Insanidade na Philadelphia

Na última quarta-feira, Philadelphia Eagles e Cleveland Browns anunciaram uma troca pela 2 escolha geral do draft desse ano que ainda está difícil de processar. Em uma troca digna do filme “Draft Day”, o Eagles hipotecou o futuro mandando para Cleveland sua escolha de primeiro round (8ª geral), terceiro e quarto desse ano, primeiro round do ano que vem e segundo round de 2018. Cinco escolhas por uma. Ou seja, o Eagles precisa estar muito certo que irá draftar um franchise player nesse recrutamento para fazer uma loucura dessas.

E, quando falamos em franchise player, nesse momento, estamos falando da posição de quarterback. E é nesse ponto que a coisa começa a não fazer sentido. No começo da off season a franquia da Philadelphia renovou o contrato, por dois anos, com Sam Bradford. Primeira escolha do draft de 2009, Bradford ainda não mostrou na NFL o potencial que dele se esperava, além de conviver com inúmeras lesões durante a carreira. Chegou na temporada passada em troca com o Rams e ficou longe de encantar. Com a renovação, era factível pensar que os Eagles iriam melhorar o time em volta dele durante o draft. Mas, com menos escolhas, menos armas deverão desembarcar na Philadelphia.

Ah, mas o QB draftado ficaria no banco por um ano e, ao final da temporada, ele seria cortado. Mas vender cinco escolhas para um jogador que só iria entrar em campo ano que vem? Não acredito. Também não consigo ver o recrutamento em outra posição que não a de QB. Fato é que o Eagles pode ter cometido um suicídio antecipado da temporada. Até pelo fato de Wentz e Goff não serem considerados tão grandes prospectos assim. Podem vir a ser grandes QBs da liga, mas não se tem expectativas sobre eles que tiveram sobre Andrew Luck e RG3 em 2012, por exemplo.

Já do lado do Browns foi um grande negócio. Como disse um perfil brasileiro que cobre a franquia no Twitter, o qual não me recordo agora do nome, Cleveland normalmente consegue boas trocas no draft. O problema é saber que jogador recrutar. Escolhas como Brandon Weeden e Trent Richardson feitas nos últimos anos colocam em xeque essa capacidade dos scouts. Mas tanto Browns, como Titans que fez a troca pela primeira posição geral com o Rams, podem sair desse recrutamento como grandes vencedores. Têm em suas mãos a chance de formar uma base sólida para as próximas temporadas e tentar quebrar o ciclo vicioso da AFC.

Por isso a NFL é tão cativante. Mesmo sem jogos, é capaz de produzir debates acalorados com essa movimentações. Resta saber se o presente que Eagles e Rams foram atrás nessas trocas será capaz de compensar o futuro vendido.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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