HOSPÍCIO #55 – Raça, Timão. Você é tradição

Raça, vontade, honrar a camisa. Todo bom ídolo do Corinthians tem que atender à esses requisitos. Nunca nenhum deles precisou sempre acertar, precisou ser craque. Nunca nenhum deles precisou ser o jogador perfeito. Era só mostrar que estava com vontade de jogar com a camisa do Timão, que já agradava ao torcedor. E isso, no Corinthians de hoje, falta um pouco.

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Raras são as exceções, raros são os jogos que a gente vê o Corinthians jogando com “sangue nos olhos”. Claro, isso devido ao estilo de jogo que Tite impôs, mas numa competição de mata-mata, ou num jogo crucial, o time precisa ter essa pegada. E não teve. Nem contra o Nacional, nem contra o Audax.

Erros que não são normais num jogo comum, aconteceram. Não é só culpa do André, que perdeu o pênalti, nem do Romero, que perdeu um gol no último minuto, ou do Cássio que não espalmou as duas bolas do gol pra linha de fundo. O erro é coletivo. Se, quando é campeão, todos são, quando é derrotado, todos são. E, convenhamos, contra o Nacional não tem um jogador que a gente possa dizer que se destacou. Nem Fagner, que é muito regular, muito menos Felipe, que por muitas vezes falhou na defesa.

Faltou a vontade, faltou o DNA do Corinthians de ser brigador, de ir pra cima, de não ter medo. Quando tomamos o segundo gol, os jogadores “cozinhavam” o jogo, como se estivessem ganhando. Não são as derrotas, não são os erros, isso é o principal que irrita o torcedor. Que dá vontade de entrar em campo, pegar a bola e sair jogando, correndo, trombando em todo mundo e entrar com bola e tudo dentro do gol. E não foi só contra o Nacional essa postura, contra o Audax também.

O elenco é limitado? É. Todo mundo sabia, desde o começo do ano. Mas é organizado. Poderia ter ganho tanto o jogo do Paulista, quanto da Libertadores. Faltou a raça. Faltou a vontade de ganhar. Talvez, o medo de perder pro Nacional no Uruguai, impediu que o Corinthians fizesse um resultado melhor lá. A eliminação na Arena só foi a consequência.

De todo modo, vida que segue. Não está tudo errado. Mas não está tudo certo. Duas eliminações em um curto intervalo de tempo não é normal. Não para um gigante que colocou recorde de público na Arena pra ver um time sem vontade jogar. Mudanças pontuais são necessárias. Agora, é esperar o Brasileirão. Pelo menos no mata-mata, o Corinthians ainda parece ser forte. Vamos jogar com raça e com o coração, é o time do povo, é o coringão.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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