Bonitinho, mas ordinário

A frase icônica que dá nome ao filme de 1963 é usada pra se referir quando alguém –ou algo – tem uma bela feição  mas pode provocar danos colaterais que faça mal ao indivíduo que o consome.

Bonitinho, mas ordinário; é a primeira coisa que pensei quando comecei a pesquisar mais sobre os sinalizadores e o uso dos mesmos no estádio de futebol. É bonito? Claro que é, acho que todos os jogadores quando olham para as arquibancadas e vê tudo aquilo colorido, iluminando a sua torcida se enche de ânimo e o deixa louco para fazer a sua melhor partida possível para agradar a torcida. É ordinário? Claro que é, arquibancadas é um lugar de todos, e garanto que provavelmente nenhum dos portadores do sinalizador tem capacidade pra lidar com pirotecnia.

Quem leu outros textos meus sabem que sou um dos defensores de que se devolva o futebol ao povão, abaixem os preços dos ingressos, deem liberdade para as organizadas e tudo mais. Mas nesse texto estou tratando de um artefato PROIBIDO perante a lei (“não portar ou utilizar fogos de artifício ou quaisquer outros engenhos pirotécnicos ou produtores de efeitos análogos; (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).”

Os sinalizadores são perigosos, crianças frequentam as arquibancadas, perto de um papel ou de faixas (que também estão presentes nos estádio) pode causar um incêndio que pode provocar queimaduras de segundo e terceiro grau ou até mesmo em casos mais trágicos a morte. Talvez ninguém mais se lembre, mas sabe quem não sabia usar sinalizador? O vocalista da Gurizada Fandangueira, a incapacidade de uso dele matou vários adolescentes em Santa Maria/RS. O futebol é uma festa, é um espetáculo e cada episódio negro no nosso esporte afasta mais e mais futuros apaixonados; crianças que veem que morreu um torcedor espancado por rival entenderá que o futebol mata, mas não é o futebol que mata, da mesma forma que não é a faca e não são as armas que matam o que matam são os seres humanos.

Você lendo esse texto pode me chamar de coxinha, de “geração selfie”, pode até dizer que eu mereci o 7×1 (Pelo amor de deus, eu não mereci o 7×1), mas todos os argumentos possíveis não tornará o sinalizador um artefato seguro para ser usado em estádios. Os clubes podem descobrir formas de usar, talvez em um local seguro do estádio, onde esteja isolado com pessoas capacitadas para usá-los.

OBS: Eu não usei aqui o caso de Kevin Espada porque na Bolívia usaram sinalizadores navais, que atiram como um rojão e usar isso é de uma imbecilidade sem tamanho e acho que isso não cabe discussão.

Renan Thierre

Antigamente comia areia e catarro, futuramente um professor de História, atualmente editor no HTE Sports e finge que entende de futebol e outros esportes.

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