os torcedores de verdade, de bem, que se sentem ansiosos por um clássico, que assistem aos vídeos dos clássicos passados no YouTube antes do jogo, e provocam de forma sadia os rivais. A justiça é tirar das ruas esses que não são torcedores de verdade.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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