CLUBE DA FÉ #75 – Entre a razão e a emoção

Caros amigos tricolores, se alguém no começo do ano dissesse que, ao final de maio, teríamos o São Paulo nas semifinais da Libertadores, certamente seria bem contestado. Se falasse a mesma coisa depois da estréia desastrosa na fase de grupos contra o The Stronghest, seria taxado de louco. Mas chegamos aqui, na pausa da competição sul-americana para a disputa da Copa América viva, colocando nosso nome mais uma vez entre os quatro melhores da América, recorde absoluto no Brasil. Pela frente, teremos o bom time do Atlético Nacional de Medelín, daqui há mais ou menos 40 dias. É hora de colocar a emoção de molho e apelarmos para a razão e vermos o que temos que fazer para dar esse salto e conquistarmos mais uma vez nosso torneio predileto.

No embalo da classificação no sufoco contra o Atlético-MG na última quarta-feira, enfrentamos nesse fim de semana o Internacional no Morumbi já colocando a prova nosso elenco e podemos ver que temos sérias dificuldades com ele. Sem Mena, que já foi para a seleção chilena, Rodrigo Caio e Michel Bastos, recorremos à Lugano, Centurión e Matheus Reis para o jogo de domingo. E não deu muito certo. Lugano até fez na frente, mas com falhas de marcação dos dois laterais, tomamos dois gols e perdemos o jogo. E é nesse ponto que estamos com maiores dificuldades ainda, no sistema defensivo. Mesmo quando temos o quarteto titular formado por Bruno, Rodrigo Caio, Maicon e Mena já temos grandes dificuldades. Mena tem compensado sua limitação técnica com muita entrega. Rodrigo Caio tem falhado muito no jogo aéreo e Bruno não é um dos maiores laterais defensivos que já vimos. Isso sem contar o fato de não sabermos se Maicon continuará após seu período de empréstimo.

O São Paulo chegou até esse ponto da Copa Libertadores jogando no limite físico e de entrega em campo desde o jogo contra o Trujilanos, na quarta rodada da fase de grupos. De lá para cá, todo jogo foi praticamente uma final, sobrecarregando o físico e emocional dos jogadores. É óbvio que haveria uma queda nesse período, o time não teve desde o início do ano sequer uma semana cheia de trabalho com Edgardo Bauza e, pelos resultados ruins no começo do ano, teve de correr muito atrás dos resultados nessas últimas semanas.  E o que estamos vendo é que faltam ainda muitas peças no elenco, principalmente na defesa. Lugano, como todos nós sabíamos, está longe de seu auge físico. Embora ainda tenha muita liderança e carregue o São Paulo na alma, em campo, precisará sempre de alguém próximo para auxiliar nas coberturas. Lucão é péssimo e ainda Lyanco não provou no profissional tudo o que se fala dele.

E é perigoso esse período. Se o time não conseguir manter um bom desempenho, pode chegar novamente desacreditado e sem confiança nas semifinais, no começo do mês de julho. Essa parada na competição sul-americana pode não ser benéfica para um clube que dava mais resposta extrapolando seus limites que pela parte técnica propriamente dita. É hora de Bauza recuperar os machucados, como Michel Bastos e corrigir as falhas dos jogadores que tem em mão no elenco. É hora de a diretoria fazer tudo que for possível para segurar Maicon, pois sem ele na zaga ficará muito complicado segurar o bom e rápido ataque dos colombianos. É hora de arregaçar as mangas e contratar reforços pontuais que podem ser extremamente importante na fase derradeira, assim como foi Amoroso em 2005, que chegou à véspera das semifinais contra o River Plate. É hora de deixarmos um pouco a emoção da superação de lado e enxergarmos com os olhos da razão nossas deficiências para corrigi-las a tempo. Competência o corpo técnico e os jogadores mostraram que tem e que podem fazer melhor que o que fizeram no início do ano. Chegou a hora de trabalhar rumo ao tetra-campeonato, tendo no Brasileiro sua grande chance de fazer o time tomar corpo.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

%d blogueiros gostam disto: