El Clásico 232: a consagração x fio de esperança

Barcelona e Real Madrid jogarão neste sábado, 02, às 15h30 (de Brasília), mais uma vez o maior clássico da Espanha, dessa vez no Camp Nou. O jogo promete além de boa qualidade técnica ser mais um daqueles que ficam guardados na memória. Este será o primeiro jogo após a morte de um dos ícones do time catalão, o holandês Johan Cruyff que faleceu no último dia 24. Além disso, o Barcelona pode igualar o número de vitórias no confronto com o rival, já que o placar nesse quesito se encontra 92 a 91 para os madridistas.

Planejamento do mosaico em homenagem a Cruyff (Foto: @fcbarcelona_es)
Planejamento do mosaico em homenagem a Cruyff (Foto: @fcbarcelona_es)

 

Eras de Destaque:

Caso vença, o Barcelona confirmará sua superioridade sobre o rival na última década (são 14 vitórias a seu favor contra 8 vitórias do time da capital espanhola). Foram vitórias contundentes desde a “era Ronaldinho Gaúcho” até os dias de hoje, como o 6×2 em pleno Santiago Bernabéu no ano de 2009 com show da dupla Messi e Henry (cada um marcou dois gols), e o 5×0 no Camp Nou em novembro de 2010 com dois gols de David Villa. Além de ambas as vitórias, em 2011 o time roxo e grená eliminou os rivais do próximo sábado na Liga dos Campeões.

Nos anos 50 um capítulo importante na história do El Clásico. A Espanha, que naquela época vivia o Franquismo, teve um capítulo peculiar com um jogador em especial: Alfredo Di Stefano. O lendário atacante argentino, que tinha acertado sua transferência para o Barcelona, ao chegar na Espanha foi levado a pedido do General Franco para o Real Madrid, onde ganhou cinco Copa dos Campeões seguidas, marcando gols em todas as decisões, além de ter ganho esse mesmo número de títulos na Liga Espanhola.

 

O que está em jogo?

Faltando oito rodadas para o fim da La Liga, o Barcelona parece soberano e com o título na mão graças aos nove pontos de vantagem sobre o vice líder Atlético de Madrid e dez sobre o Real. Uma vitória no clássico seria a coroação, o recado e a consagração do dono da Espanha nesse momento.

Já para o Real, além de tentar devolver a derrota sofrida no último embate entre os dois em pleno Bernabéu, e ganhar moral para o confronto contra o Wolfsburg na Liga dos Campeões, seria uma afirmação da evolução do time com Zidane como técnico e um último fio de esperança para quem sabe ainda poder alcançar os líderes do campeonato.

 

O último confronto:

Goleada, chocolate e show, podem ser usados para definir o último jogo entre os dois. Goleada por 4×0 para o Barcelona em plena Madrid, que contou com Messi sem ritmo, mas com grandes atuações de Neymar (um gol e uma assistência), Suárez (dois gols) e Iniesta (um gol e uma belíssima assistência). Aquele placar pressionou ainda mais o então técnico Rafa Benítez. Foi uma partida dominada do início ao fim pelo Barcelona que se aproveitou de um Real apático e sem reação.

Suarez celebra gol na goleada contra o Real (Foto: Getty Images)
Suarez celebra gol na goleada contra o Real (Foto: Getty Images)

 

Comparações:

GOLEIROS

Navas: Foi menosprezado pelo presidente do clube que, no início da temporada, queria De Gea para o lugar de Casillas. Porém, conquistou seu lugar a cada grande atuação e defesas de pênalti e é unanimidade para a torcida madridista.

Bravo: O chileno continua sendo titular o da Liga espanhola, mas cada dia que passa Ter Stegen aumenta a pressão por ganhar mais minutos, contudo Bravo se mantém firme no posto.

Navas pega pênalti em clássico de Madri (Foto: Getty Images)
Navas pega pênalti em clássico de Madri (Foto: Getty Images)

 

CAPITÃES

Sérgio Ramos: O capitão merengue continua mantendo seu alto nível de atuação, ora com o francês Varane, ora com Pepe, todavia seu número de expulsões preocupa ainda mais em um clássico com tamanha rivalidade.

