Meu Jogo Histórico #13 – O dia que vi a magia em quadra, ao vivo

Gostar de um esporte em que os melhores jogadores estão em outro país causa sempre uma frustração de não poder ver ao vivo seus ídolos. Quando a NBA entrou na minha vida e na minha audiência, nos anos 90, Michael Jordan dominava o esporte e, por conta dele, me tornei torcedor do Chicago Bulls e me iniciei na prática do basquete, chegando a disputar algumas competições escolares na minha cidade. Mas sempre senti falta de ver os melhores do mundo ao vivo. Em 1997 tive uma oportunidade única no Ibirapuera, quando Earvin Magic Johnson, um dos maiores de toda história e integrante do Dream Team original, veio ao Brasil com sua equipe denominada Magic All Stars para uma série de jogos contra uma equipe dos amigos de Oscar Schimdt.

Sendo bem sincero, não lembro os nomes dos outros jogadores do time de Magic Johnson. Afinal, fui junto dos meus pais aquele dia para ver justamente o cara que dominou a NBA nos anos 80 com a camisa 32 do Lakers, o percursor do ShowTime do basquete. Pela minha idade, pouco pude acompanhar do auge de sua carreira, mas sempre me encantou ver suas jogadas exuberantes. Já na equipe de Oscar, vários nomes conhecidos, a maioria integrante do histórico elenco que venceu o Pan Americano em 1987 em Indianapolis, como Maury, Paulinho Vlilas Boas, Israel, além de alguns jogadores em atividade nos campeonatos nacionais, como o pivô Pipoca. Lembro que no elenco também tinha um ala chamado Gérson, que alguns anos antes havia sido crucificado em um Pan Americano perdido.

O ginásio do Ibirapuera estava completamente lotado naquela tarde de sábado e não era para menos. Magic Johnson já tinha seus 39 anos, não estava mais auge, mas sua magia ainda estava intacta. Nos dois primeiros quartos de partida, apesar dos arremessos de três sempre certeiros de Oscar, o time de Magic não dava nenhuma chance aos brasileiros e o camisa 32 esbanjava uma assistência mais bela que a outra, com passes por trás, picados e tudo mais que sempre mostrou na sua época de Lakers, onde conquistou cinco vezes o título da NBA. Vencer os americanos nunca foi tarefa fácil para os brasileiros, mesmo o time de veteranos de Magic, que vinha de uma sequência de 83 jogos sem derrota ao redor do mundo. Eu, como alguém que esboçava querer ser um jogador de basquete um dia (e que mais tarde reconheceria a inaptidão para tal) somente sorria ao ver a magia.

O segundo tempo veio com o placar marcando 66 a 46 para o time de Magic e parecia que nada seria capaz de acabar com a longa invencibilidade do time comandado pelo gênio. Mas, à partir do terceiro período, o time brasileiro começou a engrossar o caldo. Oscar continuava chutando de três pontos com sua precisão de sempre e Pipoca cravava enterradas na cabeça dos americanos levantando a arquibancada do Ibirapuera. A admiração pelo ídolo americano começou a se tornar torcida pela equipe brasileira. Cantos de “Brasil, Brasil” começavam a ser entoados pela primeira vez no ginásio, repleto de torcedores com camisas da NBA. O terceiro quarto terminou com a diferença em míseros 6 pontos, com 87 à 81 para o time de Magic.

O último período transformou o Ibirapuera num caldeirão. A possibilidade da vitória dos brasileiros, que lembravam ainda de uma virada semelhante no já citado Pan Americano diante dos americanos, fazia cada torcedor explodir na torcida. A enterrada de Pipoca que colocou pela primeira vez o time de Oscar na frente por 88×87 não deixou mais ninguém sentar no ginásio. Apesar disso, Magic continuava com uma jogada mais bonita que a outra, mas Oscar, Marcel e Pipoca davam o troco do outro lado. Coube ao quinteto brasileiro o último ataque do último período e coube a Pipoca, o homem que incendiou o Ibirapuera a honra de fazer a cesta da vitória brasileira por 106 x 104. A invencibilidade estava quebrada. Oscar terminou com 35 pontos e Magic com minha admiração eterna pelo atleta extraordinário que foi, durante e depois de sua aposentadoria. Não tive a chance de ver Michael Jordan ao vivo, mas vi Magic Johnson que, para mim, é o segundo maior de todos os tempos, mas aí é uma questão subjetiva que gera muitas polêmicas e discussões desnecessárias. Magic foi uma lenda, transformou o jogo naquilo que mais gostamos hoje em dia. E tenha a alegria de dizer que, graças aos meus pais, tive a chance de ao menos uma vez vê-lo ao vivo em quadra, desfilando sua magia.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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