Torcidas Organizadas – Já passou da hora de serem extintas

Brigas entre as torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians depredam metrô de São Paulo, deixam um morto e vários feridos. Troque as datas e os times e essa manchete poderá ser utilizada em qualquer momento. Não foi a primeira vez que vimos essas cenas lamentáveis e não será a última.

Semana passada o meu grande colega Renan Thierre escreveu aqui mesmo no HTE Sports uma coluna pedindo o fim da perseguição às torcidas organizadas. Deixou claro que a coluna representava uma opinião dele e não do grupo HTE Sports nem de todos os redatores que aqui escrevem. Do mesmo modo, deixo claro que a responsabilidade das linhas que se seguem aqui são EXCLUSIVAMENTE DO AUTOR, Marcelo Tadeu Parpinelli. É uma opinião pessoal, que tenho certeza que vários de vocês que leem essas linhas irão discordar. Podem fazê-lo à vontade e os encorajo para isso, pois o crescimento somente ocorre com um bom debate de ideias. Mas, antes das pedras, peço que reflitam sobre algumas coisas irei escrever.

Na semana passada o presidente do Palmeiras denunciou a Macha Verde, após a mesma invadir o CT para cobrar jogadores e treinadores pelos maus resultados que o alviverde paulista vinha tendo. Na incursão da PM, descobriram em algumas das sedes drogas e dinheiro sujo. Algumas pessoas dizem que isso inflamou a torcida. Mas o que inflamou mais: A denúncia ou terem descoberto as ilegalidades cometidas pela mesma? E, outra pergunta que faço: Eles foram convidados para irem ao CT e se reunir com o elenco em seu local de trabalho? Claro que não, sendo assim, não tinham nada que estarem ali. E para quem defende protestos como pixações de muro, quem paga a conta da limpeza: o clube ou a torcida?

Paulo Nobre tem sido um dos poucos que tem se posicionado contra os “privelégios” dessas entidades que, de 20 anos para cá, pouco tem trazido de bem ao futebol brasileiro. A maioria ainda dos que trabalham nesse ramo acabam arrumando alguma defesa, dizendo que nem todos são bandidos, ou que a torcida organizada sabe fazer festa nas arquibancadas. Mas, analisando os cânticos, veremos que pouquíssimos trazem o nome do clube. Além daqueles que dizem que a torcida adversária vai morrer, apanhar e etc.

No contra-ponto de Nobre, tivemos há alguns anos a comoção da parte da opinião pública e da diretoria do Corinthians sobre os presos em Oruru, após a morte de Kevin Espada em um jogo da Libertadores. Os 12 presos foram tratados como coitadinhos, vítimas da “injusta” polícia boliviana. Quase como exilados políticos. Aí, logo que voltaram, arrumaram confusão em Brasília em um jogo contra o Vasco (onde ninguém explica como alguém que ficou três meses preso no exterior teria dinheiro para pagar uma nova viagem para Brasília e comprar um ingresso dito por todo mundo como caro) e ontem dois deles estiveram nos confrontos.

A verdade é que defender a torcida organizada é ser cúmplice dela. Defender quando são presos, como foram os da Bolívia e como foram os da Mancha na semana passada, é ser conivente com os atos que praticaram. A questão não é perseguição, até porque se fossem santos, a incursão da polícia não encontraria drogas na sede, os liberados de Oruru nunca mais seriam vistos em confusões como as de ontem. Não adianta depois reclamar que os clubes estão sem dinheiro para qualquer contratação ou reclamar de qualquer preço de ingresso enquanto essa mesma torcida quebrar ou pixar o patrimônio do clube. E fico bem a vontade de falar isso pois escrevi há algum tempo no Cantinho do Torcedor do São Paulo contra a torcida organizada Independente e Dragões da Real por fazer uma perseguição a um dos jogadores do elenco, Michel Bastos, que claramente não merece vestir a camisa. Mas a perseguição da torcida somente prejudicará o próprio clube, tecnicamente pois o jogador renderá menos ainda enquanto estiver em campo, e financeiramente, pois diminuirá o valor de mercado do jogador para uma negociação de venda ou troca no meio do ano.

Quem quer ir em estádio hoje somente se prejudica com os torcedores organizados, que tem, na maioria dos clubes, vantagens na compra de ingressos. Não foi somente um dirigente que afirmou que jogos fora de casa, principalmente no exterior, arruma as entradas para esses torcedores. Em grandes jogos, também, têm uma parcela da carga de ingressos direcionadas para eles. Então, a conivência continuará. E, enquanto há essa conivência da diretoria e de parte da opinião pública, não haverá vítimas, somente protagonistas do próprio destino.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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