Iniesta: Se o meia não tem tanto físico quanto uns anos atrás, continua sendo preciso nos passes e costuma subir de produção em grandes jogos, como no último clássico.

 

SELECIONÁVEIS:

 Danilo, Marcelo e Casemiro: Se o primeiro lateral direito não é unanimidade ou o queridinho da torcida, é lembrado por Dunga. Ainda não se adaptou totalmente ao futebol espanhol e alterna boas partidas com atuações com falhas defensivas. Marcelo e Casemiro não foram chamados na última convocação, mas são queridos pela torcida. O lateral-esquerdo, já há mais tempo no Santiago Bernabéu, é o vice capitão do time e uma válvula importante para o mesmo. O volante caiu nas graças da torcida pela sua entrega e subiu no conceito de Zidane pelo balanço defensivo que dá ao meio campo merengue.

Daniel Alves e Neymar: Os dois brasileiros já são figurinhas carimbadas na equipe da capital da Catalunha. Dani teve sua saída especulada no início da temporada, mas permaneceu no clube, e nem a presença de Aleix Vidal pôde ameaçar sua titularidade. Já Neymar faz parte do trio letal do Barcelona e começou a temporada voando baixo, fazendo golaços, mas caiu de produção ao ver seu nome e o de seu pai investigado pelo fisco espanhol. Sofreu com um pequeno jejum de gols, porém quando a poeira baixou, voltou a subir seu desempenho e contribuir em alto nível para o time.

 

ESTRELAS DA COMPANHIA

Cristiano Ronaldo: O artilheiro da La Liga e Champions League continua a caça a mais recordes, não brilha intensamente com jogadas de efeito como antes, está cada vez mais letal próximo ao gol e já tem 28 tentos no campeonato, dois a mais que Luís Suarez, e também busca vencer seu grande rival Lionel Messi no próximo confronto.

Messi: Sofreu com lesão no início da temporada, viu seus companheiros de ataque brilharem e segurar a barra enquanto ele não voltava e parece querer retribuir a confiança. O maior artilheiro do clássico (21 gols) não deixou sua marca na goleada do primeiro turno, mas sua genialidade é esperada no próximo confronto.

Cristiano Ronaldo faz sua característica celebração de gol (Foto: ESPN)
Cristiano Ronaldo faz sua característica celebração de gol (Foto: ESPN)

TÉCNICOS

Zidane: Assumiu o rojão após a demissão de Rafa Benítez e conseguiu melhorar o time e dar motivação principalmente para o trio BBC. Passou pelas oitavas-de-final da Liga dos Campeões sem muitos sustos, mas a inconstância defensiva, principalmente fora de casa, preocupa o treinador e os torcedores do Real, principalmente para o duelo contra o poderoso trio MSN.

Luís Enrique: Mais de 80% de aproveitamento a frente do Barcelona, quebrou o recorde de invencibilidade de Pep Guardiola, nunca o técnico pareceu tão estável no cargo, tem o time na mão e motivado a continuar fazendo história nas competições nacionais e internacionais. Além disso teve como grande mérito fazer render em campo Sergi Roberto, uma das promessas recentes das canteiras do time blaugrana.

Estilo Luis Enrique à beira de campo (Foto: PEP MORATA-MD)
Estilo Luis Enrique à beira de campo (Foto: PEP MORATA-MD)

 

Barcelona x Real Madrid, dia 02/04/2016, 15h30 (de Brasília), no Camp Nou.

Prováveis escalações:

Barcelona: Bravo; Daniel Alves, Mascherano, Pique, Jordi Alba; Busquets, Iniesta, Rakitic; Neymar, Suárez e Messi. Téc: Luis Enrique

Real Madrid: Navas; Danilo, Sérgio Ramos, Pepe, Marcelo; Casemiro, Kroos, Modric; Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale. Téc: Zidane


Texto escrito por Earvin de Andrade, calouro do editorial de Futebol Internacional. Twitter: @earvin_cae

 

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